Publicidade
Cotidiano
TALENTO INCENTIVADO

Projeto nas escolas do Estado já identificou 29 jovens superdotados nos últimos 11 anos

Crianças e adolescentes do Núcleo de Altas Habilidades e Superdotação (Naahs) dão orgulho aos pais e professores 13/08/2017 às 15:22
Show capturar3
Trabalhos desenvolvidos foram apresentados na quinta-feira (Fotos: Antônio Lima)
Álik Menezes Manaus (AM)

No Amazonas, 12 crianças e adolescentes atualmente são considerados com talentos surpreendentes para sua faixa etária. Eles participam do projeto Núcleo de Altas Habilidades e Superdotação (Naahs), dão orgulho aos pais e professores e sonham com as futuras profissões. 

Segundo a coordenadora do projeto no Estado, Tânia Maria Araújo, o Naahs, que é do governo federal, iniciou as atividades no Amazonas em 2006 e busca a ampliação e o aperfeiçoamento das habilidades e talentos desses alunos, além de trabalhar para identificar ainda na infância quem são esses superdotados e quais os talentos. 

Conforme Tânia Maria, os professores são orientados e sensibilizados para identificar esses alunos na sala de aula e encaminhar os pais ao Naahs, que fica localizado nas dependências da Escola Estadual de Atendimento Especifico Mayara Redman Abdel Aziz, na avenida Umberto Calderaro, no bairro Adrianópolis, na Zona Centro-Sul da capital. 

“O professor identifica o aluno com altas habilidades e encaminha para o Naahs e nós, juntamente com a equipe, iniciamos o processo de avaliação  desses alunos. Esse processo passa pela aplicação de entrevistas e o portfólios de talento, atividades de enriquecimento, de observação do comportamento dos do alunos e atividades lúdicas livres para ele ir demonstrando as áreas de maior interesse”, disse. 

Após identificada a habilidades, os alunos são direcionados às instituições parceiras do projeto como estúdio Jack Cartoon, livrarias, estúdios de artes e a Vila Olímpica. Os alunos passam por oficinas, treinamentos e até passeios pela cidade. “Os alunos participam das atividades após ou antes dos horários de aula”, observou a coordenadora. 

Segundo a educadora, as crianças e adolescentes que fazem parte do projeto continuam frequentando as escolas de ensino regular e não há necessidade de uma estrutura especializada em virtude da demanda ser baixa e do projeto investir na inclusão. “Nosso objetivo é desenvolver, ajudar e incluir esse aluno na sociedade. Então, não existe motivos para nós retirarmos eles das escolas atuais. Nós investimos em atividades paralelas e incentivamos a inclusão”, disse Tânia Maria.

Apresentação

Na última quinta-feira,  os alunos participaram de uma apresentação no Centro de Artes da Universidade Federal do Amazonas (Caua),  na rua Monsenhor Coutinho, no Centro de Manaus. 

Celine aprendeu a ler aos três anos 

Entre 2006 e este ano, 29 alunos do Amazonas foram identificados com altas habilidades de superdotação, conforme dados do Núcleo de Altas Habilidades e Superlotação (Naahs). 

A estudante Celine de Castro Santos, 9, é uma entre eles. A menina surpreendeu os pais quando tinha três  anos de idade. Ela sempre demonstrou carinho e interesse por livros, mas a surpresa maior foi quando ela leu uma frase inteira em uma revista de palavras cruzadas. Segundo a mãe de Celine, a auxiliar administrativa Kelly Cristina Silva de Castro, 48, o espanto foi tanto que o marido quase bate o carro.

“No começo a gente achava que ela associava a figura e grava o nome, por exemplo uma casa ou um carro. Só que nesse dia foi diferente, meu marido quase bate o carro quando ela leu tudo e pediu até para ela ler novamente”, contou Kelly Cristina. 

A mãe da estudante contou que Celina participa do projeto há dois anos e faz planos para o futuro. A menina pretende ser professora ou escritora.  A pequena contou que seu acervo particular conta com mais de 300 livros e que ela já leu e releu várias vezes. 

“Gosto muito de ler, cada história é uma viagem. Leio o mesmo livro várias vezes e já até escrevi um poema que foi publicado. O meu grande sonho é escrever um livro, mas ainda não sei ao certo como vai ser e sobre o que vai ser”, disse Celina Santos. 

Com quatro anos, Enzo já fazia os próprios brinquedos

Aos  quatro anos, Enzo Nathan Rocha Nunes, hoje com 14 anos, começou a mostrar interesse pelas artes. Segundo a mãe dele, a analista de sistemas Ednir Rocha, 51, ele utilizava massa de modelar fazer seus próprios brinquedos. 

O adolescente participa do projeto desde outubro do ano passado e também faz planos de se especializar e viver da arte. De acordo com Ednir Rocha, o jovem dedica horas do dia modelando e criando novos brinquedos e decoração. “Ele faz os personagens dos desenhos que ele assiste, faz dinossauros, animes japoneses e muitas outras coisas, ele é muito criativo”, disse. 

Enzo participa de atividades todas as segunda-feiras à tarde após aulas do ensino regular no Colégio Militar da Polícia Militar. O jovem sonha alto e pretende ser especialista nessa área. “Ele é muito empolgado e dedicado, já tem até amigos que querem comprar os trabalhos dele, mas ele ainda não vende”.