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Cotidiano
MDCA

Novo modelo para decisões sobre saúde mudaria realidade do AM, dizem especialistas

A Análise Multicritério de Apoio à Decisão (MDCA) leva em consideração as preferências dos pacientes, profissionais de saúde e outras partes interessadas 15/09/2017 às 18:46 - Atualizado em 15/09/2017 às 19:08
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Professor associado ao Departamento de Medicina Clínica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), Dr. Denizar Vianna Araújo. Foto: Divulgação
Amanda Guimarães* São Paulo (SP)

Levar em consideração as preferências dos pacientes é o principal objetivo da Análise Multicritério de Apoio à Decisão (MDCA). O novo modelo na área da saúde foi discutido entre especialistas internacionais no campo da farmacoenomia da América Latina, nesta sexta-feira (15), na cidade de São Paulo. No Amazonas, segundo especialistas, a ferramenta melhoraria a qualidade e o acesso a tratamentos hospitalares para pessoas em vulnerabilidade social. 

O assunto foi abordado no Workshop Educativo para Jornalistas: Análise de Decisão Multicritérios, realizado na capital paulista. Segundo a Federação Latino-Americana da Indústria Farmacêutica (FIFARMA), o modelo MDCA também facilita a tomada de decisões, abordando objetivos múltiplos e muitas das vezes conflitantes. Na área da saúde, o projeto ainda ajuda a satisfazer as demandas que geram problemas para pacientes e pagadores do serviço, além de proporcionar transparência a tomada de decisões. 

Mesmo citando os avanços do Brasil na área da saúde nos últimos anos, o professor associado ao Departamento de Medicina Clínica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), Dr. Denizar Vianna Araújo, afirmou que o país possui muitos desafios e o novo modelo serviria para "alterar" os problemas do serviço. 

"Pensando em saúde pública no Brasil temos dois grandes desafios. O primeiro é o financiamento, porque essa situação está aquém do necessário para suprir as necessidades básicas da população. Nossos gastos estão abaixo daquilo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselha. A outra questão crítica: o uso desses recursos, porque não usamos da melhor forma. O MDCA mudaria essa realidade", disse Denizar.

O professor também acredita que no Amazonas, o novo formato faria com que a população participasse das decisões envolvendo a saúde do Estado e do Brasil. "No Amazonas, a gente se depara com os extremos. Os ribeirinhos muitas das vezes não têm acesso a nada relacionado à saúde. Já o morador de Manaus se beneficia com isso. Os acessos da população ao sistema são diferentes. Essas realidades opostas seriam olhadas, porque o MCDA permite que a população participe do processo decisório. O dinheiro é pouco, mas precisamos usar de forma certa", destacou. 

O médico e diretor de políticas de operações internacionais da Fifarma, Juan Carlos Trujillo de Hart, comenta que na América Latina existem múltiplas barreiras para o acesso a saúde, que vão desde infraestruturas frágeis até a lentidão na adoção de medicamentos inovadores. 

"O problema na área da saúde é comum em todos os países da América Latina, mas claro que o Brasil vive um momento muito particular. Os países possuem desafios financeiros muito grandes. Os recursos passados não atendem a necessidade da população. Por isso, é importante conseguir estratégias que mudem essa realidade. O MDCA seria utilizado para as decisões, porque não sacrificaria a população", ressaltou. 

O MDC foi aplicado com sucesso para facilitar diversas decisões no setor da saúde em muitos países de todo o mundo. Na América Latina, também está sendo considerado na Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Equador e República Dominicana. O modelo é uma abordagem holística que leva em consideração as preferências de pacientes, profissionais de saúde, pagadores, fabricantes e outras partes interessadas. 

*A repórter viajou a convite da organização do evento