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Novo Delegado-geral do Amazonas fala sobre sua administração

O novo titular da Delegacia-Geral evita comentar o polêmico caso do "Quinteto Fantástico", que derrubou seu antecessor. Ele prefere falar dos projetos que pretende desenvolver, com a valorização da perícia técnica 03/06/2012 às 15:11
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Josué Rocha já atuou na Delegacia de Homicídios e Sequestros e Roubos e Furtos
Lúcio Pinheiro Manaus

Com a tarefa de tirar a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) da pauta negativa em que esteve no mês de maio, o delegado Josué Rocha assume o cargo de delegado-geral prometendo uma administração mais próxima dos servidores, e bem distante da empregada por seu antecessor no cargo, Mário César Nunes.

Josué Rocha assumiu a PC-AM no dia 25 de maio, após Mário César pedir exoneração, pressionado pelo escândalo que ficou conhecido como “Quinteto Fantástico”. O ex-delegado-geral é acusado de facilitar a nomeação de cinco candidatos reprovados no concurso para delegado realizado em 2009.

Na entrevista a seguir, Josué Rocha fala, entre outras coisas, do que o difere de Mário César e do que pretende fazer a frente da PC-AM.

O senhor vai mudar a equipe do ex-delegado-geral Mário César Nunes?

Faremos algumas mudanças. Cada administrador tem um perfil. Quero dar uma dinâmica à Delegacia Geral. Nesse sentido devo fazer mudanças.

Ocorrerão mudanças nas delegacias especializadas?

Também. É nosso propósito.

Em quais, por exemplo?

Não posso te adiantar agora. Estamos fechando agora a transição nos departamentos. Departamento metropolitano, departamento do interior. Depois que isso estiver pronto, aí sim vamos partir para efetivar as mudanças que tiverem que ser feitas.

Que avaliação o senhor faz do trabalho de perícia da Polícia Civil do Amazonas?

Tenho dito que ela precisa de fato de uma atenção. Nós temos alguns projetos para melhoria da perícia técnica. Projetos que podem acontecer a curto e médio prazo. Porque vai precisar, de qualquer forma, de espaço físico para comportar os equipamentos. Já está havendo contato com o secretário executivo do Ronda no Bairro para, em parceria, isso acontecer. Melhorando a perícia, nós vamos poder fazer melhores inquéritos, juntar provas técnicas contundentes, e sendo assim não vamos ter dificuldade no Judiciário e os infratores serão punidos quando o inquérito for bem elaborado.

Há em Manaus muitos homicídios com características de pistolagem. Qual o obstáculo que impede a Polícia Civil de solucionar esses crimes?

Primeiramente, a gente tem que dizer que a cidade cresceu. Hoje Manaus é muito grande. Em decorrência disso tem acontecido os crimes. E o nosso papel, da Polícia Civil, é investigativo. Nós vamos dar uma atenção à investigação. Vamos tentar resgatar a função investigativa da Polícia Civil. No instante em que a gente se empenha para investigar na tentativa de elucidar esses fatos nós vamos, enfim, contribuir para a diminuição da criminalidade.

O que o senhor foi orientado pelo governador Omar Aziz? O que ele disse esperar do senhor?

Todo governo, ele tem as suas metas. Na questão da Segurança, o que o governador tem como foco para essa área, isso está bem evidente, é o programa Ronda no Bairro. Com o trabalho da comunidade participando para que haja um sucesso desse projeto. Já registramos onde o projeto está  implantado hoje a queda do índice de criminalidade. Logo se sabe que ele acertou quanto a isso. No momento em que a polícia se aproxima da comunidade, e a comunidade mostra confiança, nós vamos ter um feedback, nos trazendo informação onde estão os pontos de criminosos, usuários de drogas e traficantes.

Essa humanização dos profissionais da Polícia Civil que o senhor promete não foi feita antes?

Certamente sim. Mas não se pode pensar que haja assim algo estanque. A valorização do profissional tem que ser contínua. No instante em que o homem se sente valorizado, ele valorizará o outro. Valorizará a instituição. Homem valorizado, instituição valorizada e capacitada, vão oferecer resultado.

Quantos municípios têm delegados de polícia?

Tem 39 municípios com delegados de carreira (concursado), e 22 municípios com chefes de delegacia (tem curso de bacharel em Direito, mas não é concursado, podendo ser policial Civil ou Militar). Comumente, esses sem delegado são municípios com índice reduzidíssimo de habitante e criminalidade.

O que o senhor pretende fazer para acabar com esse déficit?

Hoje está sendo pensado em se ocupar a cidade (Manaus) como um todo. Está exigindo um número maior de delegados em função do programa Ronda no Bairro. Não posso prever agora, nem afirmar quanto vai haver um novo concurso. Mas, a gente vê que a médio prazo haverá necessidade de concurso para preenchimento dessas lacunas.

Então, no momento, a prioridade é Manaus?

Tem sido a cidade. Aumentou o número de delegacias (em Manaus) e nessas delegacias tem que ter delegado comandando.

As 100 vagas abertas no concurso de 2009 já foram preenchidas?

Todas. Não temos ninguém para ser chamado.

Além dos cinco delegados exonerados, o Governo diz que há outros que foram nomeados por determinação da Justiça. Como o senhor vai trabalhar o problema se esses também tiverem que deixar a Política Civil após a briga no Judiciário?

Não é minha competência fazer essa avaliação. Isso compete à Justiça. Se chegar algo determinado pela Justiça, a gente cumpre. Por enquanto esses que, supostamente estariam irregulares para nós não consideramos esses fato.

O senhor vai recomendar ao Governo a nomeação de novos delegados no lugar dos cinco que serão exonerados?

Devemos ocupar com o contingente que nós temos. Não posso chamar ninguém até porque não tem ninguém para ser chamado nesse momento. Vamos tentar equacionar o problema. A polícia não vai parar em decorrência disso. Vamos alocar outros profissionais para o lugar deles.

Desses cinco delegados afastados, quatro ocupavam outros cargos, que não o de delegados. Quantos delegados estão nessa condição ainda?

Não posso te dar essa informação até porque não sei se é verdadeiro. Os delegados que foram concursados estão na atividade fim.

O secretário-executivo de inteligência Thomaz Vasconcellos é um desses...

Ele é um cargo de confiança.

A condição dos outros o senhor desconhece?

Sim. Não tenho conhecimento disso. Sei que os que estão concursados, eles estão efetivamente no exercício.

Como estão as finanças da Polícia Civil do Amazonas?

O nosso orçamento está compatível com aquilo que nós estamos trabalhando. Poderíamos até dizer que temos que otimizar nossas ações em cima daquilo que nós temos. Se temos X em orçamento, não posso me comprometer com o que está além desse limite.

De que forma a Polícia Civil do Amazonas vai contribuir com outras políticas para evitar os conflitos desse ano motivados pela disputa eleitoral?

As polícias Civil e Militar vão trabalhar juntas nas eleições municipais. O planejamento já está elaborado, feito pela Polícia Militar e o Tribunal Regional Eleitoral. E a Polícia Civil também estará pronta.

O senhor já conversou com o delegado Mário César Nunes após assumir o cargo que era ocupado por ele?

Claro. O delegado Mário César, companheiro, no dia que estávamos assumindo, ele esteve conosco. Fez a sua despedida e foi uma transição sem trauma. E quem sou eu para tentar jogar pedra num colega que fez um trabalho durante quatro anos? Foi a forma de administrar dele. Tem que respeitar. Agora eu tenho também o meu estilo de administrar. Um estilo diferente (do de Mário César). Mas respeito tudo que ele fez em prol da polícia.

Qual a diferença do seu estilo de administrar com o dele?

Ele tem uma forma de administrar diferente da minha no que tange à aproximação. Eu me aproximo muito do servidor e dialogo com o servidor. Não posso nem dizer se ele tinha esse estilo ou não. Estive um período prestando meus serviços na corregedoria. Nas vezes que estive aqui fui bem recebido por ele. As pessoas aqui faziam pequenas reclamações, mas nada que prejudicasse o andamento da delegacia-geral.

O senhor assume esse cargo com algum constrangimento, considerando as circunstâncias em que o delegado Mário César saiu?

De forma nenhuma. Mesmo porque eu estou assumindo numa situação dessas, sei até da situação constrangedora porque passou o delegado Mário César. Mas não estou aqui verificando o passado. A minha administração é para o futuro. Vamos montar os alicerces para esses novos companheiros que entraram comandem a polícia amanhã.

Que tratamento o senhor dará aos servidores que cometerem irregularidades no exercício do cargo?

A aplicação da lei sem trégua. Estou falando em humanização, valorização, aproximação, mas isso não significa frouxidão. Ou covardia em relação a algum desvio de conduta. Estou vindo da corregedoria e eles já sabem qual é a minha postura em relação a isso.

Que prejuízo a ausência de um delegado de carreira traz para a sociedade?

Eu não diria um prejuízo. Porque no interior nós temos o Ministério Público acompanhando as ações desses chefes de delegacias. Claro, nós não podemos dizer que um inquérito elaborado por eles esteja tecnicamente 100%. Mas há um esforço. Até porque eles são bacharéis em direito e eles conhecem o metier da polícia. Dificilmente temos reclamação de procedimentos elaborados errados.

Como fica a situação do secretário-executivo Thomaz Vasconcellos, que pediu exoneração do cargo de investigador para assumir a função de delegado e agora será exonerado também deste cargo?

Se ele foi empossado como delegado, ele foi exonerado como investigador. E agora exonerado como delegado, portanto, ele não é investigador, e deixou de ser delegado.

Há ingerência política no seu cargo ou o senhor tem autonomia para exercê-lo?

O governador Omar Aziz foi taxativo em dizer que temos a independência de tocar a delegacia-geral sem ingerência política.