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Prazo para convenção mobiliza candidatos e muda discursos

Líderes partidários têm dias contados para fechar acordos em torno dos nomes pela disputa da Prefeitura 03/06/2012 às 12:51
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No mês das convenções pré-candidatos reforçam discurso e aumenta clima de disputa pela Prefeitura
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A 27 dias do prazo final para a realização das convenções partidárias, apenas o Partido Socialista Brasileiro (PSB) definiu a data da reunião. Será no dia 23. E promete não mudar a chapa já fechada: o ex-prefeito Serafim Corrêa candidato a prefeito, e o deputado estadual Marcelo Ramos, a vice-prefeito.

A tranquilidade socialista é apenas aparente. A legenda enfrenta as tensões pré-convencionais que envolvem as decisões que terão de ser tomadas por PSDB, PMDB, PSD e PDT até o dia 30.

O PSDB, do ex-senador Artur Virgílio Neto,  mudou o tom da conversa e o fez pela voz da maior liderança tucana no Estado. Artur Neto agora admite “avaliar a hipótese de disputar a Prefeitura de Manaus”. O partido, disse o ex-senador, na sexta-feira, deve realizar a convenção entre o dia 29 e 30 deste mês. Artur disse a A CRÍTICA que é “cada vez maior o contingente  de pessoas que considera que quem pode dar o choque de ordem que Manaus precisa é quem já fez isso”. O ex-senador foi prefeito de Manaus de 1989 a 1993.

Na propaganda partidária do PSDB, no ar desde a quinta-feira, o espaço é do ex-senador. Nela, uma promessa em forma de slogan: “o futuro será vitorioso”. Artur Neto foi candidato à reeleição para o Senado, em 2010, e perdeu a vaga para a então deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB). Ele teve 644,006 mil votos em todo o Estado contra  672,051 mil dados a  ela. Em Manaus, o tucano obteve 391,088 votos, e  a comunista, 363,473 mil.

Mudar para manter

O PMDB, do senador Eduardo Braga, tenta confirmar a adesão das siglas que estiveram ao lado da legenda em 2010. Mas não está fácil brecar o interesse de alguns dos principais aliados em assumir um papel de protagonista no processo eleitoral deste ano.

O governador Omar Aziz, presidente do diretório estadual do PSD, avisou que vai participar diretamente da escolha de um candidato à Prefeitura de Manaus. Seja ao lado do PMDB de Braga ou não. Ele tem conversado com o senador, ao mesmo tempo em que mantém relação estreita com o prefeito Amazonino Mendes (PDT).

O deputado federal Pauderney Avelino, presidente do do diretório estadual do Democratas (DEM) tenta se viabilizar como candidato. Para isso, esforça-se na costura de um apoio difícil de Omar e Braga. Mas a concorrência a Pauderney dentro do grupo é grande. À disposição do governador e do senador estão também os deputados estaduais Marcos Rotta (PMDB) e Chico Preto (PMDB), a deputada federal Rebecca Garcia (PP).

Braga não descarta entrar na disputa pelo cargo de prefeito de Manaus, mas admite ser difícil abrir mão do posto de líder da presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado.

Ocupante do cargo em disputa, o prefeito Amazonino Mendes (PDT) mantém o discurso de que  não é candidato à reeleição. E, ao mesmo tempo, reforça as ações da prefeitura de maior apelo popular.

A mais recente medida de Amazonino que pode ser interpretada como interesse em permanecer no cargo foi a de reduzir em cinco centavos a meia passagem no transporte urbano. Aproximadamente 330 mil estudantes são beneficiados pela meia passagem.

Amazonino defende que a prefeitura precisa de um gestor mais técnico do que político. O mesmo discurso tem sido adotado pelo governador Omar Aziz.

  Serafim  Corrêa diz que será candidato

“No PSB, está definida chapa própria. Eu serei candidato a prefeito e o deputado Marcelo Ramos o vice-prefeito. Nossa democracia é muito nova. A regra do segundo turno é de 1988 para cá. Mas o normal é isso: os partidos saem cada um defendendo suas ideias no primeiro turno. Depois, no segundo turno, fazem as alianças. Cada vez mais a eleição para prefeito em Manaus tem número maior de candidatos. É o que deve ocorrer este ano novamente. (Em um eventual segundo turno) nós não teremos dificuldade de aliança. Mas vamos uma coisa de cada vez”, disse Serafim Corrêa.

   

Omar Aziz (PSD) defende consenso

 “Tudo  tem seu momento. Nós vamos discutir e chegar a um consenso.  Nós teremos candidato a prefeito. Não sou eu quem vai decidir destino de candidatura. O candidato tem que ter personalidade própria. Uma pessoa que a população possa confiar. Tem que falar a verdade sobre os problemas que a cidade tem. As coisas foram mal interpretadas (ao se referir aos atritos entre ele e Eduardo Braga). Eu vou ter um candidato. Vamos procurar aglutinar forças em torno dele. Vou apresentar um nome, se as pessoas concordarem com ele, é claro que existe (possibilidade de aliança com o PMDB), como o Eduardo pode apresentar um nome, a Vanessa, pelo PCdoB, pode apresentar um nome,  o PT pode apresentar um nome, os outros partidos que fizeram parte da aliança que me levou à vitória (em 2010) podem apresentar um nome. isso é questão de discussão.”

PT e PCdoB articulam vices

Completam o cenário eleitoral deste ano as pré-candidaturas a prefeito de Manaus do vereador Hissa Abrahão (PPS), do deputado federal Henrique Oliveira (PR) e do engenheiro Jerônimo Maranhão, pelo ex-partido do governador Omar Aziz, o PMN.

O PT e o PCdoB caminham para a condição de coadjuvantes. No PT, o deputado estadual Sinésio Campos e  o presidente do diretório municipal Valdemir Santana  aparecem como pré-candidatos a vice-prefeito. Sinésio no  bloco de Eduardo Braga. Santana na ala pró-Amazonino.  Os comunistas colocam à disposição do mesmo grupo de Braga os nomes da senadora Vanessa Grazziotin e do secretário estadual da Produção,  Eron Bezerra.
Dos partidos de esquerda, Herbert Amazonas (PSTU) e Luiz Navarro (PCB) tentam  emplacar uma Frente de Esquerda com o PSOL.

Analista político Gilson Gil diz que cenário está bem equilibrado

Creio que temos de pensar segundo as pesquisas que saem na mídia. Por elas, há um grande candidato, o senador Eduardo Braga. Sem ele, o cenário fica equilibrado, sem favoritos. Mesmo nomes antigos, como os do prefeito Amazonino Mendes e de Serafim Corrêa, não possuem índices que os habilitem como favoritos. Por esses números que aparecem na mídia, teremos uma eleição equilibrada, caso Braga não seja candidato. Por um lado, os competidores de 2004 e 2008 (Amazonino e Serafim) estão no páreo novamente. Há possibilidade de nomes novos, desde que apoiados pelo governador Omar Aziz, Eduardo Braga ou Artur Neto. Assim, creio que é provável termos dois turnos nessa eleição, com cenário bem equilibrado.