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Cotidiano
DADOS

Poluição do ar pode ser agravante de até 30% de doenças respiratórias, aponta OMS

Em Manaus, o índice de poluentes é duas vezes maior que o tolerável pela Organização Mundial de Saúde 22/11/2017 às 15:45
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Foto: Evandro Seixas
Silane Souza Manaus (AM)

Entre 20 a 30% de todas as doenças respiratórias podem ser relacionadas à poluição atmosférica. Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) foram apresentados, ontem, pelo representante do Ministério da Saúde, Fábio David Vasconcelos Reis, no “Seminário de Vigilância em Saúde de População Exposta a Poluentes Atmosféricos (Vigiar)”, promovido pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

Fábio Reis ressaltou em sua apresentação que, mesmo abaixo dos padrões de qualidade do ar considerados como seguros, os incrementos nos níveis de poluição atmosférica estão associados com os efeitos nocivos sobre a saúde. E os riscos e os efeitos sobre a saúde não são uniformemente distribuídos na população. Crianças com menos de cinco anos e adultos acima dos 59 anos são os mais afetados.

Para ele, fazer o monitoramento do ar como é feito pelo Vigiar é uma das estratégias para a tomada de decisões relativas à redução de riscos à saúde, pois uma das atividades do programa é produzir boletins epidemiológicos sobre doenças e agravos à saúde decorrentes da exposição aos poluentes atmosféricos de modo a fornecer subsídios para o planejamento e a organização dos serviços de saúde.

A chefe de Vigilância de Água, Solo e Ar da Semsa, Jucilene Galúcio, revelou que um dos objetivos do seminário era esse mesmo: subsidiar a implantação da “Vigilância em Saúde de População Exposta a Poluentes Atmosféricos” em Manaus. “A nossa previsão é que o sistema Vigiar seja implantado em dezembro e as ações e a estratégias comecem a ser desenvolvidas a partir de janeiro de 2018”, afirmou.

De acordo com Jucilene Galúcio, a primeira ação será fazer um diagnóstico da situação de saúde em termos das patologias que ocorrem por conta dos poluentes atmosféricos para saber a relação da poluição com a ocorrência dessas doenças e agravos. “Queremos saber de fato qual é essa contribuição para podermos implementar estratégias de prevenção e promoção da saúde”, destacou.

Ela ressaltou que alguns estudos apontam que a exposição humana, em especial de crianças e idosos, a poluentes atmosféricos pode gerar o agravamento de doenças pré-existentes e/ou o aumento do número de casos de doenças respiratórias, oculares e cardiovasculares. Outros indicam que a poluição atmosférica também é responsável por mortes e internações hospitalares.

Em Manaus, o índice de poluentes presentes no ar é duas vezes maior que o considerado tolerável pela OMS. Conforme relatório divulgado pelo órgão em outubro deste ano, a capital amazonense apresentou média máxima anual de 20 microgramas de material particulado (µg/m3) com diâmetro menor que 2,5 por metro cúbico de ar (PM 2,5). As diretrizes da OMS para a média anual de PM2,5 é de 10 µg/m3.

A subsecretária municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Aldenira Queiroz, disse que a pasta desenvolve várias atividades visando à redução da poluição do ar, como o monitoramento e controle da emissão de poluentes pelos veículos movidos a diesel por meio do Certificado de Registro Cadastral (CRC) e ações de conscientização junto às comunidades, principalmente durante o verão quando ocorrem muitas queimadas.   

Discussões

O “Seminário de Vigilância em Saúde de População Exposta a Poluentes Atmosféricos (Vigiar)” aconteceu ontem, no auditório da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), localizado na avenida Djalma Batista, Zona Centro-Sul, e contou com dois momentos.

O primeiro, pela manhã, abordou a situação dos órgãos públicos, com palestras de profissionais do Ministério da Saúde, Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas).

O segundo, à tarde, abordou sobre as ferramentas tecnológicas para o monitoramento do ar, com palestras de professores da Escola Superior de Tecnologia da UEA e do departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Problemas de curto prazo

- Irritação nas mucosas do nariz e dos olhos; irritação na garganta (com presença de ardor e desconforto); Problemas respiratórios com agravamento de enfisema pulmonar e bronquite;

- Problemas de médio e longo prazo (15 a 30 anos vivendo em locais muito poluídos):

- Desenvolvimento de problemas pulmonares ecardiopatias (doenças do coração); Diminuição da qualidade e expectativa de vida (em até dois anos);