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População critica ação que pede retirada da frase “ Deus Seja Louvado” das cédulas do real

A expressão está estampada há 26 anos na parte inferior esquerda de todas as cédulas do real e vem sendo questionada na ação que aponta a frase como privilégio de uma religião em detrimento de outras. Leitores, em sua maioria, discordam 17/11/2012 às 09:15
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Notas deverão sofrer alteração caso a ação do Ministério Público Federal seja aceita
Bruna Souza e Eloisa Vasconcelos Manaus (AM)

Internautas e representantes de diversos segmentos da sociedade do Estado do Amazonas consideram ‘perda de tempo’, a ação da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, em São Paulo, de retirar das cédulas do real a frase "Deus Seja Louvado". A frase existe há 26 anos e foi introduzida nas cédulas em 1986 durante o governo do ex-presidente José Sarney. A maioria dos entrevistados argumenta que "existem problemas mais importantes" para serem resolvidos no país.

O raciocínio de que existem coisas mais importantes a se fazer em prol da sociedade e que nenhum incômodo tem causado até agora, expressa a maioria dos comentários feitos por internautas que leram a recente notícia divulgada em jornais e sites do país.

A ação junto à Justiça Federal pede, em caráter liminar, que seja concedido à União um prazo de 120 dias para que as cédulas comecem a ser impressas sem a frase.    

De acordo com a ação ajuizada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, a existência da frase nas notas fere o princípio de que o Brasil é um país laico (onde deve se manter neutro em relação às diferentes concepções religiosas) e de liberdade religiosa.

Por outro lado, uma das justificativas para que a frase seja mantida nas cédulas tem por base o preâmbulo da Constituição que afirma ter sido a mesma promulgada “sob a proteção de Deus”.

OAB

Para o presidente da Ordem dos Advogados no Amazonas (OAB-AM), Fábio Mendonça, o pedido é um absurdo e o Ministério Público Federal (MPF) não deveria perder o tempo com um caso que já é tradição no Brasil.

"O Ministério Público deveria utilizar o tempo com assuntos que interessam e são de importância para a sociedade. O Brasil tem como origem o catolicismo e não creio que ofenda nenhuma religião. Essa proposta visa chamar apenas a atenção da imprensa, já que a frase compõe as notas há muitos anos, tornando-se tradicional”, disse.

Ufam

O coordenador do Núcleo de Cultura Política (NCP) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Ademir Ramos, orienta para a reflexão do episódio. “É preciso refletir, se pensarmos na Constituição Federal do país que diz que o estado é laico, se o estado é laico, então o pedido está correto, porém é bom analisarmos, qual a intenção destes promotores, o preciosismo da cultura dos bacharéis, que no passado cuidava até de briga de galo ou a fazer valer a constituição”.

O coordenador também afirmou que é desnecessário o zelo e o cuidado em determinadas coisas e considerou a importância da análise por parte do MPF da conduta política dos parlamentares, que muitas vezes não agem com ética, apresentam projetos que beneficiam grupos religiosos, além de autorizações que disponibilizam dinheiro público para bancar gastos com eventos religiosos. Destacou que o estado precisa de pedidos que visem problemas sociais emergentes como saúde, educação, transporte público entre outros.

Espírita

De acordo com a espírita e professora de artes do Colégio Militar da Polícia Militar (CMPM), Cida Castro, não há problema na frase nas cédulas do real e que o Ministério Público deveria se preocupar com os problemas do estado, principalmente com a educação e a segurança.

"Não me incomoda a frase na cédula de dinheiro, o que me incomoda é a falta de preocupação com os problemas que a nossa sociedade passa. O investimento na troca das cédulas poderia ser utilizado na melhoria das cidades. Cada religião tem o seu Deus e não vejo agressão a nenhuma religião, até porque a citação não vem assinada dizendo que foi um pastor ou um padre", analisou.

Evangélico

Para o pastor evangélico Valdir Mota, os custos adicionais com a reprodução de novas cédulas são desnecessários e que deveriam ser utilizadas em recursos para suprir as necessidades da população.

"Na medida há vários questionamentos, a questão religiosa e a questão política. Será que as pessoas reverenciam o que está escrito nesta frase? ou apenas colocaram o nome lá? O Brasil é um país religioso e na maioria das religiões acreditam em Deus. Não acredito que ofenda os ateus, já que há uma forte ligação entre as religiões, independente de qual religião você siga", ressaltou.

Internautas

O internauta Souza critica a ação ao achar que “as pessoas com essa atitude não amadureceram” e que “Deus Seja Louvado, “é dita em quase todas as crenças (religião)"

O leitor Joaquim questiona “será que essa procuradora ingressou no seu cargo por concurso público ou entrou pela janela”... “esse tipo de alegação, como o da procuradora, geralmente é feita por quem nunca  leu o preâmbulo da Constituição”.

Edmilson Lucena acha que o “Poder Judiciário quer dá uma de Congresso Nacional. Acha que poder é composto por pessoas que passaram “em Concurso Público e não “tem a mínima idéia do que é representar uma coletividade”. Completa dizendo que “tal absurdo vai acabar sendo aprovado pelo Judiciário que certamente não está a serviço da população e nem de Deus”.      

O internauta Rafael Lines discordou de todos. Acha que a procuradoria está certíssima e argumenta que "sou ateu, cidadão, pago meus impostos e não quero meu dinheiro com a frase "Deus seja louvado" ", comentou. "No entanto, estou acostumado com este país de pessoas com baixa capacidade intelectual, que ainda acreditam em Deus. Nos países desenvolvidos da Europa, Deus é coisa do passado".

Franciney Borges de Sousa diz que não possui nenhuma religião mais acredita muito em Deus. Entretanto, ele defende que “sendo o dinheiro usado para drogas, prostituição, e homicídios, o nome de Deus deveria ser preservado”.  

Ilira acha a questão polêmica e expõe que Deus é o mesmo paras as três grandes religiões reconhecidas (judaica, cristã e muçulmana). “O dinheiro é a invenção e a canga do homem nada tem a ver com Deus! Os americanos têm mencionado "Deus" em suas notas há muito tempo (in "god" we trust) e, apesar das crises financeiras do passado e a atual, até certo ponto vem dando certo! Ainda é a moeda mais comercializada do planeta! O homem está cada vez mais existencialista, é bom lembrá-lo que sua ciência tem limite! Deixem as notas como estão!"

Para Priscila Moura, existem coisas mais importantes e úteis a serem alvos de preocupação do que uma frase em cédula de dinheiro e que  "poucas pessoas notam" . "Acredito que a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo deveria gastar tempo e energia com ações mais "palpáveis".