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Presidente mexicano quer usar experiências brasileiras de combate à pobreza

O mexicano reconhece os avanços do Brasil nas políticas sociais e na modernização da indústria petrolífera, e quer conhecer mais essas experiências 20/09/2012 às 19:13
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O mexicano reconhece os avanços do Brasil nas políticas sociais e na modernização da indústria petrolífera, e quer conhecer melhor essas experiências
Luana Lourenço/ Agência Brasil ---

O presidente eleito do México, Enrique Peña Nieto, esteve nesta quinta-feira (20) com a presidenta Dilma Rousseff e disse que quer fortalecer as relações comerciais entre o Brasil e México e usar as experiências brasileiras de combate à pobreza e gestão da Petrobras em seu governo. Peña Nieto toma posse em 1° de dezembro.

O mexicano reconhece os avanços do Brasil nas políticas sociais e na modernização da indústria petrolífera, e quer conhecer melhor essas experiências. “Pedi a colaboração da presidenta para conhecer essas experiências exitosas que poderão servir para as definições de qual política pública teremos no México a fim de combater a pobreza, apoiar os setores da população que mais necessitam e para a modernização da empresa petroleira de nosso país”, disse, em entrevista após reunião com Dilma Rousseff no Palácio do Planalto.

Peña Nieto elogiou a modernização da Petrobras e quer usar o seu modelo para reformar a estatal mexicana de petróleo, a Pemex. “Esse é um modelo que, sem dúvida, inspira o que queremos fazer no México com a empresa que é de todos os mexicanos, como a Petrobras segue sendo dos brasileiros. Uma empresa que a partir da mudança estrutural, com a participação do setor privado, é uma empresa mais competitiva e maior”, avaliou.

O presidente eleito mexicano defendeu maior abertura econômica entre os dois países, com a aproximação de setores da economia dos dois países para ampliar o intercâmbio econômico bilateral. Segundo Peña Nieto, o fortalecimento da relação Brasil-México é importante não só para os dois países, mas para o desenvolvimento da América Latina.

Os dois líderes não discutiram especificamente o novo acordo automotivo entre os dois países, segundo Peña Nieto. Mas o assunto foi tratado no âmbito do fortalecimento da relação comercial. Assinado em 2002, o acordo foi renovado em março após um imbróglio que incluiu a ameaça do Brasil de romper o trato após sucessivos desequilíbrios que prejudicaram a balança comercial brasileira.

Para Nieto, a melhor saída é ampliar e não restringir o comércio entre os dois países e garantir que os automóveis produzidos no Brasil entrem no mercado mexicano. “A melhor forma de poder dar uma solução é gerando maiores incentivos, buscando um maior equilíbrio na balança comercial, encontrando oportunidades para que a produção do Brasil também tenha presença no México. Mais que limitando os fluxos, creio que é ampliando a relação comercial de México e Brasil. Esta deve ser a perspectiva, mais que limitar, de ampliar a relação”, disse.

Dilma e Peña Nieto também conversaram sobre o intercâmbio educativo e cultural entre os dois países, e o presidente eleito disse estar interessado em colaborar com o programa brasileiro Ciência sem Fronteiras. O programa, lançado no dia 26 de julho de 2011, busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade por meio do intercâmbio de alunos de graduação e pós-graduação. Ele prevê a concessão de até 75 mil bolsas em quatro anos.

O presidente eleito do México encerrou hoje uma visita de dois dias ao Brasil e continua a sua viagem pela América do Sul, onde visitará ainda a Argentina, o Chile e Peru.

Eleito em julho com cerca de 19 milhões de votos – 3 milhões a mais que Andrés Manuel López Obrador, candidato da coalizão de esquerda – Nieto representa a volta do PRI ao poder, partido que governou o México por sete décadas até o ano 2000. O desafio do novo governo, segundo especialistas, é enfrentar e conter os avanços dos dez maiores cartéis de tráfico de drogas, armas e pessoas que atuam no país, espalhando a violência e o medo, principalmente, nas regiões de fronteira.