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Pacientes renais denunciam a falta de assistência por conta da má gestão de associação

A suposta omissão da entidade foi apresentada ao Ministério Público do Estado (MPE), por um grupo de pacientes e associados da Arcam 01/12/2015 às 09:18
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Wilson Frazão, Osmar Borges, Renata Carvalho e Thiago Coelho, lamentam a má gestão da Arcam que está resultando na falta de assistência aos pacientes
Náferson Cruz ---

A Associação dos Renais Crônicos do Amazonas (Arcam) vem sendo alvo de denúncia pelo descaso com pacientes e práticas irregulares na administração. A suposta omissão da entidade foi apresentada ao Ministério Público do Estado (MPE), por um grupo de pacientes e associados da Arcam.

Segundo o paciente Osmar Batista Borges, membro da associação, em maio deste ano, o grupo solicitou a prestação de contas referente a 2014, porém, recebeu do atual gestor da Arcam, Gláucio Bessa, apenas rascunho do balanço financeiro.

O motivo da solicitação da demonstração financeira e patrimonial, conforme o processo nº 957399, protocolado no MPE, se deu após a perda da sede da Arcam, dos convênios, da suspeita do desvio das cestas básicas recebidas por doação do Governo do Estado, para outros fins e da ausência das Certidões Negativas de Débitos (CNDs).

Em relação às cestas básicas, Osmar Borges, explicou que era cobrado a quantia de R$ 10 por associado, para receber as cestas, num total de 600 mensais. A receita de cestas básicas, conforme Osmar, gira em torno de R$ 6 mil mensais.

O paciente Wilson Frazão, contou que, em seis meses, a atual administração deu prejuízo de R$ 47 mil, conforme o balanço assinado por gestor -, Gláucio Bessa. De acordo com a denúncia, a sede da Arcam, localizada na rua Codajás, 277, Cachoeirinha, na Zona Sul, está fechada há seis meses, em decorrência da não quitação do débito do aluguel. “Se não houver uma intervenção do MPE, muitos pacientes serão prejudicados, pois a Arcam contribui de forma significativa no encaminhamento de pacientes para o tratamento”, comentou o paciente Thiago Coelho.

Osmar Borges disse, ainda, que há duas semanas, Gláucio Bessa esteve na 46ª Promotoria de Justiça de Ausentes e Incapazes, onde se comprometeu que iria renunciar o cargo de presidente da Arcam, no próximo dia 11, e que determinaria uma data para nova eleição. Mas Osmar ressalta que o acordo de Bessa com a Justiça não será cumprido. “Fomos informados pelos próprios membros da diretoria dele (Bessa) que ele não vai renunciar o cargo e muito menos realizar uma nova eleição. Quem irá sofrer com tudo isso somo nós pacientes”, lamentou.

Precariedade e falta de atenção a causa

Em entrevista feita em julho deste ano, o presidente da Arcam, Gláucio Aguiar Bessa, declarou que, atualmente, os investimentos e a estrutura para os pacientes crônicos e renais se encontra em situação precária, levando mensalmente, segundo ele, a morte de ao menos 20 pacientes renais em todo o Estado.

Pacientes

Em Manaus, 600 pessoas são submetidas a tratamento na Clínica Renal. Do total de pacientes, 200 pessoas realizam o processo de diálise peritoneal e 400 pessoas a hemodiálise. Tratamento A diálise é o tratamento utilizado para substituir as funções do rim. É um processo artificial que serve para retirar, por filtração, todas as substâncias indesejáveis acumuladas pela insuficiência renal crônica.