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Cotidiano
Política

‘Não sei viver sem política e acredito na força popular’, diz Vânia Novoa Tadros

A historiadora é ávida por política e acompanha de perto todos os movimentos que envolvem presidentes da República 17/04/2016 às 14:58 - Atualizado em 17/04/2016 às 19:06
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A historiadora Vânia Tadros em uma das manifestações em Manaus a favor do impeachment de Dilma Rousseff que, segundo ela, cometeu estelionato eleitoral (Reprodução/Internet)
Rafael Seixas Manaus (AM)

A política e os movimentos populares sempre fizeram parte da vida da historiadora Vânia Novoa Tadros. Com 63 anos de idade, a professora universitária aposentada continua participando ativamente das manifestações que debatem o caminho da política brasileira. Em todos os momentos cruciais do País, ela estava nas ruas lutando, seja no movimento Diretas Já (1983-1984), na Assembleia Nacional Constituinte (1986), no impeachment do ex-presidente Fernando Collor (1992) e, agora, para que ocorra o impeachment de Dilma Rousseff. Dependendo por vezes de cadeira de rodas para se locomover, ela não deixa de estar ao lado de quem acredita: o povo.

“Sempre gostei de política e sempre acreditei na força dos movimentos populares. Tem um teórico de História que diz: ‘Um historiador deve estar onde houver cheiro de carne humana’. Isso me marcou muito quando ainda estudava. Tenho um grande prazer em participar dos movimentos populares, mas nunca quis me candidatar e não tenho partido político. Faço campanha para candidatos que acredito serem melhores para o País e para as pessoas. A gente só vai conseguir ser feliz quando tivermos uma convivência harmoniosa entre todas as classes sociais, embora tenha convicção da existência das lutas entre elas”, declarou.

A historiadora acompanhou de perto a mobilização no Amazonas a favor do impeachment da presidente. Segundo Vânia, o povo brasileiro gosta sim de ir às ruas se manifestar, mas passou por um período de descrença com a política. Para ela, as redes sociais, a Internet e a mídia ajudaram a reunir o grande número de pessoas que foram às ruas mostrar sua indignação com o atual governo.

“É maravilhoso abrir blogs, o Facebook e o Whastapp e ver que as pessoas estão conscientes”, comemorou.

Aprovação em 2014

Ainda de acordo com a professora, o porcentual de eleitores do Amazonas que votaram em Dilma nas eleições de 2014 foi grande porque a candidata do PT adotou um discurso populista. Na época, ela conseguiu quase 70% de aprovação no Estado.

“O povo sempre quer ganhar alguma coisa fácil, mas acho que agora aprenderam que isso não é bom. A Dilma foi com essas promessas do Bolsa Família, mas não teve engajamento ideológico. O que ela fez foi um estelionato eleitoral, prometendo coisas que não poderia cumprir”.

Sobre a votação do processo de impeachment da presidente no plenário da Câmara dos Deputados, marcado para acontecer neste domingo (17), Vânia disse que acompanhará na Ponta Negra e que estará pronta para comemorar.

“Tenho certeza que o movimento a favor do impeachment vai ganhar. Depois do sim, nós vamos festejar se Deus quiser. O historiador tem que participar da história e não só escrever sobre ela”, finalizou.

Impeachment

Os deputados começaram a debater na última sexta-feira (15) o processo de impeachment de Dilma Rousseff. A análise hoje com a votação sobre a aceitação da denúncia para a abertura do processo no Senado, se for o caso.