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Produção em olarias do AM está em baixa durante a cheia dos rios

Polo cerâmico em Iranduba e Manacapuru, que gera 3,5 mil empregos diretos, sofre as consequências da subida dos rios 12/05/2012 às 10:46
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Funcionamento de uma olaria no distrito de Cacau Pirera em período normal. Águas agora invade os galpões
Cimone Barros ---

Afetadas pelas cheias dos rios Negro e Solimões, pelo menos cinco olarias estão com a produção praticamente paralisadas no polo ceramista de Iranduba e Manacapuru e outras sete estão na iminência de sofrer os mesmos problemas. Por enquanto, não há falta de produto no mercado e a manutenção do emprego de cerca de 200 trabalhadores formais dessas cerâmicas está em negociação com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE-AM) para que seja assegurada via bolsa qualificação, uma modalidade do seguro-desemprego.

De acordo com o diretor da Associação de Ceramistas do Amazonas (Aceram), Sandro Santos, as olarias Violeta, Nova Veneza, Praiano, Trimanche e Vale Nevado estão com as atividades praticamente paralisadas, já que as águas estão “invadindo” as cerâmicas e deixando algumas “ilhadas”. Em breve, outras sete cerâmicas devem ter as atividades limitadas, como a Santo André, Rio Negro e Amazônia. “Como o processo de queima acontece através de canais, os fornos são os primeiros que param”, disse Santos. Na cerâmica Nova Veneza, no Cacau Pirera (distrito de Iranduba), as águas do rio Negro entraram na olaria afetando as atividades, sendo que a produção de 150 milheiros por semana caiu mais da metade. “A cerâmica está alagada e estamos trabalhando só com um galpão. Na semana que vem acredito que vou fechar a cerâmica toda”, contou Fabiana Viana, proprietária da olaria.

Conforme Santos, não está descartada a possibilidade de faltar o tijolo no mercado manauara, mas como o período é de baixa nas vendas e as empresas já tem um estoque para aproximadamente um mês (4 mil milheiros ou 4 milhões de tijolos) o risco fica mais distante, desde que não haja nenhum outro fator tão impactante. Segundo Fabiana, exceto os casos pontuais, a argila não tem sido um problema para o setor, que procura fazer estoque no verão. Porém, a escassez de insumos para queima (cavaco, serragem, palete, resto de madeira de construção) só se agrava. O preço do milheiro do tijolo nas olarias está “estável”, variando entre R$ 340 e R$ 370. Em Manaus, nas lojas de materiais de construção ouvidas pela reportagem o mesmo tijolo chega ao consumidor até 65% mais caro, tomando por base os valores mais altos da olaria (R$ 370) e da capital (R$ 612).

Polo
Atualmente, 28 olarias compõem o polo ceramista que gera cerca de 3,5 mil empregos diretos. Sandro estima que 200 vão precisar entrar na bolsa qualificação, na qual para evitar os custos da demissão o contrato do trabalhador é suspenso por até cinco meses e nesse período ele recebe uma bolsa equivalente ao seguro-desemprego. “Estamos aguardando a lista com o nome dos trabalhadores e das empresas”, disse o titular da SRTE-AM, Dermilson Chagas.

Outro pleito das olarias atingidas é a suspensão do contrato de demanda para fornecimento de energia firmado com a concessionária Amazonas Energia, tendo em vista que a produção será eliminada em muitas empresas ou ficará limitada. Na grande cheia de 2009, a mesma medida foi adotada e parte das olarias pagou a fatura pelo consumo.