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Cotidiano
INTERIOR

Produtores de malva e juta terão dívidas renegociadas com os agentes financeiros

A Agência de Fomento do Amazonas (Afeam), bem como bancos que geram boa parte dos empréstimos ao setor na região, o Banco da Amazônia (Basa) e o Banco do Brasil (BB) anunciaram medidas 11/05/2016 às 10:54 - Atualizado em 11/05/2016 às 10:57
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Uma audiência pública foi feita na Aleam para discutir o tema (Foto: Rubilar Santos)
Lucas Jardim Manaus (AM)

Em meio a dificuldades, os produtores de fibras do Amazonas terão suas dívidas renegociadas por seu maior credor, a Agência de Fomento do Amazonas (Afeam), bem como de bancos que geram boa parte dos empréstimos ao setor na região, o Banco da Amazônia (Basa) e o Banco do Brasil (BB). O anúncio foi feito durante uma audiência pública que buscava pedir posicionamentos dessas entidades, bem como do Governo do Estado, sobre a atual situação do setor.

“Quem tiver inadimplente com a Fieam, tem que nos procurar para renegociar. Renegociou, a gente retoma e faz a análise do crédito”, declarou o presidente da Afeam, Evandor Júnior, que também informou que a agência está buscando recursos da monta de R$ 100 bi do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS), que não comprometem o orçamento o Estado do Amazonas.

Segundo Alexandre Henrique Araújo, coordenador de culturas industriais da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), que representou o órgão na ocasião, a situação alarmante de inadimplência que assola o interior do Estado gerou uma situação em que, atualmente, 52 dos 62 municípios amazonenses estão impedidos de operar com o crédito rural.

No entanto, Márcio Coutinho, gerente geral do Basa, apontou que duas resoluções de renegociação de dívidas, vencidas em 31 de dezembro de 2015 mas prorrogadas pelo Governo Federal na semana passada, podem ajudar a alterar esse quadro. 

“Elas foram prorrogadas até 31 de dezembro de 2016 e proporcionam uma excelente oportunidade de renegociação de dívidas que foram feitas até 2008 e que estão vencidas até 2012, agora é preciso que os produtores procurem o banco, porque o banco tem recurso. Recurso disponível, a gente tem”, explicou.

Ele ressaltou, no entanto, é preciso que haja uma iniciativa coletiva dos produtores para a regularização, uma vez que, de acordo com o estabelecido pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) , caso a inadimplência de um município ultrasse 10% do valor total cedido a todos os seus produtores rurais (não somente os de malva e juta), ninguém dessa localidade poderá receber crédito, em prejuízo às regularizações individuais.

“Essa situação precisa ser conversada com os deputados federais e senadores porque, caso se consiga renegociar com todo o segmento de malva e juta, mas ainda haja inadimplência maior que 10% oriunda dos outros segmentos, o juticultor pode ser prejudicado”, comentou o deputado Luiz Castro.

Outras demandas

Na ocasião, chamado a explicar o porquê da subvenção das fibras referente ao ano de 2015, que deveria ter sido paga em agosto do ano passado, ainda não ter sido repassada ao produtores, o representante da Sepror disse que restrições orçamentárias impediram que isso fosse feito. “O que temos de oficial é que esse pagamento iria ocorrer no segundo semestre desse ano”, declarou.

Alexandre também respondeu às demandas dos produtores sobre o repasse de sementes de juta, insumo sem o qual a produção é inviabilizada e o qual foi repassado apenas aos produtores de Manacapuru e Parintins em 2015. “Um produtor do Pará esteve conversando conosco a nosso convite na semana passada para que nós possamos adquirir 15 toneladas de sementes de juta ainda para esta safra. O secretário Sidney Leite já deu uma sinalização positiva para fazer isso”, afirmou.

Dificuldades precedem crise atual

A presidente da Cooperativa Mista Agropecuária de Manacapuru Ltda. (Coomapem), Eliana Medeiros, que pediu a realização da audiência junto a Frente Parlamentar de Apoio ao Cooperativismo do Amazonas (Frencoop-AM), reiterou as dificuldades sentidas pelos produtores que, segundo ela, precedem a atual crise econômica.

“A crise das fibras vem de uma sucessão de fatores. Anteriormente, por conta da competição com o plástico, mas a fibra voltou a tomar rumo no Estado por conta de ser biodegradável. Só que aí veio a importação: com o país importando da Índia e de outros países, nós ficamos à mercê. E aí, veio a crise agora”, explicou a produtora.

Segundo ela, a produção das fibras no Estado, que já chegou a 95 mil toneladas na década de 1980, fechou o ano passado em três mil - o que não corresponde com metade da quantidade utilizada pelo Brasil, de acordo com o deputado Adjuto Afonso que, junto com o deputado Luiz Castro, lidera os trabalhos da Frencoop-AM.