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Pré-candidatos à Prefeitura de Manaus afinam as estratégias para tentar conquistar eleitorado

Atentos às mudanças promovidas na legislação eleitoral, pré-candidatos aquecem os motores para uma corrida mais curta para conquistar votos 23/01/2016 às 17:12
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Em Manaus, pelo menos 19 postulantes ao cargo de prefeito da capital despontam no cenário político-eleitoral
Janaína Andrade Manaus (AM)

Com apenas 45 dias oficiais de campanha, a estratégia dos pré-candidatos à Prefeitura de Manaus vai desde a realização de seminários com ex-prefeitos, à clássica visita a bairros e comunidades, e ainda a intensificação do uso das redes sociais como catalisador de votos.

Antes da minirreforma eleitoral, uma campanha tinha duração de 90 dias.Mas em 29 de setembro de 2015,  a presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou a Lei 13.165/2015, que altera trechos do Código Eleitoral e da Lei das Eleições (9.504/1997), diminuindo pela metade a duração das campanhas eleitorais.

Em Manaus, pelo menos 19 postulantes ao cargo de prefeito da capital despontam no cenário político-eleitoral e, em sua maioria, já ensaiam os primeiros passos para a campanha.

Vice-governador do Estado, Henrique Oliveira (SDD), paralelo à busca de partidos que apoiem o seu nome para prefeito, inicia em março uma série de seminários para debater temas centrais da capital, como, mobilidade, segurança e saúde. 

“Irei convidar os ex-prefeitos Alfredo Nascimento (PR), Amazonino Mendes (PDT), Serafim Correa (PSB) e Luiz Alberto Carijó (PDT) para esses seminários. Estamos despojados de qualquer vaidade e queremos ouvir a experiência deles. Não sei se eles vão aceitar, mas queremos discussões amplas”, contou. 

O deputado federal Marcos Rotta (PMDB) que figura como provável ungido do ministro Eduardo Braga nesta eleição, mesmo de férias do Parlamento, está em Manaus para “conversar, ir às ruas, aos municípios do interior”.

Nos bastidores, a possível candidata a vice-prefeita na chapa de Rotta é a deputada federal Conceição Sampaio (PP). “Conceição é uma batalhadora, sempre disposta a ajudar. Uma das pessoas mais sensíveis da vida pública que conheço. Sou testemunha do bom trabalho que sempre desenvolveu na atividade parlamentar, em todas as esferas”, elogiou.

Recém-filiado ao partido de Marina Silva - Rede Sustentabilidade, o deputado estadual Luiz Castro terá suas primeiras inserções na TV em março, paralelo a isso, segue com a estratégia de "promover reuniões para ouvir a população".

“Assim estaremos debatendo problemas e soluções para os bairros e a cidade. Ao mesmo tempo divulgando a proposta da Rede e discutindo as diversas temáticas transversais”, contou Castro.

Sem definição

O PT e o PCdoB, em Manaus, ainda não ajustaram os ponteiros para a eleição de 2016. O Partido dos Trabalhadores está com uma lista tríplice de pré-candidatos – os deputados estaduais José Ricardo e Sinésio Campos, e o ex-deputado federal Francisco Praciano.

O PT encolheu no Amazonas após a eleição de 2014. Perdeu a única cadeira que detinha na Câmara Federal. Praciano, que disputou o Senado, não foi eleito, e desde então se afastou da política local, refugiando-se no Ceará.

“Já tivemos algumas conversas com grupos internos do PT. Na próxima reunião da direção vamos propor um calendário para tratar da definição da escolha do nome do partido, visto que praticamente é unânime no PT lançar candidato próprio a Prefeitura”, disse José Ricardo.

O PCdoB possui quatro nomes de pretensos candidatos - Eron Bezerra, presidente da sigla; Vanessa Grazziotin, hoje senadora, na eleição de 2012 ficou em segundo lugar para a Prefeitura, perdendo para Artur Neto; a deputada estadual Alessandra Campêlo; e Yan Evanovick, líder estudantil.  “Nosso calendário é final de março. Nesse final de semana estarei em Manaus para tratar do monitoramento dessa situação”, declarou Eron.

Artur não fala em reeleição

Principal representante do PSB no Amazonas, o ex-prefeito de Manaus e hoje deputado estadual, Serafim Correa, pretende não “antecipar o processo eleitoral”. “No PSB o comando será nacional. A estratégia agora é de realizar seminários, cursos para os candidatos, mas por enquanto não há campanha, não há nome definido”, garantiu. 

O mesmo discurso é adotado por Hissa Abrahão (PPS). “Não pretendo ser candidato. Tenho agenda do mandato e do PPS. Sou o presidente municipal, quem decide não é a nossa vontade e sim a vontade da maioria do coletivo”.

Mas o presidente do PPS, Guto Rodrigues, afirmou que em maio já terá uma definição de quem concorrerá e que "o nome que mais se sobressai é o do Hissa". 

Rebeca Garcia (PP), que em 2012, às vésperas da convenção partidária, desistiu de concorrer à Prefeitura, afirmou que, agora, não tem a pretensão de concorrer uma vez que é a atual superintendente da Zona Franca de Manaus.

Atual prefeito de Manaus, Artur Neto (PSDB), sempre que é questionado se pretende ou não concorrer à reeleição, afirma que é cedo para falar de política. O tucano foi eleito em 2012 com 65,95% dos votos válidos. “Eu não vou falar sobre política. Seria de uma profunda irresponsabilidade se em meio a essa crise eu estar falando de política”, disse no início de janeiro.

Em busca de inovação

Terceiro colocado na eleição para o Governo do Estado realizada em 2014, Marcelo Ramos (PR), entre as estratégias de campanha, vem aliando suas atividades físicas a “impressões sobre os problemas da cidade”.  O que detecta durante corridas e pedaladas são traduzidas em publicações nas redes sociais (Facebook e Instagram) e até mesmo no aplicativo WhatsApp.

“Estamos realizando reuniões comunitárias, reunindo semanalmente a equipe do plano de governo e no dia 20 de fevereiro faremos um evento chamado Start Manaus 22, onde abriremos espaço para a apresentação de 22 ideias inovadoras sobre os problemas da cidade”, acrescentou.

Diálogo com pessoas e partidos

Enquanto isso, Chico Preto (PMN) diz que quer dialogar com as pessoas e com os partidos. "Vou visitar bairros e comunidades, expondo os problemas de mobilidade, educação e serviços públicos em geral, mostrando as soluções reais e eficientes para estes. Noutra banda, vou dialogar com os partidos que caminham com coerência e acreditam que é hora de Manaus ser banhada por transparência e eficiência à frente da Prefeitura Municipal".

Ele reforçou sua acessibilidade pela internet. "Vivo as redes sociais porque acredito em sua proposta: aproximar as pessoas e construir ideias. Faço isso de forma permanente, e não só em ano eleitoral", disse o candidato do PMN, chico Preto.

Com a força dos militantes

“Eterno candidato” do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) nas eleições majoritárias em Manaus, o sindicalista Herbert Amazonas afirmou que a “estratégia continuará como nos outros anos”.

"Construindo campanhas com força militante, debatendo com os trabalhadores e trabalhadoras nas fábricas, canteiros de obras, com a juventude. Nossas campanhas são construídas pelos militantes ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras", disse Herbert. A reportagem ainda tentou entrar em contato com Luis Navarro (PCD) pelos telefones 982xxxx03 e 991xxxx94, mas não foi atendida.

Mudanças na lei eleitoral

A duração da campanha eleitoral fica reduzida de 90 para 45 dias

Gastos nas campanhas - Para presidente, governadores e prefeitos, pode-se gastar 70% do valor declarado pelo candidato que mais gastou no pleito anterior, se tiver havido só um turno, e até 50% do gasto da eleição anterior se tiver havido dois turnos

Período de propaganda eleitoral no rádio e na TV diminuiu de 45 para 35 dias

Tamanho da propaganda na TV - Nas eleições municipais, no primeiro turno, serão dois blocos de 10 minutos cada, para candidatos a prefeito. Além disso, haverá 80 minutos de inserções por dia, sendo 60% para prefeitos e 40% para vereadores, com duração de 30 segundos a um minuto

Punição por rejeição de contas de campanha ou não prestação de contas - O partido passa a não mais ser punido, só o candidato

Teto de gasto de campanha para prefeito em município com até 10 mil habitantes - Até R$ 100 mil

É exigida filiação partidária por ao menos seis meses antes das eleições

Propaganda "cinematográfica" - Nas propagandas eleitorais, não poderão ser usados efeitos especiais, montagens, trucagens, computação gráfica, edições e desenhos animados

Participação de debate eleitoral na TV - Só vai participar o candidato de partido com mais de nove representantes na Câmara.