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Peixarias tradicionais resistem ao tempo e fisgam clientes fiéis

Proprietários do Canto da Peixada, Peixaria Bom Gosto, Gabinete do Jokka e Panela Cheia são “doutores” na arte de fazer uma boa receita de peixe genuinamente cabocla, administrar os negócios, conquistar e manter clientes 13/01/2012 às 10:48
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A peixaria do Jokka é uma das mais tradicionais e ainda tem vista para o rio Negro
Daniela Tipiti Manaus

Definitivamente eles sabem vender o peixe deles. Afinal, num País de economia instável, numa cidade em que o público é inconstante, onde a toda hora novos restaurantes são abertos, enquanto outros fecham suas portas, resistir – com a casa cheia e mantendo a qualidade do serviço – é um desafio que poucos conquistam.

Aldenor Lima, João Fernandes, Jokka Loureiro, Arnoud da Silva e Sandro Miyachi, respectivamente proprietários do Canto da Peixada, Peixaria Bom Gosto, Gabinete do Jokka e Panela Cheia são “doutores” na lição de fazer uma boa receita de peixe genuinamente cabocla (aquela que tem o gosto de comida caseira feita pela vovó) administrar os negócios, conquistar e manter clientes.

Tradição

Há 37 anos localizado na esquina da rua Emílio Moreira com a avenida Airão, na Praça 14, o Canto da Peixada já serviu sua especialidade – a costela de tambaqui assada ou frita – para ministros, governadores, empresários, turistas e, principalmente, apreciadores da cozinha regional, como o casal Ricardo e Fátima Turenko, que frequenta a casa há mais de 30 anos.

“Peixe é bom com limão, sal e pimenta. Receitas muito elaboradas com outros ingredientes não funcionam tão bem quanto a tradicional”, opinou o engenheiro químico Turenko.

De pai para filho

A Peixaria Bom Gosto está há 19 anos na avenida Bispo Pedro Massa, 15, no núcleo 5 da Cidade Nova, e funciona todo dia das 11h às 23h. Quem começou tudo foi Silvino Fernandes em 1993, mas por motivos de saúde o idealizador das receitas que conquistaram o paladar do público teve de se aposentar e seus filhos, João e Lucas Fernandes, assumiram as rédeas do negócio e conservaram a receita do sucesso.

“Aqui se consome 1 tonelada de tambaqui por semana. Os pratos mais pedidos são à base deste peixe: filé ao molho de alcaparras e a tradicional caldeirada de filé de tambaqui”, explicou Fernandes.

Outra família que manteve o empreendimento aberto pelo pai é a dos Miyachis, que há 24 anos administra o Panela Cheia.

O restaurante fica na própria casa da família, situada na rua Washington Luís, 292, no Dom Pedro I, e isso só ratifica a proposta de vender uma boa culinária amazônica com pinta e gosto de feita em casa.

“Temos clientes que nos acompanham há anos, desde quando o meu pai, que é falecido, administrava o restaurante. Atribuo isso ao fato de só trabalharmos com peixe de rio e não de viveiro”, comentou Miyachi.

Sem frescura

À primeira vista, Jokka pode parecer rude e ignorante, mas, passado o susto inicial, se entende que o comportamento do dono do Gabiente do Jokka é apenas aquele peculiar humor irônico que, às vezes, beira o deboche do típico caboclo.

Dono de uma vista privilegiada do rio Negro, ele também só serve peixe fresco e frito e não tolera frescura. “Estou aqui há 25 anos e não faço propaganda. Todo dia tenho vários clientes e trato todos do mesmo jeito. Aqui já vieram prefeitos, deputado e, pra mim, são clientes normais”, avisa o Jokka.

O restaurante tem horário rígido. Funciona de 11h às 14h30 e não aceita cheques, cartão e nem desaforo de clientes. Numa das paredes do estabelecimento está escrito: “Se queres tratamento especial vá para uma casa de massagem ou o Tropical Hotel”.

No Centro

Outro lugar que há 38 anos caiu no gosto do público é o Galo Carijó. Localizado na rua dos Andradas ,536, esquina com a rua Pedro Botelho, o restaurante só vende peixe frito e o carro chefe é o jaraqui.

“Meu pai, Alfredo da Silva Neto, abriu esse restaurante aqui incentivado por amigos que trabalhavam no centro e não tinham uma boa opção de lugar para comer”, relembrou Arnoud da Silva, que ajuda a mãe Maria Antonieta da Silva a gerenciar o lugar.