Publicidade
Cotidiano
Notícias

Pesquisadores desenvolvem tecnologia como alternativa para BRT e monotrilho, no AM

Embora nenhum dos dois tenha saído do papel até hoje, novos projetos com o intuito de modernizar o deslocamento continuam sendo desenvolvidos 21/01/2016 às 09:26
Show 1
A tecnologia, inspirada no conceito dos dirigíveis, é uma espécie de ônibus que “flutua” por conta da presença de gás hélio estando ligado a trilhos
oswaldo neto Manaus (AM)

Uma proposta futurista que alia a tecnologia de diversos modais pode apresentar grande contribuição no problema de mobilidade urbana da capital. Esse caminho vem sobre trilhos e chama-se Star-D. Em fase avançada de testes, a criação é comandada por três pesquisadores do Amazonas, mas esbarra no obstáculo da falta de incentivo do Poder Publico, que alega falta de demanda e de recursos.

Antes da Copa do Mundo de 2014, dois projetos entraram em discussão no campo politico para serem realizados em Manaus: o Bus Rapyd Transit (BRT) e o monotrilho. Embora nenhum dos dois tenha saído do papel até hoje, novos projetos com o intuito de modernizar o deslocamento em Manaus continuaram sendo desenvolvidos.

A mais recente já foi patenteado e é o Star-D. A tecnologia, inspirada no conceito dos dirigíveis, é uma espécie de ônibus que “flutua” por conta da presença de gás hélio estando ligado a trilhos. O movimento é gerado por turbinas propulsoras. Com capacidade para aproximadamente 400 passageiros, o mecanismo teve seu primeiro protótipo fabricado recentemente pelos engenheiros Olavo Tapajós, Antônio Leão e Luiz Cláudio Alencar.

Segundo Leão, os estudos acerca do que promete ser a solução para a mobilidade urbana iniciaram em 2009, a partir de uma pesquisa conduzida por ele sobre economia em transporte de cargas no Estado. Após se aprofundar no assunto dos dirigíveis, direcionou o seu trabalho para as mazelas do transporte público manauara, nascendo  então a ideia de criar um modal voltado especialmente para pessoas.

Na visão do engenheiro, ideias como o monotrilho e BRT já se tornaram obsoletas. “Ele não é uma estrutura pesada que temos visto em outros modais, como o monotrilho e o BRT, que é uma estrutura que tomaria conta da cidade e já se tornou obsoleta. O Star-D é uma estrutura esbelta, ecológica, acima dos obstáculos naturais e tem toda facilidade pra não exigir muito custo e dificuldade para implantação”, afirmou Leão.

Vantagens

O montante para implantar um quilômetro de Star-D acrescido de um ônibus para 400 pessoas varia de US$ 20 a US$ 40 milhões. O valor, segundo os pesquisadores, é muito próximo do sistema BRT defendido pelo prefeito Artur Neto no lançamento do plano. Embora o sistema não gere economia imediata, os engenheiros garantem que o transporte ofereceria outras vantagens ao ser comparado com o BRT.

“O processo de implantação dele é mais rápido porque o número de desapropriações diminui sensivelmente, porque ele está em cima, passando os obstáculos naturais, o BRT está embaixo. O tempo de execução, obviamente, dependeria do interesse do Governo”, explicou o engenheiro Olavo Tapajós.

Além disso, Tapajós pontua que, nos estudos da equipe, foi constatado que o Star-D poderia dobrar a quantidade de passageiros do BRT. Ele apontou que, em termos de capacidade, o BRT se propõe a levar até 30 mil passageiros por hora. Enquanto isso, o Star-D levaria de 20 mil até 60 mil pessoas caso o numero de modulados fosse aumentado, ou seja, o dobro por hora.

(Protótipo do Star-D, que é movido a gás hélio e ‘flutua’, mas ligado a trilhos. Foto: Márcio Silva)

“Vias com canteiros centrais, como a Djalma Batista e Constantino Nery, receberiam com facilidade o trajeto. Estamos trazendo para o Amazonas e para o mundo, sem nenhuma arrogância e prepotência, uma solução que, se for bem entendida, sai da Amazônia e resolve um problema de grande parte da população”.

Fabricantes

Conforme a equipe de engenheiros amazonenses, o Brasil possui uma fabricante de dirigíveis localizada no município de São Carlos, em São Paulo, composta por 40 engenheiros da USP. Segundo eles, a existência de uma fabricante nacional tornaria mais fácil a implantação do Star-D.

‘Não temos recursos’

Embora o prefeito Artur Neto (PSDB) tenha descartado a possibilidade do novo modal da cidade ser ligado a trilhos, pois conforme ele disse na solenidade de abertura do Plano de Mobilidade, “é coisa para a Disneylândia”, o superintendente da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho, afirma que nenhum projeto foi rejeitado por não ter sido incluído no plano vigente, já que ele deve ser revisto a cada cinco anos. 

Carvalho reconhece que qualquer mecanismo parecido com o Star-D carrega um enorme grau de dificuldade, onde seria preciso, no mínimo, uma década para ser implantado. “As tecnologias sempre vão estar surgindo e estamos abertos à discussão. Eu li sobre ele (Star-D) vagamente, não conheço detalhes. O que posso afirmar é que nenhum projeto foi descartado do plano, pois a cada cinco anos ele vai ser revisto por nós”, explicou o superintendente da SMTU.

Ele justifica ainda que, apesar da ideia ter vantagens, a capital ainda não possui demanda  de passageiros e recursos para lançar um modal do tipo. “Cidades mais ricas poderiam subsidiar. Quando a gente busca uma tecnologia, não é só fazer o projeto, mas pensar na sustentabilidade, funcionabilidade e manutenção. A tecnologia depende muito da capacidade financeira da cidade de investir”.

Blog, Olavo Tapajós, Engenheiro

“Eu morei  em Manaus na década de 80 e, naquela época, tinha no máximo 300 mil habitantes.  De lá pra cá essa cidade, se for pegar dados, foi a que mais explodiu no Brasil em termos de veículos, ônibus e habitantes. Então observe que essa explosão geométrica ocorreu sem diretrizes políticas para que pudesse planejar a cidade de Manaus. Não houve planejamento. Vai ter um evento na Arena da Amazônia, a cidade trava. Caiu uma carreta com contêiner na Paraíba, a cidade trava. Manaus recebe cerca de 3 mil a 4 mil novos veículos licenciados por mês. O grande benefício do projeto é tentar atenuar, mitigar, diminuir um problema crônico dessa explosão que ocorreu na cidade de Manaus. Se nós não apostarmos em projetos inovadores, que fogem da caixinha clássica de se repetir aquilo que todo mundo se repete, que o BRT é a melhor solução, por exemplo, o problema vai continuar”.

Frente a Frente

Engenheiro

Antônio Leão, “Cidade não foi preparada”

“A cidade de Manaus não foi preparada para receber mobilidade urbana. O mais simples que foi tentado implantar, a faixa azul, é cheio de críticas, problemas e não funciona bem, no entanto, apesar do sistema ser bem avançado, ele não tem problema nenhum porque não precisa de rua. Ele pode cortar para onde quiser porque vai sair no trilho através de uma estrutura metálica tubular que pode usar em qualquer trecho da cidade, além de atingir qualquer ponto onde os demais não chegam. O sonho de todo passageiro é andar em metrô. Quando você compara as características do Star-D com outros modelos, você vê que não é porque o modelo está sendo proposto por nós que é melhor, mas sim porque ele é um veículo que consegue ganhar em todos os pontos”  

Superintendente da SMTU

Pedro Carvalho, “Em função da demanda”

O BRT é muito versátil e o prazo de construção é rápido. A tendência é definir qualquer tecnologia em função da demanda. A cidade não tem demanda para ter metrô atualmente. A Constantino Nery é o maior corredor de ônibus de Manaus. São 14 mil passageiros por hora, ou seja, pouca demanda para investir em algo do tipo. Isso não quer dizer que não possa implantar, mas dependeria da capacidade da cidade de investir nisso. Outro ponto é que, quando eu penso no metrô, eu não posso fazer linha apenas na Constantino Nery. Isso não resolveria o problema de mobilidade da cidade. Paris, por exemplo,  tem metrô pra tudo quanto é lado. Tenho que pensar num complexo de linha que atenda a cidade como um todo, e não apenas num ponto específico”.