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Nova invasão ameaça áreas de proteção ambiental na Região Metropolitana de Manaus

Fenômeno que destruiu áreas de proteção ambientais em Manaus repete-se  em um terreno com interesse antropológico 10/05/2012 às 07:27
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Movimento de invasores oriundos de Manaus no terreno de 48 hectares aumentou muito nesta quarta (9) quando lotes foram demarcados e começou a derrubada da mata
JOANA QUEIROZ Manaus

A indústria da invasão atravessou a ponte Rio Negro e chegou ao Município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus), região metropolitana de Manaus. Até esta quarta-feira (9) aproximadamente 1,5 pessoas  já haviam tomado conta de uma área superior a 48 hectares, localizada no ramal Ouro Verde,  no km 4 da estrada Carlos Braga,  que liga a estrada Manoel Urbano à sede de Iranduba.  Moradores do local temem que a invasão se estenda para outras propriedades de produtores de hortifrutigranjeiros.

De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente de Iranduba, Oster Machado, o local invadido é uma propriedade particular e uma Área de Preservação Permanente (APP), onde pode estar localizado um dos muitos sítios arqueológicos encontrados no município.

“A nossa preocupação é com o impacto ambiental que essa invasão poderá produzir no meio ambiente”, disse Oster.

Nesta quarta (9), pela manhã, os invasores já haviam feito o “loteamento da área” e começavam a fazer o desmatamento. Alguns, mais adiantados, já estavam levantando os seus barracos.

“Nós estamos aqui porque não temos onde morar. As nossas casas estão de baixo da água”, justificou Leandro de Almeida Marques, 26. De acordo com o levantamento feito pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente e a de Defesa Civil do Iranduba a maioria dos invasores é de Manaus e  da sede do município.

Das pessoas entrevistadas, nenhuma delas veio de áreas alagadas. Leandro  e a mulher, uma adolescente de 16 anos de idade e que está no sexto mês de gravidez, disse que moravam em um quarto alugado na Invasão da Sharp, em Manaus, e que nos últimos meses foram morar na casa do sogro, na comunidade do Cacau Pireira, mas a casa dele alagou com a enchente.

Como Leandro, a maioria das pessoas que estavam no local disse ter sido expulsa de suas propriedades pela enchente e que vieram das áreas alagadas do município, como Costa do Catalão, Ilha do Baixio, Xiborena  e Paraná do Iranduba. Maria do Socorro Andrade Castilho, 55, estava com os filhos desmatando um dos lotes invadidos. Ela disse que tem 13 filhos, que mora no bairro Morada do Sol, em Iranduba  em casa alugada.  Ela pretende consolidar a posse da terra e construir moradia para toda família. “Vamos morar todos juntos aqui”, diz.

O pedreiro José Batista Lopes, 65, é morador do bairro Jorge Teixeira, em Manaus, já estava cavando  a terra para colocar os esteios da casa. Ele reclamava que as telhas que havia levado de Manaus para lá, os policiais militares do Batalhão Ambiental haviam quebrado.

Segundo informações do tenente Bruno Pereira do Batalhão de Polícia Ambiental da Polícia Militar, a invasão começou na segunda-feira, na terça-feira havia aproximadamente 500 pessoas no local. A polícia conseguiu retirá-las do local e elas ficaram acampadas na margem do ramal, em frente à propriedade. Quarta pela manhã, voltaram a entrar no terreno e o número de pessoas havia triplicado. Durante a manhã não parava de chegar mais pessoas. Elas vinham de carros, motocicletas e a pé.

Nesta quarta (9) o tenente Bruno  disse que a polícia vai voltar ao local só quando for para cumprir o mandado de reintegração de posse. Dessa vez, a ação será mais enérgica, com um numero maior de policiais e quem estiver no local poderá ser preso e irá responder por crime ambiental, já que o local é uma reserva particular de patrimônio ambiental.

Anderson Kennedy Santos Belfot disse que é o advogado da dona da propriedade identificada como Edna Maria Aragão Rodrigues. Segundo ele, na tarde desta quarta (9) ele ingressou, no Tribunal de Justiça do Amazonas, com um pedido de reintegração de posse.

O prefeito de Iranduba, Nonato Lopes, determinou que fosse feito um levantamento na área invadida para identificar quem são os invasores e se havia alguém que estava com a casa alagada.

O objetivo do levantamen to é tirá-las de lá e  encaminhá-las aos abrigos que estão funcionando em escolas municipais, onde estes podem ficar  até a descida da água.

Segundo o secretário Municipal de Meio Ambiente, Oster Machado, não foi identificado nenhum flagelado da cheia. Ele disse que a secretaria  está elaborando um documento relatando a situação da área invadida que será encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE) para que sejam tomadas as providências.