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Cotidiano
SAÚDE

Problemas de visão afetam aprendizado de crianças, alerta especialista

Alunos ganham óculos em escola pública e especialista alerta sobre exames de rotina 23/09/2017 às 05:00
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Cerca de 130 alunos da Escola Estadual José Carlos Mestrinho ganharam consulta e óculos da empresa Essilor Foto: Winnetou Almeida
Álik Menezes Manaus

Os problemas na visão podem dificultar o aprendizado de crianças e adolescentes nas escolas. Ontem, 130 alunos da escola estadual José Carlos Mestrinho, localizada no bairro Crespo, na Zona Sul da cidade, ganharam exame e óculos de graça da empresa multinacional Essilor. O número de crianças com algum tipo de problema na vista representa 30,9% dos 420 alunos da escola e acende o alerta para o assunto que, muitas vezes, passa despercebidos pelos professores e pelos próprios pais. 

O oftalmologista Omar Bonilla, do Centro de Diagnóstico Oftalmológico da Amazônia (Cedoa), afirmou que, numa sala com 30 alunos, de sete a 10 têm alguma necessidade de correção ótica e os pais e professores devem ficar alertas aos sintomas,  como dores de cabeça e dificuldade de enxergar o que foi escrito na lousa.  “Além de ficar alerta, é necessário fazer um atendimento oftalmológico com profissionais e, de preferência, em clínicas especializadas. Muitas vezes é preciso corrigir uma miopia, hipermetropia e astigmatismo. Esses problemas podem prejudicar as crianças e adolescentes ao longo dos anos”, disse. 

O especialista também alertou para a periodicidade em que os exames devem ser realizados em crianças, adolescentes e adultos e a importância de se usar os óculos quando for diagnosticado um problema pelo médico.  “Após o controle, a cada seis meses os pais devem levar os filhos para exame. Adultos e adolescentes devem ir ao oftalmologista a cada 12 meses para fazer os exames”, orientou. 

Alerta na escola


A professora do ensino fundamental Kátia Regina Duarte Guimarães contou que, ao longo de 10 anos de profissão, pôde observar que algumas crianças e adolescentes apresentam dificuldades para ver o que foi escrito no quadro, mas alguns pais negligenciam. “Algumas dessas crianças não falam que têm dificuldade porque não querem usar óculos, acham estranho, acham feio. Mas há muitos pais e mães que não acreditam nos filhos e nem mesmo no professor, quando ele os alerta. Muitos acham que o filho está fazendo corpo mole para estudar, que está com preguiça, mas na verdade é preciso ter um pouco mais de atenção e levar os filhos para fazer os exames necessários”, orientou a professora.

A também educadora Jamile da Silva Santos, 33, destacou a importância dos familiares ficarem atentos aos sinais que os estudantes dão durante o dia a dia. “São dores de cabeça e até falta de vontade de ir para aula”.

Ajuda para substituir os óculos 

A estudante Leyde Walessa Silveira dos Santos, de 6 anos, foi dignosticada com problemas de visão  no início do ano e desde então usa óculos.
Segundo a irmã dela, a também estudante Leila Silveira dos Santos, 22, antes do exame de ontem, Leyde usava  com graus 5 e 5.50, mas após o novo exame foi constatado que o grau aumentou. “Passou de 5 para 6.50. Está bem forte e o médico havia dito, no início do ano, que ela tinha que fazer exames a cada seis meses porque o problema dela não é simples”, contou. 

As irmão estavam felizes na manhã de ontem, quando Leyde soube que ganharia os óculos novos. “Um óculos com essa lente custa mais de 800 reais e a mamãe não têm condições de comprar um a cada seis meses. Estamos muito felizes”.

Problemas em 30,9% dos alunos 

Na manhã de ontem, cerca de 130 alunos da Escola Estadual José Carlos Mestrinho, localizada no bairro Crespo, na Zona Sul da cidade, ganharam consulta oftalmológica e óculos de graça em uma ação promovida pela empresa multinacional Essilor Amazônia. Segundo o diretor unidade localizada no Polo Industrial de Manaus (PIM), Thierry Leclerc, a ação é desenvolvida no Brasil há quatro anos e ocorre sempre no mês de setembro, em alusão ao Dia Mundial da Visão, celebrado no mês outubro.

Para o diretor, a iniciativa deste ano vai melhorar a vida de crianças que não possuem condições de comprar os óculos.  “Nossa empresa trabalha com lentes. A nossa missão é melhorar a vida das pessoas por meio da visão. Hoje o que estamos fazendo aqui é justamente isso, mudando a vida de crianças que com certeza vão melhorar o desempenho na sala de aula”, disse Thierry.

A escola tem mais de 400 alunos e em 130 deles foram identificados problemas de vista em algum nível em uma triagem. Esses 130 foram submetidos a exames para identificar o grau do problema. Eles devem receber os óculos dentro de 15 dias. No Brasil, a ação ocorre em Manaus e no Rio de Janeiro, estados onde a empresa francesa tem filial. A iniciativa também contou com apoio de um oftalmologista do Centro de Diagnóstico Oftalmológico da Amazônia (Cedoa).