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Cotidiano
Mal da Saúde

Profissionais de Enfermagem vivem fase de lamentos, anseios e reafirmação pela área

Técnicos, estudantes e profissionais de nível superior traçam panorama atual nada positivo do segmento, que enfrenta reclamações por conta da falta de reconhecimento salarial, entre outros problemas relatados por eles 13/05/2016 às 20:03 - Atualizado em 14/05/2016 às 00:19
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Protestos de técnicos de enfermagem por conta de atrasos de salários e outros benefícios são frequentes na cidade / Foto: Euzivaldo Queiroz
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A Semana da Enfermagem em Manaus foi marcada por muitas reclamações, críticas mas, também, a reafirmação pelo amor ao próximo refletido nas ações dos profissionais da área.

“Nessa semana tivemos mais a lamentar do que para comemorar, infelizmente. Lutamos por uma carga horária de 30 horas semanais e nosso reajuste, de 9,9% em âmbito municipal, veio parcelado: agora neste mês de maio vamos ganhar 5% e só em 2017 que vamos receber os 4,9% restantes”, disse o enfermeiro concursado Everton de Freitas Gomes.

Curiosamente, atualmente, a categoria não encontra representação suficiente para lutar em prol de sí. Prova disso é, de acordo com Everton Gomes, que o “sindicato que congrega os trabalhadores do setor está desativado e não há eleição para o mesmo há cerca de 3 anos”.

Técnica de Enfermagem desde 2011, e atualmente atuando no Hospital e Pronto-Socorro Adriano Jorge, a profissional Márcia da Silva faz das tripas coração para sobreviver em meio ao atraso de quatro meses de salário, 13º salário e vales-transportes.

“Sem salário, estamos á mercê do nada. No meu caso, o  problema é a cooperativa Macflan, que não repassa o dinheiro devido problemas de inadimplêndia e documentacão, informou a Susam (Secretaria de Estado da Saúde). Não tem nada pra comemorar. Tudo está cada vez pior” , indigna-se a profissional.

Universidade

A área acadêmica da Enfermagem reserva um futuro de muita dedicação e amor ao próximo para alunos como Ruth Teixeira Santana, que cursa o 3º período e estava ontem acompanhando a 13ª Semana de Enfermagem da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

No entanto, ela citou que, em face dos problemas de atrasos de salários existentes na categoria, é preciso ter muita força e coragem. “Acho que toda a dificuldade que existe na categoria reflete uma falta de respeito com o profissional da área de saúde. É uma desvalorização. Já me senti desmotivada, sim, mas não vou desistir, quero olhar para a frente e fazer a diferença, buscando nossos objetivos e direitos”, comentou ela.

“Após me formar espero focar no atendimento, na prioridade à vida, trabalhar com o ser humano e me especializar mais porquê os futuros enfermeiros têm que buscar aperfeiçoamento tanto no atendimento, quanto na qualidade. O que mais me motiva na profissão é o amor pela vida. A Enfermagem é a arte de cuidar”, disse a acadêmica.

A enfermeira e professora universitária Alessandra Cristina dá uma das melhores definições sobre o que é atuar no ramo da Enfermagem: “Cuidar não é fácil, requer complexidade e amor pelo outro, por mais que o paciente brigue com você, você está do lado, limpando, dando banho, remédios, fazendo curativos, etc”.

Acadêmica homenageia símbolo da ciência

Este 2016 será inesquecível para a acadêmica Viviane Kicy da Graça Mendes, 26, que vai concluir no final de ano o curso de Enfermagem na Universidade do Estado do Amazonas. Próxima da graduação, a estudante encontrou um jeito diferente de lembrar com  muito carinho dos últimos dias nos corredores da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA/UEA): durante esta semana, a convite de algumas professoras, ela se fantasiou de Florence Nightingale, famosa enfermeira britânica, considerada a “mãe da enfermagem moderna”, que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra da Crimeia (conflito que se estendeu de 1853 a 1856, na península da Crimeia (mar Negro), no sul da Rússia e nos Bálcãs).

Assim como Nightingale, Viviane Kicy até empunhou uma antiga lâmpada, a exemplo da renomada enfermeira, que utilizava o instrumento para auxiliar na iluminação a feridos durante as noites de batalha.

“Para mim é uma grande honra representar Florence Nightingale visto que ela foi uma peça fundamental para a mudança da Enfermagem moderna. Ela revolucionou  e até hoje o que ela fez é vigente e importante. Era de uma família rica e abastada, mas deixou tudo para servir pessoas. E tinha muito conhecimento teórico e cientifico pois já tinha essa bagagem. Florence fez uma grande diferença, reduzindo os índices de infecção com os cuidados que tinha e foi maravilhosa a participação dela”, explicou a graduanda, curtindo seus momentos de fama com o afago de outros acadêmicos, que a todo momento pediam para tirar fotos com ela.

BLOG: Alessandra Cristina, Professora de Enfermagem da UEA

“Os enfermeiros representam uma uma importante parcela da sociedade. Nós delegamos 24h por dia aos pacientes, atendendo a todos os segmentos, seja de médicos a qualquer outra categoria. Vislumbro avanços principamente na Educação (universidade), por mais que não vejamos essa projeção agora, a semente vai brotar daqui a alguns anos. Se não acreditarmos no processo da Educação e principalmente na enfermagem, não teremos reflexos futuros”, disse a professora de Enfermagem Clínica e da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).