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Números de empreendedores no Amazonas ultrapassa 178 mil

Histórias de pessoas que pediram demissão para trabalhar na tão sonhada área são mais comuns do que se imagina. Conforme o Sebrae, em todo o Brasil cerca de 16.644.983 pessoas já abriram o próprio negócio 01/03/2014 às 20:52
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José Carlos Cardoso deixou a carreira militar e montou a empresa Protenorte em 1987. O empresário afirma que não se arrepende da escolha e tem uma vida tranquila
Mônica Dias Manaus (AM)

Já pensou em abandonar tudo e abrir o próprio negócio? Se sim, você não está sozinho. Mesmo com todos os riscos e complicações do mundo do empreendedorismo, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) contabiliza 16,644,983 empreendedores no Brasil, sendo 178,316 só no Amazonas.

Um desses “aventureiros” é o empresário José Carlos Cardoso, proprietário da empresa de segurança contra incêndio Protenorte. Há 27 anos, ele abandonou o emprego e montou o negócio. Desde lá, já conseguiu clientes de peso como Petrobras e Moto Honda.

Tudo começou em 1985, quando tinha 26 anos e trabalhava como oficial do Corpo de Bombeiros. “A sensação era de que eu estava engessado, sentia que as minhas possibilidades criativas não tinham como ser exploradas naquela área, e meu salário não era tão bom assim. Então comecei a prestar assessoria na área de segurança contra incêndios para empresas nas horas vagas. Ao longo do tempo, comecei a perceber que chegava a ganhar três vezes mais do que o meu salário da época com esses serviços”, relembra.

Após dois anos conciliando os dois trabalhos e a faculdade de contabilidade, Cardoso decidiu pedir afastamento do quartel e abrir o próprio negócio. “Fiz toda a regulamentação e comecei a trabalhar para diversas empresas. Como eu era solteiro e não tinha filhos, não foi difícil tomar essa decisão. Com o tempo, fui adquirindo mais conhecimento e experiência na função. Fui também ganhando a fidelidade dos clientes, o que foi uma alegria muito grande, porque isso é muito difícil”.

Aos poucos a sala de 4m x 2m, situada em um beco, transformou-se em um escritório e uma área no Distrito Industrial de quatro mil metros de área construída. “Além de atender a Moto Honda, Yamaha, Bemol, Petrobras, Transpetro, Texaco, videolar, Fogás, Amazonas Energia e Corpo de Bombeiros do Amazonas, prestamos atendimento em estados como Roraima, Acre e Rondônia”.

Nova safra

Com o perfil semelhante ao de Cardoso, o empresário André Porto, 25, também resolveu abrir mão de um emprego convencional e virar empreendedor. Aos 23 anos, ele trabalhava como consultor de marketing e vendas em uma empresa e resolveu abando nar o trabalho e procurar qualificação.

“Eu queria mesmo me especializar em alguma coisa, mas após uma série de conversas com a minha amiga e atual sócia Carol Azulay, percebi que não existia um local em que eu quisesse trabalhar. Nós dois queríamos algo envolvendo criação, sem obrigações pontuais, algo bem geração Y mesmo. Como não existia um local assim, resolvemos criar um”, explicou.

Assim surgiu, em março de 2012, a Good Times Eventos, uma empresa que organizava festas com uma identidade visual exclusiva, feita a partir dos gostos do cliente. “Fazemos rótulo para as bebidas, adesivos, plaquinhas, enfim, toda a decoração da festa, pra ela ser única. Antes, a gente também contratava buffet, local, essas coisas, mas com o tempo percebemos que era melhor especificar o serviço e resolvemos focar no design do evento”.

O preço

Trabalhar na área dos sonhos e ser o próprio chefe tem seu preço: a responsabilidade é maior e a dedicação precisa ser integral. “Hoje, graças a Deus, temos uma cartela de clientes bem legal, mas não foi fácil. Fora isso, por mais que o tempo seja nosso, ele é não nosso ao mesmo tempo, é do cliente. Ele pode falar comigo a qualquer hora, pelo telefone, whatsapp, e eu preciso atender, acalmando noivas, debutantes e etc . Mas a realização pessoal existe e posso garantir que nunca encontrei isso em nenhum outro emprego”, afirma Porto.

Cardoso concorda com o empreendedor novato. “Uma empresa é como um filho, então você tem que cuidar dela durante 24h, não existe doença ou problema que te impeça de abrir a loja sempre naquele mesmo horário, a dedicação tem que ser exclusiva, você tem que trabalhar e correr atrás, porque se você deixar de atender o cliente, ele vai embora. O lado bom é o retorno positivo por parte do cliente, ter o orgulho de produzir de crescer e ver o seu trabalho colaborando de alguma forma com outras pessoas. Não me arrependo nenhum um pouco de ter saído do quartel e vivo, graças a Deus, muito bem e tenho uma tranquilidade muito grande”, conclui o empreendedor.