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Projeto 'Lutando pela Vida'

Derrotas e tropeços fazem parte do esporte. Virada e superação também e é isso que tenta implantar um projeto na UPP. A ideia é transformar presidiários em atletas 16/01/2012 às 13:49
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O projeto oferece prática esportiva aos 570 presos da UPP
Nathália Silveira Manaus

Rebelião, colchões queimados, agentes penitenciários reféns e a tropa de choque da polícia pronta para invadir a qualquer hora um presídio. Essas, talvez, possam ser as imagens mais marcantes quando vem à cabeça a palavra presidiário.

No entanto, o projeto “Lutando pela Vida”, desenvolvido na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), e que leva aos 570 presos do complexo  a oportunidade da prática esportiva através do boxe tailandês, jiu-jitsu, musculação e futebol, mostra que qualquer nocaute,  armlock duplo ou bola perdida,  podem ser transformados em  vitória, fazendo com que o prisioneiro possa finalmente sentir o gostinho da medalha de ouro: a confiança da sociedade.

“O interno está saindo da ociosidade e está se integrando à sociedade através do esporte, melhorando também seu desempenho na unidade prisional. Com o projeto, nós estamos garantindo também o bom convívio do preso com o sistema, mantendo uma relação saudável. O presidiário, ocupando a mente tem outras ideias e isso garante um clima tranquilo entre todos” comemora o  desde novembro de 2011 diretor geral da UPP, Othon Bitar dos Santos Lyra.

O idealizador do “Lutando pela Vida”, o presidiário Alessandro Barbosa Fonseca, explica que quando chegou ao complexo em 2010, condenado por tráfico de drogas,  era comum ver presos treinando jiu-jitsu no chão do presídio. Assim, tomou a iniciativa de criar e incentivar a pratica  de esportes no ano passado. O projeto, foi até encaminhado ao Juiz de Direito Titular da Vara de Execução, Luis Carlos Valois, para que Barbosa possa desenvolver seu trabalho em outros presídios  após cumprir sua pena de nove anos. Alessandro ainda esclarece que as artes marciais que são ensinadas na prisão, não comprometem a integridade física dos agentes da unidade prisional, dos próprios presos e da sociedade em geral.

“Com o esporte conseguimos estipular nossas hierarquias e  disciplina. Se hoje podemos usufruir de algo que nos beneficia, é graças a confiança dada pelo nosso diretor geral e não vamos quebrá-la. Jamais vamos usar nossa formação com uma pessoa leiga e exaltar a violência”, ressaltou Fonseca contando que foi possível verificar uma mudança no comportamento dos presidiários. “ Já que temos onde gastar energia e ficamos sem tempo para ficar pensando em bobagens.  A agressividade e o egoísmo não fazem mais parte do nosso dia-a-dia. Temos presidiários calmos e amigos”, considerou Alessandro, faixa preta em jiu-jitsu e  que pretende ser professor de artes marciais quando deixar a unidade prisional.