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Cotidiano
Latrocínio, assassinato, professor da Ufam, José Orestes de Albuquerque

Professor da Ufam é morto quando chegava em casa

 Irmãos, filhos e esposa estão consternados com o assassinato de José Orestes de Albuquerque, 61, ocorrido na noite de quinta, em frente de casa 19/05/2012 às 14:49
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Carro da esposa de José Orestes, que ele estava limpando, na entrada de casa e bateu no do vizinho da frente, ao ser abordado pelos assaltantes
Joana Queiroz Manaus

O engenheiro e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), José Orestes de Albuquerque, 61, foi assassinado com um tiro na cabeça, na noite de anteontem, por um homem que tentou assaltá-lo na garagem da casa onde morava, na rua Nelson Batista Sales, conjunto Petros, bairro Aleixo, Zona Centro-Sul. A autoria do crime ainda é desconhecida. A morte de José Orestes foi um dos cinco homicídios que aconteceram na noite de quinta-feira. O crime aconteceu por volta das 21h. Vizinhos contaram que o engenheiro tinha o costume de, todas as noites limpar o carro e o da esposa, a médica Ana Tavares, e colocá-los de frente para rua, em posição de sair. Ontem, enquanto manobrava o carro da esposa, um Agile verde, placa NOY-1929, foi surpreendido por dois assaltantes: um deles aproximou-se da janela e anunciou o assalto. Testemunhas contaram que o engenheiro assustou-se e acelerou o carro, atropelou um dos ladrões e bateu no portão da casa do vizinho da frente. Nesse momento os ladrões atiraram contra ele. Foram quatro disparos e um deles acertou a cabeça da vítima que morreu na hora.

Os ladrões fugiram em um carro modelo Siena de cor prata, cuja placa não foi identificada. O momento do crime foi filmado por câmeras de seguranças de casas vizinhas. As imagens já foram repassadas à polícia. O crime foi classificado como latrocínio - assalto seguido de morte - e será investigado pela Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD).

 O engenheiro foi velado na funerária Almir Neves, localizada na rua Joaquim Nabuco, Centro, e sepultado, às 11h, no cemitério São João Batista. A direção da Ufam emitiu nota de pesar sobre a morte do engenheiro dizendo que José Albuquerque trabalhava há mais de 35 anos na Ufam e, inclusive, na construção do campus universitário Senador Arthur.

Uma barbaridade
Paulo Albuquerque Professor e irmão de José Orestes descreve o crime assim :  “A morte do meu irmão foi uma barbaridade. Como alguém pode tirar a vida de uma pessoa que sempre só fez o bem. Ele foi o maior exemplo de integridade, de caráter e moral que eu já conheci. Era casado há mais de 30 anos com a mesma mulher, criou os filhos e ainda cuidou de nós, os irmãos. Cuidava até agora da nossa mãe. Cursar Engenharia era um sonho desde criança, mas antes de ser engenheiro ele foi pedreiro. Trabalhou na construção civil enquanto cursava faculdade. Era uma pessoa simples e amiga. A família e os amigos estão abalados pela forma brutal como meu irmão foi assassinado. Já morei nesse conjunto e era muito tranquilo. Agora, o que a gente ouve falar é que os assaltos estão ficando cada vez mais constantes. A nossa esperança é que os homens que mataram o meu irmão sejam identificados e presos pela polícia. Estou confiando que eles vão ser presos sim.”

‘Um pai para os irmãos’
Além de trabalhar como engenheiro da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), José Orestes era professor do Departamento de Engenharia, da disciplina Segurança do Trabalho. Ele era pai de dois filhos e avô de dois netos. Era o filho mais velho de nove irmãos que o tinham como pai. “Depois que o meu pai se separou da minha mãe, foi ele quem trabalhou para nos criar”, disse o irmão Paulo Albuquerque.