Publicidade
Cotidiano
NOTÍCIAS FALSAS

Polícia Federal ganha reforço do FBI para combate de 'fake news' a partir de fevereiro

Instituições como PF, TSE e PGR iniciam ofensiva contra a disseminação de notícias falsas em aplicativos de mensagens e nas redes sociais 21/01/2018 às 08:46 - Atualizado em 22/01/2018 às 16:34
Show fbi
Uma equipe do FBI ajudará a PF na montagem de um modelo de combate às fake news (Foto: Reprodução Internet)
Camila Pereira Manaus (AM)

As autoridades fecharam o cerco contra as “fake news” (textos falsos disseminados como notícias verdadeiras em redes sociais) e têm adotado mecanismo de punição para quem divulga as informações falsas. A atenção deverá ser redobrada, já que neste ano acontecem eleições gerais. Tanto que uma equipe especializada do FBI chegará ao Brasil, em fevereiro, para ajudar a Polícia Federal neste combate.

 No início deste mês, a PF anunciou em Brasília a formação de um grupo de trabalho para tentar frear a divulgação de notícias falsas. A equipe será composta também por técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da Procuradoria Geral da República (PGR). Já em fevereiro, uma equipe do FBI ajudará a PF na montagem de um modelo de combate às fake news, com um conjunto de normas com punições em relação à disseminação de informações falsas.

Mesmo sem ainda ter uma legislação específica, alguns casos já começam a ser resolvidos. No Espírito Santo, por exemplo, um empresário foi indiciado por espalhar, em 2014, uma pesquisa eleitoral falsa na internet.  O inquérito foi fechado em 5 de julho de 2017. Agora, cabe ao Ministério Público Eleitoral (MPE) oferecer ou não denúncia contra o empresário.

Amazonas

O titular da Delegacia Interativa (DI), delegado Gesson Aguiar, informou que, dependendo do contexto da prática criminosa, a disseminação de notícias falsas pode ser qualificada como injúria, calúnia, constrangimento ilegal ou até identidade falsa, quando uma pessoa cria um perfil falso para realizar as publicações. Conforme o Código Penal (CP), os infratores poderão ser submetidos a penas de reclusão e multas.

Denúncias podem ser realizadas por meio do site da DI: https://www.delegaciainterativa.am.gov.br/ ou na unidade policial, nas dependências da Delegacia Geral, no bairro Dom Pedro, zona centro-oeste.

Casos

Um dos casos recentes foi o do político Sabino Castelo Branco (PTB), que está internado em São Paulo após ter sofrido um AVC hemorrágico em agosto do ano passado. Circulou nas redes sociais falsa notícia sobre a morte do deputado, que foi desmentida pelo filho, o vereador Reizo Castelo Branco (PTB).

Outra informação que circulou nas redes sociais envolveu o deputado estadual Belarmino Lins (Pros). A falsa notícia dava conta de  que ele teria atropelado uma professora durante um protesto em frente à Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), no dia 26 de dezembro, após a votação da Lei Orçamentária. O deputado afirma ter sido alvo de fake news.

Um boletim de ocorrência chegou a ser registrado no 23º Distrito Integrado de Polícia (DIP) sobre o suposto ocorrido. No entanto, a assessoria de comunicação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informou que, no início deste ano, o caso foi arquivado porque a suposta vítima não quis dar andamento.

As pessoas querem ter 'likes'

Para a conselheira da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Angelina Nunes, uma das saídas para fugir das “fake news” é buscar informações de veículos e jornalistas confiáveis.

“Essa onda acontece porque as pessoas, com a exposição nas redes sociais, querem ter likes (curtidas). Querem ser consideradas fontes, referências. Todo mundo se acha jornalista, quando ser jornalista é muito mais que ouvir e repassar. A notícia tem que ser checada, fazer uma apuração rigorosa e só então parte para publicar”, afirmou a conselheira.

 Segundo Nunes, quem está consumindo a informação precisa ficar atento, principalmente, sobre o que é veiculado nas redes sociais. “A rede é excelente. A internet é ótima. Tem muita coisa boa mas tem muito lixo também. É preciso garimpar o tempo todo”, disse. “Existem grupos específicos que ganham para fabricar ‘notícias’”.

Nunes exemplifica que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi eleito com fake news. Assessores espalharam na rede, por exemplo, que o Papa Francisco apoiava o republicano para a presidência. O Vaticano demorou uma semana até desmentir a “notícia”, que já tinha conseguido o impacto necessário.

Jornalistas do Amazonas também foram alvos de 'fake news'

Com os desdobramentos da Operação Maus Caminhos, há cerca de um mês, vários jornalistas de Manaus foram vítimas de uma fake news que circulou em aplicativos de mensagens. A notícia falsa falava de uma suposta delação do ex-secretário Evandro Melo, ressaltando “pagamento de propina” para veículos de comunicação.

O editor-executivo do jornal A CRÍTICA, André Alves, foi um dos citados na notícia falsa. “Ainda que a tal delação existisse, jamais teria conexão com a realidade. A possibilidade de surgir uma mensagem, um áudio, uma ‘câmera escondida’ que comprometa minha ética profissional é zero”, ressaltou. “No caso específico do ex-secretário Evandro Melo, jamais o entrevistei. Nunca tive contato com ele, por qualquer meio, nem com assessores ligados a ele”, completa o jornalista.

A suposta “delação” foi desmentida pelo advogado de Evandro Melo, Francisco Charles. “De fato, é ‘fake news’. Não existe isso da parte do meu cliente”, afirmou, completando que Evandro não fez nem pretende fazer acordo de delação.

O que é fatoA provável origem da notícia falsa com o nome do jornalista de A CRÍTICA é um relatório da PF que aponta supostos pagamentos feitos pelo médico e empresário Mouhamad Moustafa a três blogueiros. Nenhum deles, porém, tem vínculo com a Rede Calderaro de Comunicação.

Obtido pela equipe de reportagem, o relatório da PF cita os blogs do Pávulo, do Hiel Levy e do Zacarias que, segundo mensagens encontradas pela PF nos celulares do médico Moustafa, receberiam de R$ 5 mil R$ 20 mil por mês. Não há qualquer menção a outros jornalistas além dos três citados.

Blog

Belarmino Lins, deputado estadual pelo PROS

 "Recentemente fui vítima de uma “fake news”, postagem falsa, maldosa, que andou circulando nas redes sociais procurando denegrir o meu nome. A postagem foi bastante leviana, semelhante a tantos textos falsos disseminados como notícias verdadeiras em redes sociais e em aplicativos de mensagens. Vale destacar  que tamanhos absurdos já levaram a Polícia Federal a criar um grupo de trabalho conjuntamente com vários órgãos federais para coibir os “fakes” no processo eleitoral marcado para este ano de 2018."

Eleições 2018

O conselho do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) voltado para o combate à disseminação de fake news  vai procurar gigantes da área de tecnologia, para fazer um mapeamento a partir de casos ocorridos em outros países, para  propor medidas no âmbito da Justiça Eleitoral.

6 meses de cadeia

É a pena prevista na legislação brasileira para quem espalha informação falsa.

Publicidade
Publicidade