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Palmeiras 'são condenadas' pela má gestão em Manaus

Favoritas na arborização na capital há oito anos, árvores não ‘vingaram’ porque foram plantadas em locais inadequados, diz ecólogo 25/08/2012 às 12:20
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Ao longo do canteiro central da avenida Max Teixeira, as palmeiras tentam resistir ao tempo e às condições do plantio
Carolina Silva Manaus

As palmeiras imperiais, que já foram consideradas “rainhas” do paisagismo urbano, em Manaus, aos poucos foram ficando esquecidas nos espaços públicos e menos visíveis pela população. Usadas na rearborização de avenidas como a Djalma Batista, na Zona Centro-Sul, Max Teixeira, na Zona Norte, e Grande Circular, na Zona Leste, durante a gestão do ex-prefeito e atual senador Alfredo Nascimento, em 2004, elas custaram até R$ 200 mil aos cofres públicos e, oito anos e muitas críticas depois, se tornaram raras. 

O ecólogo Willys Silva explica que as palmeiras imperiais,  originárias da Ásia tropical, onde o clima é semelhante ao da região amazônica, foram usadas de maneira incorreta para arborizar a cidade, o que provocou o ‘sumiço’ delas. “As mudas foram plantadas em espaços pequenos, nos canteiros centrais de vias movimentadas. Elas deveriam ter sido plantadas em espaços públicos maiores, como em praças”, disse o especialista.

Segundo ele, as palmeiras podem atingir 15 metros de altura em dez anos, mas as que foram plantadas na avenida Djalma Batista, por exemplo, não passaram de cinco metros por causa do ambiente hostil ao seu desenvolvimento. “O clima da Ásia tropical é parecido com o da nossa região, por isso, o não sucesso delas no paisagismo urbano deve-se mais ao fato de não terem espaço para crescer como deveriam. As folhas delas podem pesar cinco quilos, e isso não é adequado para vias com tráfego de veículos”, completou Willys Silva.

Erro de planejamento

Das 120 unidades que existiam na avenida Djalma Batista, 98 delas ficaram atrofiadas e seis morreram. Todas foram retiradas em 2010. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) reconheceu que a retirada das palmeiras foi uma estratégia de correção de um erro técnico provodado pela falta de planejamento no plantio de árvores daquele porte em canteiros centrais.

Mas, na avenida Max Teixeira, Zona Norte, ao longo do canteiro central, as palmeiras imperiais tentam resistir ao tempo e às condições em que foram plantadas. “É  lamentável que essas espécies tão bonitas tenham perdido visibilidade na cidade. Elas se destacam em meio a uma cidade cinzenta”, conta o comerciante Joaquim Monteiro, 49.

O espaço público em que as palmeiras imperiais ainda encontram mais ‘conforto’ para se desenvolverem é no complexo de lazer da Ponta Negra. Árvores que chegam alcançar 15 metros de altura ajudam a compor o paisagismo do local.