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Cotidiano
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Prédios históricos do Centro de Manaus estão em ruínas

Imóveis que retratam a história da cidade estão esquecidos pelas autoridades  22/01/2016 às 18:54
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O casarão entre as avenidas Leonardo Malcher e Getúlio Vargas, no centro da cidade foi tomado por matos e pixações
Hellen Miranda Manaus (AM)

Mesmo com um grande valor histórico para o Amazonas, muitos prédios encontram-se abandonados pela cidade. Por conta do descaso público e da crise que tomou o País, Manaus exibe a dura realidade da falta de moradias para a maioria da população e esses imoveis públicos e privados acabam alvo de invasores em busca por moradia. Na rua Japurá, Praça 14, Zona Sul, uma obra pública embargada há pelo menos duas décadas pelo proprietário do terreno, é uma das invasões mais antiga e conhecida.

O local iria abrigar o Hospital da Criança, que seria administrado pelo antigo Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Amazonas (Ipasea). Desde lá, nada foi feito da construção, que aos poucos foi ocupada por pessoas que não tinham onde morar. Hoje, abriga aproximadamente 80 famílias. Um desses moradores, o  desempregado Juscelino Costa Seixa, 37, conta que devido a falta de emprego, muitos não conseguem sair do local para pagar aluguel. Ainda de acordo com ele,  houve tentativas por parte dos moradores de melhorar o imóvel, que não pode ser reformado por conta do embargo.

“Queríamos arrumá-lo para as famílias que estão aqui, regularizar a água, a energia elétrica e o esgoto. Como não conseguimos, tudo foi dado um jeitinho”, disse Juscelino, que mora há nove anos com a esposa e os filhos no local. Outros moradores afirmam que em 2005 a Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab) cadastrou as famílias e aguardam a entrega das casas para deixar o prédio.

Marginalizados

Entre as avenidas Leonardo Malcher e Getúlio Vargas há um casarão coberto por matos e pixações. Segundo o guardador de carro, Valdeir Rocha, 50, que trabalha próximo ao imóvel, as portas e janelas da obra foram fechadas para evitar o acesso de terceiros. “Se deixar aberto muitas pessoas usam principalmente para consumir drogas e deixam tudo bagunçado”, disse.

Outro prédio entregue a própria sorte foi a Santa Casa de Misericórdia, na rua Dez de Julho, Centro. “Depois que fechou, há onze anos, só tem atraído marginais e insegurança, porque além do prédio, nós também somos abandonados”, desabafa a comerciante Maria Silva, que trabalha próximo da Santa Casa há 22 anos.

A Santa Casa de Misericórdia é alvo constante de invasores em busca de madeiras do telhado do hospital

Ainda no Centro, na rua Governador Vitória, esquina com a rua Frei José dos Inocentes, um prédio abandonado onde funcionou um dos primeiros cabarés de Manaus, hoje dá lugar a esse mesmo cenário de esquecimento. Além desses, o Complexo Booth Line também está fechado há anos.

De acordo com o  Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), a maioria desses imóveis são particulares e alguns possuem projetos aprovados para reforma junto ao órgão, entre les, o prédio da Getúlio Vargas com Leonardo Malcher e da rua Governador Vitória, esquina com a rua Frei José dos Inocentes. O complexo do Booth Line também é particular e as obras foram embargadas pela prefeitura e instituo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em razão de demolição de áreas internas.

Quanto à Santa Casa de Misericórdia, antigo hospital da rede estadual, existe um processo em tramitação para desapropriação do prédio, no Ministério Público.

Decreto

De acordo com o Implurb há  1.656 imóveis/edificações identificadas como unidades históricas de primeiro e segundo graus, conforme o decreto municipal 7176/2014, que estabeleceu o setor especial das Unidades de Interesse de Preservação, localizadas no Centro Antigo de Manaus. Na orla portuária são 11 edificações e existem ainda 10 praças.

Imóvel foi invadido por famílias

O chefe do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento Local, que faz parte da Coordenação de Destinação da Superintendência do Patrimônio da União no Amazonas (SPU), Clemente Gimenez, informa que já foi realizada reunião para solicitar a reintegração de posse do prédio.

“Lamentamos essa invasão, por que a trata-se de um movimento de moradias que já sabia que o prédio não pode ser usado. O imóvel foi embargado por ser antigo, a faixada e as instalações do prédio estão todas comprometidas, o que oferece risco a vida, principalmente dessas pessoas”, comenta o chefe de departamento. Segundo ele, o órgão é sensível à situação e que está aberta ao diálogo.

Desde final da semana passada o antigo prédio do Ministério da Fazenda, localizado na Esquina das Ruas Quintino Bocaiúva e Guilherme Moreira, no Centro da capital foi invadido por diversas famílias. Conforme decreto do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o prédio é um dos 239 imóveis da União colocados à venda neste ano, como parte da medida anunciadas do ajuste fiscal em 2015.