Publicidade
Cotidiano
Pais de primeira viagem

Pais de primeira viagem também vivem expectativa com a chegada do bebê

A maternidade é sempre exaltada, mas como os homens recebem essa nova responsabilidade? Quais as mudanças na vida dos pais de primeira viagem? 13/03/2012 às 15:26
Show 1
George Lima abriu mão do futebol com os amigos e de outros passeios para dedicar mais tempo ao filho Vinícius
Israel Conte Manaus

Há  27 dias o engenheiro Ricardo Corrêa trabalha ininterruptamente  - e sem data para terminar  - no seu mais desafiador e gratificante projeto na  vida:  o de ser pai.

No dicionário, o significado dessa  palavrinha de apenas três letras traz grandes responsabilidades tais  como  genitor,  protetor,  benfeitor.  Na  prática,   significa ter que abrir mão muitas vezes de hobbies e   passeios  para trocar fraldas, auxiliar nas tarefas domésticas, acordar com choro no meio da noite e, como recompensa,  receber um sorriso sincero e um olhar  brilhante de “muito obrigado”.

“Ser pai para mim é o estado pleno de graça.  A Laís foi planejada e por isso já tínhamos um grande sentimento de amor e responsabilidade antes mesmo dela nascer. Mas a ‘ficha só caiu’ quando a segurei em meus braços pela primeira vez e a obstetra disse: ‘é a cara do pai’! Naquele momento passou um filme em minha mente e nada no mundo parecia ter mais importância que minha filha”, relembra Ricardo.

Vida a três

Para o administrador George Lima, a paternidade - única até agora -  chegou pela primeira  vez há 1 ano e seis meses com o filho Vinícius.

 “É uma vida a três. Antes pensava só em mim e na Denise. Agora tudo tem que ser dividido para três. Reduzimos os programas de casal, abri mão do futebol com os amigos, mas sei que deixo de fazer isso hoje, para no futuro brincar, jogar  e passear junto com o Vinícius ”, vislumbra George.

O engenheiro Ricardo Corrêa também escolheu ser um pai de primeira presente. “De fato, não tenho habilidades para dar banho ou trocar fraldas ainda, não tenho a delicadeza e as habilidades que me parecem natas à mãe desde sempre. Ela não veio com manual de instruções (risos).  Dessa forma, procuro dividir com minha esposa algumas outras responsabilidades. Acompanho o dia a dia, dou apoio, sou parceiro nas noites em claro, idas ao pediatra, momentos de amamentação”, comenta.


Bebê à vista

O funcionário público Fernando da Silva  está prestes a viver esse misto de emoção e “sacrifícios” que cerca a função paterna. Sua esposa Layza está grávida de seis meses de Luiz Guilherme.

Para ele ser pai - e pela primeira vez - traz  consigo a responsabilidade de  planejar com mais consciência o futuro. “Fiquei mais maduro. Busquei a  estabilidade no trabalho e adquiri outras  responsabilidade em casa”, conta.

Fernando também já se preocupa com a educação do primogênito . “O filho é o reflexo do pai. E nesse mundo onde a Internet tem substituído as brincadeiras sociais, penso que minha responsabilidade fica  bem maior com o que ele aprenderá. Vou apostar na melhor educação e buscar conselhos com os mais experientes, como meus pais e meus sogros”, planeja Fernando.

Receita do sucesso

Se os pais entrevistados pela reportagem tivessem que passar por um teste para avaliar seu comportamento como pais de primeira viagem seriam aprovados com louvor.

Os três praticam os conselhos dados pela   renomada terapeuta e apresentadora de TV Ana Canosa, que em  entrevista por telefone ao Vida & Estilo direto de São Paulo,  dá outras dicas.

“Os futuros papais precisam entender que mesmo que não sintam a necessidade,  têm que ir se afastando gradualmente, ainda durante a gravidez, do seu status social e profissional para  auxiliar a esposa e se dedicar mais ao bebê. É o momento em que a mulher mais precisa do marido por perto”, comenta a terapeuta dizendo que esse apoio também se reflete em ajudar nas tarefas do lar.

Vida sexual

Ainda segundo Canosa, os primeiros três meses após a chegada do bebê, precisam ser de abstinência sexual. “Tem que dar um tempo para essa mulher retomar seu status feminino que se perdeu com as mudanças ocorridas durante a gravidez”.

O apoio emocional e a presença do pai por perto também diminuem qualquer fantasia de traição que a mulher possa ter nesse período. “Se não dá pra transar, fica junto”, aconselha.

Paternidade com o tempo

O amor é um sentimento construído e vai se fortalecendo durante o tempo. Segundo Canosa, a  mãe ama o bebê desde a barriga. E quando nasce passa a amar cinco vezes mais. Já o amor paterno demora para acontecer. A terapeuta destaca algo importante.

“Quanto mais o  pai fizer ‘o trabalho sujo’ - trocar a fralda, dar mamadeira, ficar com a criança enquanto a mãe sai - mais rapidamente seu amor paternal aflorará. Amar a família e proteger a criança, dão energia e colorido à vida”,  ressalta Ana. “Às vezes vai ser muito chato mesmo. Porém ao mesmo tempo o homem vai aprender a ser generoso e a cuidar dos outros. A criança ensina muito a gente”, encerra.