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Pesquisa revela que profissionais de educação física são os mais felizes com seu trabalho

74% dos mestres da disciplina estão “muito satisfeitos” com a carreira que escolheram no magistério 08/06/2012 às 07:37
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Os professores de Educação Física João Campos e José Bandeirantes, de Manaus, integram a área do magistério onde estão os profissionais “mais satisfeitos”
ana celia ossame Manaus

Há 30 anos ministrando aulas de Educação Física, os professores José Bandeirante Sombra de Moura, 57, e João Ferreira Campos, 52, formam um quadro diferenciado no magistério brasileiro. Conforme pesquisa divulgada recentemente pelo Ibope, 74% dos professores dessa disciplina no País declararam-se “muito satisfeitos” com o trabalho e atribuíram nota 8,2 para o que fazem.

A pesquisa envolveu 458 escolas municipais, estaduais e federais e ocorreu entre outubro e novembro de 2011, a pedido do Instituto Votorantim, da ONG Atletas pela Cidadania e do Instituto Ayrton Senna.

A proposta era investigar a disciplina que ainda carrega o estigma de ser voltada primordialmente para a prática esportiva, sem maiores contribuições para a vida escolar e futura do aluno. Em Manaus, tanto professores quanto alunos reforçam a satisfação com a disciplina, elogiando as atividades que contam com aulas teóricas e práticas com jogos e atividades físicas.

“Gosto muito do meu trabalho” , disse José Bandeirante, mesma opinião de Campos. Pelo lado dos alunos, a recíproca é verdadeira. “Eu adoro os tempos dessa aula” , contou a estudante Kelly Lima, 12, do 7º ano da Escola Municipal Joaquim Gonzaga Pinheiro, na Vila da Prata, Zona Centro-Oeste.

Outro dado revelado pela pesquisa foi de que para 21% dos ouvidos, a disciplina não tem sido tão valorizada quanto às demais, fato expressado também no alto índice dos que reclamam que os alunos “faltam muito”: 41%. Mas essa realidade não se confirma nas escolas municipais porque, segundo os professores, as atividades acontecem no mesmo período das disciplinas teóricas, logo, não há ausências.

“Só aqueles que têm algum problema de saúde e trazem atestado médico não participam das aulas práticas, somente das teóricas”, disse João Campos, que atribui a frequência grande às aulas aos resultados dos conteúdos da disciplina.

“Começamos com alongamentos, depois com ações bastante movimentadas, que chamamos de explosão, com movimentos mais rígidos para em seguida voltarmos à calmaria”, relatou ele. Bandeirante diz que os professores conseguem mobilizar os alunos e envolvê-los em atividades saudáveis, com excelentes resultados.

O aluno Klayton Moraes, 15, aluno do 8º ano, que gosta de jogar bola e não perde a oportunidade de participar dos eventos esportivos. “Garanto boas defesas”, diz, enquanto Nayandra Miranda, 14, também aluna do 8º ano, prefere os jogos de queimada, nos quais aproveita para gastar energia. “É sempre divertido, se tivesse mais aulas, mais eu participaria”, diz.

Os jogos são parte importante da atividade e incluem futebol, futsal, vôlei e queimada, este o preferido das meninas, revela Bandeirante, citando os campeonatos organizados que fazem a alegria dos meninos e meninas.

Entusiasmo é a marca da atividade

Na rede estadual, a situação de entusiasmo com a disciplina é semelhante. O professor de Educação Física Joel Soldera, coordenador de Educação Física da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), revela que a disciplina é oferecida regularmente aos alunos desde o 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio, sendo que os do 6º Ao 9º têm duas aulas cada turma.

Segundo ele, todos os alunos, inclusive aqueles que apresentam deficiência física são obrigados a participar. Para cumprir a carga horária, o professor trabalha com os alunos na quadra e o restante das aulas faz atividades de desporto, ou seja, prepara equipes de vôlei, basquele, atletismo e outras modalidades.

Pelas contas dele, cada 100 alunos, 98 participam das atividades de educação física, dada a diversidade da prática. A bola é o instrumento mais usado nas atividades, mas alguns professores trabalham dança, artes, lutas marciais etc.

“Temos um leque grande de modalidades que podem ser trabalhados na educação física, por isso há motivação dos professores e alunos”, disse ele, lembrando que isso contraria totalmente a forma tradicional como era feita há duas ou três décadas, quando o objetivo era cansar o aluno.

Soldera revela a existência de um déficit de 27% de quadras nas escolas da rede, mas afirma que 75% das quadras existentes são espaços cobertos e amplos. Na falta de quadras, as escolas usam espaços das comunidades como campos e quadras e naqueles em que não existe como ter esses espaços, a unidade trabalha com jogos como xadrez, jogos de rua e danças.

Exercícios
O número de aulas da disciplina Educação Física depende dos níveis de ensino. Durante o Fundamental I, é feita, em média, 1,9 aula por semana; no Fundamental II, o número sobe para 2,2 aulas semanais, mas cai no Ensino Médio para 1,7 aula. No nível superior, a pratica fica restrita a uma ou duas disciplinas nos períodos iniciais.

94% dos profissionais que atuam nas aulas de Educação Física têm alto índice de escolaridade, sendo 94% com curso superior e 44% com pós-graduação ou especialização, revelou a pesquisa  do Instituto Votorantim, da ONG Atletas pela Cidadania e do Instituto Ayrton Senna. Os professores que disseram não ter curso superior (6%), trabalham na Zona Rural.