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Cotidiano
reaproveitamento lixo

Projeto de escola estadual ensina estudantes a transformarem resíduos em adubo orgânico

O projeto da escola tem contribuído para a conscientização ambiental e consegue envolver moradores e feirantes do bairro                                                                                                                                                                                                                                                                  03/01/2012 às 05:48
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Alunos recolhem os resíduos, levam para o laboratório da escola, separam o lixo orgânico e os transformam em adubo orgânico
Carolina Silva Manaus

 “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Sendo assim, a famosa Lei de Lavoisier, do químico francês Antoine Lavoisier, tem sido colocada em prática por alunos do 2º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Daisaku Ikeda, no bairro São José 4, Zona Leste de Manaus, transformando resíduos em adubos orgânicos por meio da compostagem.

 A técnica que consiste em controlar a decomposição de materiais orgânicos, com a finalidade de obter no menor tempo possível um produto rico em húmus e nutrientes minerais, tem sido uma importante ferramenta de conscientização e educação ambiental não somente para os alunos que fazem parte do projeto, como também para toda a comunidade escolar.

A ação, que teve início em julho do ano passado e terá continuidade este ano, é realizada no âmbito do Projeto “Compostagem na Escola”, por meio do programa Ciência na Escola (PCE), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Ao todo, são cinco alunos, selecionados por meio do desempenho escolar, que trabalham no processo de transformação dos resíduos.

 “A necessidade da técnica de compostagem foi percebida a partir do momento que observamos que na escola não tinha uma coleta seletiva do lixo descartado”, explica o pesquisador e orientador do projeto, Márcio Pereira, sobre a idealização de levar para o ambiente escolar a técnica de reaproveitamento dos alimentos. “Muitas vezes sobram cascas de verduras e frutas da merenda escolar em grande quantidade”, acrescenta o orientador.

 O adubo orgânico produzido pelo grupo de alunos é aproveitado nas áreas verdes da escola e o orientador do projeto, Márcio Pereira, garante que o resíduo transformado é menos prejudicial ao meio ambiente. “O mais importante é que esse material não tem agrotóxico e, por isso, não vai agredir o solo”, disse.

Pereira destaca, ainda, que uma atividade como esta é fundamental para manter o meio ambiente em harmonia. “Esse adubo orgânico pode ser usado na revitalização de jardins de vários locais”, salientou.

Segundo Márcio Pereira, antes de colocar em prática a técnica de transformação do lixo orgânico, os alunos passaram por um treinamento em que aprenderam primeiramente o que é a técnica de compostagem e como é feito. “Agora, em prática, os alunos recolhem os resíduos, levam para o laboratório da escola, separam o lixo orgânico, que é cortado em pedaços pequenos e despejados em baldes telados para evitar o contato de insetos, e, posteriormente ficam monitorando a decomposição dos resíduos”, explica.

Durante o processo em que os restos de alimentos se decompõem, o grupo de alunos também monitora a temperatura, principal indicador da decomposição. De acordo com o pesquisador, após três meses do processo de transformação, os resíduos já estão prontos para serem usados como adubo orgânico.

 Moradores e feirantes ajudam

Embora o nome do projeto seja “Compostagem na Escola”, o pesquisador e orientador Márcio Pereira disse que a comunidade do bairro São José 4, onde fica a Escola Estadual Daisaku Ikeda, também tem participado da ação. “Os alunos fizeram uma pesquisa de campo para saber o que a comunidade conhecia sobre a técnica de compostagem e compartilharam o aprendizado no projeto.”

  Hoje, os moradores ajudam o trabalho do grupo de alunos separando o lixo orgânico produzido em casa que é destinado para a escola onde passam pelo processo de decomposição. “Além dos moradores, os feirantes também têm contribuído para o reaproveitamento dos restos de alimentos”, ressaltou Pereira. Segundo ele, ao final do projeto, a ideia é produzir uma cartilha educativa sobre o reaproveitamento do lixo orgânico para ser distribuído na comunidade e em outras escolas.