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Novos e velhos perigos à Zona Franca de Manaus

Investimento do multi-milionário Eike Batista no Rio de Janeiro pode ter impactos na produção de televisores de tela fina na Zona Franca de Manaus 28/01/2012 às 16:37
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Investimento do multi-milionário Eike Batista no Rio de Janeiro pode ter impactos na produção de televisores de tela fina na Zona Franca de Manaus
Joubert Lima Manaus

Entre os tantos projetos nos planos do empresário Eike Batista está a instalação de uma fábrica de telas de LED no Rio de Janeiro. Como a tecnologia para telas pequenas ou grandes é a mesma, se a fábrica carioca produzir telas para TVs - na visão de alguns analistas -  poderá  anular a competitividade da Zona Franca de Manaus na fabricação de televisores.

As telas correspondem a cerca de  70% do custo das matérias-primas necessárias à produção das TVs de telas finas. Atualmente, os dispositivos de cristal líquido são importados, principalmente da China.

Não é à toa que 21% de toda a importação do Amazonas em 2011 foi de componentes para TVs, onde as telas figuram como principal insumo. Uma fábrica de grande porte fornecendo esse componente no Sudeste tornará mais vantajosa a produção de televisores com telas de LED naquela região, mesmo sem o apoio de incentivos fiscais. Essa é a avaliação do professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Manuel Cardoso.

“Do ponto de vista logístico, não fará sentido produzir na Zona Franca. Não há diferença fiscal que torne a operação competitiva”, pondera.

O vice-presidente de Novos Negócios da Samsung para a América Latina, Benjamin Sicsu, discorda. Ele afirma que a disponibilidade de um fornecedor de telas no Brasil não causaria debandada na Zona Franca. “Se houvesse um fornecedor de painéis no País e as fábricas fossem obrigadas a adquirir esses painéis (por modificação no PPB), o impacto seria maior para o Caixa do Governo do Estado. Isso porque, quando os painéis entrassem na ZFM, teriam que receber crédito tributário de 7%”, explica.

Na visão do executivo, a isenção de IPI para TVs produzidas no PIM continuaria tornando mais vantajosa a produção em Manaus.

Para Manuel Cardoso, não se pode ser contra o investimento, mas o ideal é que ele seja feito na Zona Franca, onde já existe um polo consolidado de televisores. Para isso, o momento de agir é agora. “Nesse momento, é importante que haja movimentação política para que se busque nesse mesmo investidor a sensibilização para que o investimento seja feito em Manaus”, disse o cientista.

Convergência digital
Se há divergência quanto aos impactos que a fábrica de Eike Batista possa causar na ZFM, o mesmo não ocorre com relação aos efeitos da possível inclusão das smart TVs na lista de bens de informática. A última edição da Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas mostrou de forma contundente que a convergência digital - acúmulo de mídias em um só aparelho - já é uma realidade (veja à esquerda).

Se o governo brasileiro considerar as novas smart TVs como bens de informática, estará garantida a concessão de incentivos fiscais para produção em qualquer Estado, liquidando o setor na Zona Franca.

As smart TVs mostradas na CES dispensam o controle remoto, reconhecem rostos, voz e movimentos, conectam-se à Internet com todas as funcionalidades de um computador. Manter esses produtos fora da lista de bens de informática será uma tarefa que vai exigir imediata desenvoltura das lideranças políticas e empresariais do Estado.