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População de Barreirinha (AM) sofre com enchente

Na Zona Rural as aulas foram suspensas. Em 2009, Barreirinha ficou mais de 90% submersa. Somente a rua da frente da cidade não alagou 12/04/2012 às 19:21
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As ruas viram lagos e a bicicleta dá lugar a canoas e rabetas
Jhonas Santos Barreirinha

As ruas de Barreirinha (a 331 quilômetros de Manaus) já começam a ser invadidas pelas águas dos rios Paraná do Ramos e Andirá. Na Região do Baixo Amazonas o município deverá ser o mais atingido pela enchente, deste ano, com estimativa de 18 mil famílias, segundo previsão da Defesa Civil Estadual. O Município decretará situação de emergência hoje. Na Zona Rural as aulas foram suspensas. Em 2009, Barreirinha ficou mais de 90% submersa. Somente a rua da frente da cidade não alagou.

A cidade de Barreirinha foi construída em uma área de várzea e em toda a cheia do Rio as casas ficam debaixo d”água.  Os bairros como Ulisses Guimares, São Judas Tadeu e Ladislau Lucas  começam a sofrer com a elevação do nível dos rios. Mas em decorrência da grande enchente há quatro anos muitas famílias também aumentaram suas casas. É o caso de dona Sandra Souza, 36, que aumentou mais de um metro o assoalho da casa. “ Em 2009 nós fomos pegos de surpresam, mas este ano nos preparamos. Agora fica difícil sair de casa, porque tudo já está alagado. Nossa maior preocupação é com a aparição de jacarés. Tem aparecido muito jacaré por aqui”, disse.

As ruas viram lagos e a bicicleta dá lugar a canoas e rabetas. “Estamos no momento precisando de pontes de madeira. Porque fica difícil sair de nossas casas”, disse o morador Glaucio Tavares, 32. Em 2009, a prefeitura, igreja, lojas e vários bairros foram ao fundo. As famílias se mudaram para área de terra firme e outras foram deslocadas para residir provisoriamente sob balsas flutuantes que ficaram ancoradas na frente da cidade.

Ano Letivo
Em Barreirinha as aulas tinham previsão de encerrar no dia 28 de abril, mas em decorrência do fenômeno da cheia do rio as atividades foram suspensas ontem, informou o secretário Municipal de Educação, Nicolau dos Santos. “ Paralisamos primeiramente em setes comunidades.
Vamos fazer agora um calendário especial para repor as aulas”, afirmou.  Os ribeirinhos estão abandonando as casas. “A maior preocupação deles aqui é com a água tratada. São poucas as comunidades com poços artesianos”, disse o agente de saúde, Janderson Oliveira, 26, que visitava a comunidade do Sapateiro, na zona rural.

Produção
A pecuária no Paraná do Ramos está comprometida. O rebanho bovino é de 50 mil cabeças de gado, o dobro da população habitacional do município que é  de 23 mil pessoas. De acordo com o gerente do Idam, Luiz Picanço, a crise se agrava porque o gado teve que ser transferido para a terra firme dois meses antes. “Com a antecipação da transferência o gado não encontra pasto e fica seis meses neste sofrimento”, disse. Na enchente de 2009, Barreirinha acumulou 20% na perda do rebanho.



O prefeito de Barreirinha, Mecias Batista, ( PSD) disse que a Defesa Civil Municipal fez um levantamento das áreas atingidas em dez dias será iniciada uma força tarefa no município para atender as famílias atingidas pela enchente. “ É claro que nunca vamos estar preparados
para a enchente, mas nos antecipamos em muita coisa. Vamos iniciar a compra de madeira, gêneros alimentícios, água potável e levar toda a assistência necessária para as famílias”, anunciou o prefeito.

Mecias disse ainda que uma das alternativas seria transferir os moradores para a comunidade de Terra Preta, que é ligada por estrada a sede de Barreirinha. “Por ser área de várzea as famílias vão  se transferir aos poucos para Terra Preta, que é área de terra firme”, disse. O prefeito informou ainda que durante audiência com o governador Omar Aziz (PSD) pediu a recuperação do sistema viário da cidade e o asfaltamento da estrada de Terra Preta.