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“Não tenho vínculos políticos”, afirma Rossieli Soares da Silva em entrevista

Escolhido por ter perfil técnico, Rossieli Soares da Silva assumirá o comando da Seduc para ampliar  a rede de escolas de tempo integral e a formação de professores, dentre outros projetos 01/09/2012 às 08:34
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O novo secretário estadual de Educação irá administrar uma estrutura que conta com 560 escolas nos 62 municípios do Amazonas e 37 mil servidores.
Augusto Costa ---

Técnico escolhido para assumir o comando da Secretaria Estadual de Educação (Seduc),  o advogado  Rossieli Soares da Silva afirmou, ontem, que uma das suas primeiras medidas será apresentar, para o governador Omar Aziz (PSD), um plano de ação para os próximo cem dias.

Secretário-adjunto de Gestão da Seduc, o gaúcho da cidade de Santiago, Rossieli da Silva disse que a decisão sobre o caso da  secretária-executiva Sirlei Henrique será discutido com o governador com base na sindicância que está sendo realizada pela Controladoria-Geral do Estado. A secretaria-executiva liberou mais de R$ 1 milhão de contratos sem licitação para a empresa do marido dela.

A posse do novo secretário da pasta que tem um orçamento anual estimado em <br/>R$ 1,3 bilhão, está marcada para o dia 3, no Clube do Trabalhador, Zona Leste. A seguir a entrevista concedida por Rossieli da Silva, ontem, no dia em que foi anunciado pelo governador Omar Aziz como novo titular da Seduc.

Que orientação o governador Omar Aziz lhe deu em relação à Seduc?

O governador Omar Aziz conversou comigo e deu vários encaminhamentos internos, mas em primeiro lugar pediu tranquilidade. Hoje (ontem) falamos das diretrizes e compromissos para a Educação. Ele quer falar sobre as escolas em tempo integral e formação de professores entre outros assuntos. Depois do feriado da semana da Pátria, vamos nos reunir para conversar novamente.

Onde o senhor já trabalhou?

Trabalhei na Comissão Geral de Licitação (CGL) aqui no Amazonas e em outras atividades no Rio Grande do Sul.

Quais mudanças o senhor fará na equipe de comando da Secretaria?

Na reunião que tive com o governador Omar Aziz ele disse que nos próximos dias vamos conversar. Eu não vou adiantar agora, não vou especular. Vou ouvir o governador. Não será feita uma avaliação que não seja técnica. Pode haver mudanças. Temos cargos vagos nas funções de secretário-adjunto de gestão, ouvidor, secretário-adjunto pedagógico. Temos muitos assuntos para discutir. Vamos avaliar o perfil de cada pessoa.

Como o senhor avalia a gestão de Gedeão Amorim?

A gestão do professor Gedeão Amorim pode ser aprovada por números. Mas são ações do Governo do Estado que realiza essas ações. A educação não é feita por alguém que ocupa a cadeira de secretário, mas pelos professores e pela administração do governador Omar Aziz. Temos a maior rede de escolas em tempo integral (30), do Brasil, mas precisamos melhorar.

O que o senhor pretende dar continuidade o que pretende modificar na secretaria?

Há todo momento existem coisas a alterar. Vamos reavaliar todos os programas e processos. Temos que ter avaliação técnica, pedagógica e administrativa. Recentemente foi lançado pelo governador o programa de Reforço Escolar que deverá ser ampliado. O programa Centro de Mídia vai continuar e tem programas que podem ser substituídos.

O senhor pretende manter os diretores das escolas?

Na escolha de diretores existe o processo de direção de gestores. Não vamos sair trocando todo mundo. Vamos fazer essa avaliação tecnicamente. O governador conhece essa rede e vai dar continuidade com os gestores. Os que tiverem dificuldades serão avaliados.

Quais serão suas primeiras medidas à frente da Seduc?

Ainda vou conversar com o governador Omar Aziz. Tudo tem que estar alinhado com ele. Nos próximos dias deveremos lançar um plano de ação para os próximos cem dias. Depois um plano para 300 dias, para 2013 e, depois, um plano de ação até dezembro de 2014. Existem diretrizes que poderão ser vistas a curto prazo, outras a longo prazo. Vamos criar uma série de programas voltados para o ensino fundamental e ensino médio e todas as áreas do conhecimento.

Estão previstos novos investimentos?

O Estado tem passado por momento difíceis. O mundo inteiro vive uma crise econômica. Serão investidos nesse ano o que ainda temos de orçamento. Vamos traçar diretrizes para o orçamento de 2013 e 2014. O governador tem se empenhado para adquirir recursos com o Governo Federal para infraestrutura e formação de professores. Convênio com BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para fechar um projeto de US$ 151 milhões de dólares e R$ 500 milhões com o Governo Federal para 2012, 2013 e 2014. Estes recursos serão liberados gradativamente.

A secretária-executiva, Sirlei  Henrique, que liberou contratos para a empresa do marido dela, será mantida?

O caso da Sirlei Henrique vai ser discutido com o governador. Existe uma sindicância nesse caso e eu vou pedir informações para ver como está e na próxima semana vamos tomar uma decisão. Ainda não falamos sobre a equipe. A equipe que vai ficar não é do secretário Rossiele é da Seduc. Preciso discutir isso com o governador.

Como o senhor avalia a contratação da empresa Bain & Company  sem licitação por R$ 5,9 milhões?

O termo sem licitação não representa exatamente uma irregularidade e está previsto na Lei de Licitações. Para se contratar uma empresa sem licitação antes o processo é avaliado pela Controladoria Geral do Estado que emiti um parecer. O trabalho com a Bain & Company que atua em mais de 50 frentes de trabalho na Seduc como crescimento de indicadores, verifica possibilidades para melhorar a secretaria, além da redução de custos entre outras funções.

O senhor pretende manter o contrato com a Bain & Company?

A relação com eles é de prestação de serviços. O contrato com essa empresa vai até o final deste ano e, em 2013, acredito que não estaremos mais com eles. Essa empresa tem ajudado muito o Amazonas, mas esse ciclo está chegando ao fim.

A Sangari do Brasil tem contrato de R$ 68,3 milhões sem licitação com Seduc. O objetivo desse contrato é treinar professores?

Sim é treinar professores. Mas o projeto ainda contempla estrutura de ciências nas escolas e  material didático para os alunos de acordo com o  calendário escolar.

Por que o contrato com essa empresa também foi feito sem licitação?

Não havia disponibilidade de outra empresa para fazer a função. A dispensa do processo licitatório foi enquadrada na modalidade de inexigibilidade. (Essa medida é tomada quando o Estado necessita contratar um determinado serviço que possui características especiais, que apenas um fornecedor possui).

O ex-secretário Gedeão Amorim saiu por denúncias de envolvimento eleitoral. Qual será a sua postura?

Um dos critérios da minha escolha pelo governador Omar Aziz  é porque eu não tenho vínculos políticos e partidários. Essa também vai ser a minha postura. Não vamos admitir que utilizem a estrutura da Seduc na capital e no interior para ações partidárias. Agora vamos deixar bem claro. Todo mundo tem o direito de participar da política. Desde que esteja fora do seu ambiente de trabalho. Nada impede de alguém pegar a sua bandeira e ir pra rua fazer campanha para o seu candidato. O que não podemos é utilizar a estrutura da secretaria.  

Os coordenadores da Seduc dos 61 municípios do Estado serão mantidos?

Qualquer mudança de função na Seduc, da secretaria-executiva a diretores de escola, todas serão debatidas com o governador Omar Aziz.

Há denúncias de que eles estão fazendo campanha política?

Vamos verificar se estão usando a estrutura da secretaria. Não vamos confundir os direitos políticos de cada cidadão. Se no final de semana qualquer servidor não estiver no trabalho pode fazer campanha.