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‘Os conjuntos são fornos de microondas’, diz Marcelo Dutra em entrevista

Titular da Semmas critica lógica de derrubar árvores para viabilizar obras executadas pela Prefeitura de Manaus e Governo do Estado 05/11/2012 às 08:51
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Marcelo Dutra critica derrubamento de árvores
Náferson Cruz ---

O plano de arborização que está sendo executado em Manaus causará impacto significativo no clima, na paisagem e como um padrão a ser seguido por outras capitais. Segundo o titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Marcelo Dutra, para que a medida venha a ser contemplada daqui a alguns anos, tem que haver compreensão da população de forma que todos contribuam para a formação do plano. Entre as medidas está o plantio de 667 mudas no Centro e nas principais vias da cidade. Dutra critica a falta de planejamento arbóreo nos novos conjuntos habitacionais, inaugurados há pouco tempo, e o planejamento errôneo da Prefeitura e do Governo na execução das obras. Segundo ele, os patrimônios arbóreos são arrancados para depois começar a edificação, o que seria um erro. Confira a entrevista concedida por Marcelo Dutra.

Muitos ambientalistas e especialistas no assunto criticam a falta de árvores em determinados pontos em Manaus. A cidade está descoberta de árvores?

Até hoje estou esperando a metodologia científica utilizada para informar o dado dessa pesquisa. Por exemplo, não consideraram as áreas institucionais, o aeroporto, o Inpa, a Ufam, a Reserva Adolpho Ducke e a área da Ponta Negra, além das diversas outras unidades e os quintais residenciais. Se observarmos Curitiba, ela é ambientalmente linda, mas, se observarmos a vista aérea podemos constatar que são apenas lavouras e nada mais. Manaus tem degradações urbanas, mas a vista aérea tem uma exuberante floresta amazônica no entorno.  Portanto, Manaus é arborizada sim.

E quanto às vias públicas?

Sim, se analisarmos por vias públicas podemos constatar algumas, mas estas já estão sendo cobertas pelo plantio de mudas. Mas se hoje a cidade não está totalmente arborizada é porque o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal têm por tradição e cultura arrancar o patrimônio arbóreo e fazer a obra, para depois fazer paisagismo, ao invés de fazer a supressão vegetal só do ponto onde a obra será necessária. E se essa obra vai ficar pronta daqui a cinco anos, o correto é arborizar uma etapa da obra para que o patrimônio arbóreo fique pronto junto com a edificação, mas isso não ocorre. Depois da inauguração colocam uns gravetos no local. Se alguém plantar tudo bem, se alguém cuidar tudo bem. É assim que se vem lidando.

Mas que exemplo de via principal arborizada o secretário pode nos dar?

Na avenida André Araújo, no Aleixo, ela está arborizada, mas quem passa pelo local diz que não está. A via não tem árvores mas está arborizada com mudas. É cultura da nossa terra exigirmos, cobrarmos e não entendermos e não participarmos. As pessoas não interagem com isso.

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