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Cotidiano
Pesquisa Fumantes

Pesquisa aponta redução no número de fumantes em Manaus

Dados  de uma Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde apontam que percentual de fumantes em Manaus está abaixo da média nacional 04/01/2012 às 07:32
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A coordenadora do programa municipal de combate ao tabagismo, a enfermeira Marlene Lessa de Souza,a com o monoxímetro
Júlio Pedrosa Manaus

Manaus vem registrando uma queda no número de fumantes de acordo com a Pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizada pelo Ministério da Saúde. Anualmente, um universo de 2 mil entrevistados é ouvido nas capitais brasileiras.

A pesquisa é aplicada onde já existem implantados programas municipais de controle do tabagismo. Manaus passou a contar com o programa em 2008, quando o percentual de fumantes na cidade era de 13,4%. Hoje, esse índice jjá se encontra em 11,8%, bem abaixo da média nacional que é de 15,4%.

 De acordo com o secretário municipal de Saúde, Francisco Deodato, essa redução vem acompanhando a ampliação e a qualificação gradativa do Programa Municipal de Controle do Tabagismo, que hoje conta com uma rede de 11 ambulatórios para tratamento de fumantes na cidade. “Quando assumimos o programa, havia uma fila de espera de mais de 300 pessoas e apenas um ambulatório”, afirma. O serviço hoje dispõe de equipe multidisciplinar, formada por especialistas, e equipada para auxiliar as pessoas que desejam parar de fumar.

 Ampliação

 A intenção da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) é aumentar para 16 o número de ambulatórios na cidade em 2012.

A coordenadora do programa, a enfermeira Marlene Lessa de Souza, explica que desde 1996 o Ministério da Saúde trabalha no sentido de desenvolver ações de prevenção, controle e tratamento do tabagismo, mas foi somente a partir de 2001, quando o Instituto Nacional do Câncer (Inca) lançou um consenso de abordagem de tratamento do fumante, que o Governo Federal lançou o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, passando a orientar os estados e municípios a desenvolverem ações locais.

 Marlene explica que o principal fator no trabalho de controle é a sensibilização do fumante. “As ações de controle são colocadas à disposição do dependente, mas é fundamental que ele faça a adesão ao tratamento e queira realmente parar de fumar”, explica ela.

 Tratamento

 O tratamento ocorre em dois meses e o paciente é acompanhado por um período de um ano. Ao chegar no ambulatório, o fumante responde ao Questionário de Fagerstron, por meio do qual é possível dimensionar o grau de dependência dele à nicotina (se física, psíquica e comportamental).

 Em seguida, ele é encaminhado ao médico, que o submete a um exame clínico normal e ao teste da dosagem de monóxido de Carbono, por meio do monoxímetro, conhecido como o “bafômetro do cigarro”, onde é dosada a quantidade de monóxido de Carbono no sistema respiratório do paciente. “Basta ser fumante, não precisa nem ser dependente. O aparelho mede qual é o grau de contaminação que se tem no organismo”, explica a enfermeira, ressaltando que todos os ambulatórios possuem monoxímetro.

 Na sequência, é feito o teste de espirometria, que vai diagnosticar precocemente a ocorrência de doenças pulmonares relacionadas ao cigarro, a exemplo de bronquite crônica, enfizema pulmonar e a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). “O diagnóstico precoce já permite que o dependente seja submetido a um tratamento para essas doenças”, afirma Marlene. Paralelamente, o paciente começa a participar de reuniões em grupos de dez a 15 pessoas, lideradas por um terapeuta/psicólogo, em quatro sessões mensais.

 Tratamento e prevenção

Os principais sintomas da abstinência da nicotina são ansiedade, insônia, tontura, dor de cabeça e depressão. Para vencer esses problemas gerados pela ausência da substância no organismos muitas vezes é prescrito pelos médicos a aplicação de nicotina em adesivos. Considerados medicação, os adesivos são fornecidos gratuitamente para os pacientes nos ambulatórios.

De acordo com Marlene Lessa, o trabalho vem gradativamente surtindo o efeito esperado, com um número maior de fumantes aderindo ao programa a cada ano. Em 2008, foram 43 pessoas atendidas. No ano seguinte, 153. Em 2010, 355, e, até setembro deste ano, o número de fumantes chegava a 434.

Desde 2009, são realizadas campanhas de divulgação que visam sensibilizar a população. Aliado a isso, é feito também o trabalho de fiscalização, visando o cumprimento da Lei Estadual 1.634, de 29 de agosto de 2009, que proíbe o uso de cigarros em ambientes coletivos.

 “A lei acabou fortalecendo nosso trabalho e fazemos também blitze em restaurantes a partir de denúncias feitas pelo 0800-092-0123”, explica Marlene. O estabelecimento que permitir a prática pode ser multado em até R$ 50 mil .

Em datas comemorativas, como o Dia Nacional de Combate ao Tabagismo (29 de agosto) e Dia Mundial Sem Tabaco (31 de maio), são realizadas ações públicas, com o uso do monoxímetro. Pais fumantes muitas vezes se surpreendem quando o resultado do exame feito nos filhos apresenta nível de contaminação, por conta do chamado tabagismo passivo.