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Cotidiano
SAÚDE E SANEAMENTO

Problemas de famílias ribeirinhas podem ser resolvidos com tecnologia social, diz FBB

O projeto “Tecnologias Sociais no Amazonas (TSA)” começou a ser executado em março, deste ano, com a aplicação da iniciativa “HB – Combate à anemia ferropriva”, que permite o rápido diagnóstico 11/07/2017 às 08:24 - Atualizado em 11/07/2017 às 08:53
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Tecnologia social HB foi aplicada pela primeira vez há três meses e reduziu o índice de anemia para 3% das crianças (Fotos: Reprodução)
Silane Souza Manaus

Os problemas de saúde e saneamento básico que atingem famílias ribeirinhas e rurais no Esado do Amazonas podem ser revolvidos com a implementação de metodologias simples, como as tecnologias sociais. É o que mostra os primeiros resultados de um projeto desenvolvido pela Fundação Banco do Brasil (FBB) e o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis) em comunidades dos municípios de Borba (a 324 quilômetros de Manaus), Itacoatiara (a 257 quilômetros)  e Nova Olinda do Norte (a 345 quilômetros).

O projeto “Tecnologias Sociais no Amazonas (TSA)” começou a ser executado em março, deste ano, com a aplicação da iniciativa “HB – Combate à anemia ferropriva”, que permite o rápido diagnóstico, tratamento e controle da anemia ferropriva em alunos de escolas públicas. Durante os últimos três meses, a metodologia foi reaplicada e apresentou redução de 60% para 3% no índice de anemia em crianças da Escola Municipal Francisco Bezerra, na comunidade de Axinim (Borba). 

Para a diretora-presidente do Idis, Paula Fabiani, os resultados da aplicação dessa nova tecnologia social foram recebidos com muito entusiasmo. “Acreditamos que os efeitos do tratamento serão sentidos em todos os aspectos da vida das crianças, especialmente no desenvolvimento físico e cognitivo. Esperamos obter o mesmo sucesso nas demais tecnologias que estão sendo implantadas para enfrentar outros problemas das comunidades ribeirinhas”, disse.

A professora Ana Luisa Opromolla Pacheco, coordenadora do Programa de Apoio a Primeira Infância da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), ressaltou que a anemia é um problema silencioso. “Os sintomas só aparecem tardiamente e são inespecíficos: cansaço, fadiga, indisposição. Os mais específicos surgem depois de oito, dez anos, e não tem mais como voltar atrás. Nesse meio tempo, a criança tem o desenvolvimento aquém do esperado”, explicou.

Ana Luisa vem apoiando pela UEA a implementação das tecnologias sociais nas comunidades. Ela salienta que a incidência da doença é alta entre os moradores dessas regiões porque o acesso a serviços básicos de saúde, a água tratada e rede de esgoto é precário. “Não temos saneamento básico no Estado. No interior, a situação é pior. Precisamos de políticas públicas e também empoderar esses comunitários quanto aos cuidados com alimentação e higiene pessoal”, observou.

A tecnologia social “HB – Combate à anemia ferropriva”,  consiste em fazer o levantamento do peso, altura e taxa de hemoglobina no sangue de alunos da rede municipal de ensino, calcular o Índice de Massa Corporal (IMC), permitindo identificar problemas nutricionais (obesidade, desnutrição) e diagnosticar e tratar os casos de anemia ferropriva com suplementação de sulfato ferroso e vermífugo.

Água potável e saneamento alternativos

Além da tecnologia social “HB - Combate à anemia ferropriva”, estão sendo replicadas também em comunidades ribeirinhas e rurais dos municípios de Borba, Itacoatiara e Nova Olinda do Norte, no interior do Amazonas, as iniciativas “Desinfecção solar da água” e o “Banheiro Ecológico”. “Elas foram às indicadas para atender a demanda específica da região”, revelou o gerente de Parcerias Estratégicas e Modelagem de Programas e Projetos da Fundação Banco do Brasil, João Júnior.

Iniciativas  como “Desinfecção solar da água” também estão sendo aplicadas pelo projeto em comunidades ribeirinhas

Conforme ele, o projeto “Tecnologias Sociais no Amazonas (TSA)” é fruto da parceria entre a Fundação Banco do Brasil e Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), e conta com apoio da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A iniciativa recebeu investimento social de R$ 1 milhão para combater problemas de saneamento básico de duas mil famílias e deve ser executado em 18 meses. 

João Júnior enfatizou que a Fundação Banco do Brasil quer muito continuar desenvolvendo projetos no Estado. “Esses resultados positivos são indicadores fortes da efetividade dessas ações e há possibilidade de realizamos outras ações no Amazonas. E no Norte do Brasil como um todo. Temos muita vontade e disposição de atuar nessa região. Lembrando que essas e outras tecnologias sociais estão disponíveis no nosso banco para qualquer pessoa reaplicar sem precisar de direitos autorais”.

A tecnologia “Desinfecção solar da água” garante água livre de parasitas e microorganismos prejudiciais à saúde. Para isso, basta despejar a água que se deseja purificar em um pet (garrafa plástica de refrigerante) vazio e limpo, e depois depositar o vasilhame em um local ensolarado. Aproximadamente seis horas depois, a água está potável e pronta para consumo. O método só é eficaz para pequenas quantidades de água (1 litro por garrafa) e está sendo reaplicado nas comunidades.

Já a iniciativa do “Banheiro Ecológico” leva mais tempo de execução e visa reduzir a contaminação de recursos hídricos oferecendo solução de saneamento.  A implantação da metodologia em regiões com alagamentos sazonais necessita de adaptações especiais, como a deposição de dejetos em recipientes impermeáveis instalados, acima do solo e fixo por hastes, de modo que o movimento das águas não permita o extravasamento dos dejetos. Nele não se utiliza água para diluição dos dejetos. Estes, por meio da compostagem, podem servir para produção de composto orgânico.

Outras tecnologias sociais garantem o descarte de resíduos via banheiros ecológicos

Dados disponíveis a todos

O Banco de Tecnologias Sociais da FBB, é uma base de dados online que reúne metodologias reconhecidas por promoverem a resolução de problemas comuns às diversas comunidades brasileiras, conta com 850 iniciativas. No acervo, as experiências desenvolvidas por instituições de todo o País podem ser consultadas por tema, entidade executora, público-alvo, região, dentre outros parâmetros de pesquisa. O conteúdo está disponível também nas versões em inglês, francês e espanhol e pode ser consultado no celular, pelos sistemas operacionais iOS e Android.