Publicidade
Cotidiano
Notícias

Orelhões depredados da Oi dificultam ligações gratuitas determinadas pela Anatel no AM

Decisão da Anatel obrigou a ‘Oi’ a realizar ligações locais grátis de orelhões no Amazonas. O difícil é encontrar um que funcione 18/04/2015 às 15:47
Show 1
De acordo com a empresa Oi, no Amazonas existem 15.276 orelhões. O problema, de acordo com usuários, é que, além de cada dia mais raros, muitos estão quebrados
Jornal A Crítica Manaus (AM)

As ligações são gratuitas, mas o difícil é achar ‘orelhão’ que funcione. Após a medida anunciada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), no meio da semana, que determinou que a Oi liberasse os orelhões para ligações locais sem cobrança, antigos problemas como telefones mudos e depredados foram encontrados pela equipe de A CRÍTICA nas ruas.

Em três aparelhos testados na avenida Paulo VI, no bairro de Petrópolis, Zona Sul, nenhum completou a ligação gratuita. Em dois deles, o interlocutor atendia o telefone, mas a chamada era cortada imediatamente após ele dizer “alô”. No último aparelho testado, a ligação sequer foi completada.

A doméstica Vivia Sampaio, 39, que moradora do bairro, disse que já sabia dessa nova lei, mas que de nada adianta, uma vez que os orelhões estão funcionando, mas não realizam a ligação gratuita.

O estudante Andrew Santos Medeiros, 27, que reside também em Petrópolis, disse que não sabia da nova medida, mas que a empresa responsável pelo sistema deveria primeiro dispor de novos aparelhos e, em seguida, divulgar o serviço gratuito. “Eles deviam primeiro fiscalizar com a troca de aparelhos e dar manutenção nos orelhões, para depois disponibilizar para o devido uso já com a nova medida”, ressaltou o estudante.

Gratuidade

Por enquanto, só são grátis as chamadas feitas de orelhões da Oi para telefones fixos. Se não houver melhoras nos próximos seis meses, também ficarão gratuitas as ligações de longa distância. Se ainda assim a disponibilidade de telefones públicos ficar abaixo de 90%, seis meses depois – portanto em abril de 2016, mesmo as chamadas para celulares ficarão grátis.

De acordo com dados divulgados pela Anatel, o Amazonas está com 74% de sua telefonia (orelhões) em condições de uso. Para ligar de graça, o usuário não precisa de cartão: basta digitar o número do telefone fixo.

Cumprimento

Em resposta oficial, a empresa de telefonia Oi, por meio de comunicado, destaca que cumpre a determinação da Anatel de conceder a gratuidade em chamadas para telefones fixos locais feitas a partir de sua rede de telefonia pública nos 15 Estados indicados pela agência reguladora.

A empresa (Oi) também reforça que “a medida é temporária e permanecerá em vigor até que os patamares de disponibilidade de orelhões nestes estados estejam nos níveis indicados pela Anatel”.

População desconhece a gratuidade

O vendedor autônomo Joaquim Oliveira, 44, que atua na Cidade Nova, Zona Norte, disse que não sabia da medida, mas que ela é boa, porque as pessoas que não têm condições de comprar um cartão a R$ 7, às vezes só para falar duas palavrinhas, numa emergência, numa situação que não é favorável naquele momento, poderão utilizar o serviço. Foi bom esse recurso”, avalia.

Amaral dos Santos, 51, comerciante, gostou da medida quando soube através da reportagem, mas eles ressalta que há muitos aparelhos quebrados na cidade.

A empresa admite que os aparelhos possuem pouca atratividade para os consumidores. Ainda de acordo com a operadora, pesquisas feitas pela companhia apontam que o uso do orelhão se tornou “esporádico”. A Oi acrescentou que a migração para os celulares faz parte da evolução em todo o mundo, inclusive no Estado.

Aplicação da Lei

A determinação para liberar a cobrança das chamadas locais abrange 2.020 municípios em 15 Estados atendidos pela Oi e foi uma punição aplicada pela Anatel por descumprimento das metas do Plano de Revitalização da Telefonia de Uso Público e por descumprimento do número mínimo de orelhões. A decisão é válida até 31 de outubro, para as cidades que se enquadram na primeira situação, e até 31 de dezembro, nos municípios que carecem de orelhões. Responsável por 740 mil dos cerca de 900 mil orelhões do País, a Oi pode escolher entre uma multa de até R$ 10 milhões – resultado de uma multa diária de R$ 50 mil para cada estado onde a disponibilidade estava abaixo de 90% – ou a gratuidade das chamadas. Preferiu a última.