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Cotidiano
PERIGO NO PRATO

Saiba quais os alimentos e bebidas podem oferecer riscos durante a gravidez

Especialista em segurança alimentar lista alguns dos alimentos consumidos no dia a dia que podem oferecer riscos de infecção às gestantes 30/07/2017 às 18:35
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Frutas, verduras e legumes devem ser higienizados em solução de hipoclorito de sódio antes de serem consumidos. Após lavar os alimentos, coloque-os em uma solução (1 col sopa para 1 litro) por 15 min e enxague em seguida. (Fotos: Divulgação)
Lucy Rodrigues Manaus (AM)

A gravidez é um período singular na vida de uma mulher. Com o corpo se preparando para gerar um novo ser, há uma série de transformações, sobretudo no sistema imunológico, que fica mais vulnerável a infecções. Nessa fase, os cuidados com a alimentação e preparação dos alimentos devem serredobrados.

Grávida pela segunda vez, agora de um menino, a chef de cozinha Elisângella Valle conta as adaptações que teve que fazer na dieta. “Adorava comer carne mal passada, sushis e ovos mexidos, mas por trabalhar com cozinha e já ter uma filha, conhecia a maioria dessas orientações e tratei logo de cortar carnes, queijos e ovos mal passados ou crus. Sempre tomamos muito cuidado e observamos validade e procedência de todos os alimentos. Também cortei doces, sal, conservantes e afins. Minha alimentação está bem mais equilibrada”, conta.

Especialista em segurança alimentar, consultora e professora na área, a nutricionista Ellen Nestori Silveira também está no segundo semestre de gestação e conhece como ninguém o risco que o consumo de certos alimentos oferece às grávidas. “A alimentação da gestante tem influência sobre a saúde do bebê, o que exige da mãe uma adaptação alimentar nessa fase. Muito se fala sobre os alimentos recomendados para o bom desenvolvimento do bebê, contudo, a maioria das grávidas desconhece os riscos de ter contato com alimentos manipulados sem higiene. Para qualquer indivíduo, uma infecção alimentar é preocupante, mas em grupos de risco como idosos, crianças e gestantes, a preocupação é dobrada!”, alerta.

Ela reuniu alimentos muito consumidos no dia a dia que podem deixar a mulher grávida suscetível a infecções ou merecem cautela no consumo. Confira:

PEIXES CRUS, MARISCOS E CRUSTÁCEOS

Há uma tendência cada vez maior em consumir peixes crus em preparações como sushis, temakis e afins. O parasita da espécie Diphyllobothriumlatum (conhecido como tênia do peixe) pode estar presente no alimento e causar a doença Difilobotriase, que pode ser assintomática ou produzir sintomas como dor abdominal, diarreia, emagrecimento e anemia por carência de vitamina B12. Para matar o parasita, é necessário um procedimento de congelamento especial, que infelizmente a maioria dos estabelecimentos não segue. Já os mariscos e crustáceos (ostras, caranguejo, camarão) são extremamente perecíveis e requerem especial atenção quanto a procedência, validade e armazenamento. Evite consumí-los nessa fase.

MERCÚRIO DOS PEIXES

Alguns tipos de peixe, como atum, robalo, badejo e cação costumam ser ricos em mercúrio. O mineral em excesso pode levar a danos neurológicos no feto. Por seguran- ça, o ideal seria consumir no máximo dois filés médios dessas variedades de peixe por semana.

 

LEITE, QUEIJOS E IOGURTES NÃO PASTEURIZADOS

O leite cru pode ter bactérias muito perigosas à saúde da gestante como por exemplo a Listeriamonocytogenes, causadora da doença Listeriose, que pode provocar aborto e parto prematuro. A recomendação é consumir somente leite e iogurtes que tenham passado pelo processo de pasteurização, onde o leite é aquecido em alta temperatura para garantir que as bacté- rias sejam exterminadas. Sabemos que nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, há um grande consumo de queijos produzidos de forma artesanal (com leite cru) comercializados em feiras livres, principalmente o queijo coalho. Não há necessidade de excluir o queijo da dieta, contudo, deve-se consumir somente àqueles com selo de inspeção municipal, estadual ou federal (S.I.M, S.I.E ou S.I.F) comercializados em supermercados.

CARNES CRUAS OU MAL PASSADAS

As carnes (bovinas, de porcos e aves) devem ser bem cozidas, pois podem conter a bactéria Salmonela ou mesmo o protozoárioToxoplasma gondii, causador da doença toxoplasmose. Essa doença pode atravessar a barreira da placenta e afetar a forma- ção do feto. A criança pode ter prejuízos importantes da visão, e não é incomum levar a um abortamento espontâneo no primeiro trimestre de gestação.

OVO CRU

Os ovos podem ter a bactéria Salmonela (assim como frangos crus), causadora da doença Salmonelose. A salmonelose na grávida pode se apresentar não somente causando um problema intestinal, a gestante podeterbacteremia(presençadebactérianosangue),oque facilita a entradadabactéria emdiferentesórgãos e sistemas,ouseja,podeatravessaraplacentaelevaràmortedo feto. Deve-se excluir da dieta alimentos que contém ovo cru(maionesecaseira,mousses,macarrãocarbonara).

CAFEÍNA

A Organização Mundial de Saúde recomenda que a ingestão de cafeína na gravidez seja de até 300 mg/dia,queequivaleaté três xícaras de café fraco.A cafeína tem efeito estimulante, o que pode diminuir a circulação sanguínea no útero, prejudicando o desenvolvimento fetal, levandoa nascimentoprematuro oubaixopesodobebê.Acafeína não é proibida, porém deve ser consumida com cautela,enãoésóocaféque possui cafeína, chocolate,refrigerantes a base de cola, chás mate e preto, também tem altos teores decafeína.

ADOÇANTE

O uso de adoçantes durante a gestação deve ser reservado para gestantes que precisam controlar o seu ganho de peso e para as diabéticas. Muitos estudos sugerem que a gestante deve dar preferência ao aspartame, sucralose, acessulfame-K e a estévia. Há muita controvérsia sobre o uso de adoçantes na gravidez e somente seu mé- dico e/ou nutricionista poderá orientar a quantidade permitida e segura para o seu caso.

BEBIDAS ALCOÓLICAS As bebidas alcoólicas são proibidas durante toda a gestação. Mesmo a ingestão de pequenas quantidades pode provocar sérios problemas na formação do bebê, como altera- ções de desenvolvimento neurológico, baixo peso ao nascimento, perda de visão e parto prematuro.

 

PERFIL

ELLEN NESTORI SILVEIRA Nutricionista formada pela Universidade Metodista de Piracicaba/SP em 2004 e pós graduada em Gestão da Segurança de Alimentos. Proprietária da Elementar Segurança de Alimentos, atua no mercado de foodsafety, tendo elaborado documentos de gestão de serviços de alimentação, realizando auditorias, consultorias e assessoria em Segurança de Alimentos em diversos estabelecimentos alimentí- cios e instituições privadas de ensino. Qualificada em implantação ABNT NBR 15635:2015. Atua ainda como docente na Faculdade Metropolitana de Manaus – FAMETRO – onde ministra Higiene e Legisla- ção de Alimentos para o curso de Nutrição, e Segurança Alimentar para o curso de Gastronomia.