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Privatização de hospital é motivo de mobilização em Manaus

Prejuízos como demissões e falta de vagas para residentes foram os principais prejuízos apontados pelo Sintesam e Simeam 04/10/2012 às 09:56
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Ato realizado nesta quarta-feira, segundo sindicatos, foi um meio de mostrar à sociedade a indignação com a medida do Governo Federal
Náferson Cruz ---

Representantes dos Sindicatos dos Trabalhadores do Ensino Superior do Estado do Amazonas (Sintesam) e dos Médicos (Simeam) realizaram ontem uma manifestação pública contra a implantação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que vai gerir os hospitais universitários de todo o Brasil, incluindo o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) de Manaus.

O ato público realizado no auditório da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), no Centro, fez parte do calendário de atividades do “Dia Nacional de Luta contra a Privatização dos Hospitais dos Universitários”, realizado em todo País, nesta quarta-feira (03).

De acordo com a coordenadora de Comunicação e Formação do Sintesam, Crizolda Assis de Araújo, a implantação da Ebserh vai extinguir, automaticamente, o serviço público nos hospitais universitários, que passarão a contratar funcionários no regime de Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), sem vínculo com a Ufam. “Até mesmo os atuais trabalhadores terceirizados deverão ser demitidos e se quiserem voltar terão de concorrer com novos candidatos no concurso promovido pela empresa”, afirmou.

O coordenador do Sintesam, Ronaldo Bastos, ressaltou que diante da privatização aos menos 120 alunos médicos nas áreas de enfermagem, farmácia, psicologia, fisioterapia e medicina, além de médicos residentes e enfermeiros, podem ser prejudicados com a medida.

Bastos explicou que boa parte dos estudantes universitários recebe treinamento nos hospitais ligados a instituições federais e, com a abertura para a Ebserh, os alunos correm o risco de perder a respectiva vaga, em razão do convênio da Ebserh com outras entidades. 

“Isso pode inviabilizar o funcionamento de muitos setores, principalmente as atividades do Centro Integral de Nefrologia (Centro de Hemodiálise) do HUGV, que atende cerca de 40 pacientes contínuos por semana, uma média de 200 por mês. Se os pacientes não tiverem o devido atendimento, poderão ter complicações e o pior é que o setor de nefrologia do HUGV corre o risco de paralisar as atividades no primeiro semestre de 2013”, comentou.

O presidente da Associação dos Docentes da Ufam (Adua), José Belizário Neto, destacou que o ato realizado pelas entidades é uma forma de demonstrar à sociedade a indignação com a medida do Governo Federal que criou a Ebserh. Já o presidente do Simeam, Mário Viana, afirmou que a categoria entende que as atividades do HUGV são essenciais para a sociedade, e que diante da ameaça de privatização, decidiu aprofundar o debate sobre o processo de terceirização.