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Cotidiano
EDUCAÇÃO

Psicóloga cria espaço cultural especializado na primeira infância, em Manaus

O principal objetivo do espaço, localizado no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul, é munir os pais com as principais informações que os façam conduzir a educação emocional e social de seus filhos da melhor forma 07/04/2018 às 16:34 - Atualizado em 09/04/2018 às 19:14
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(Foto: Winnetou Almeida)
Alexandre Pequeno Manaus (AM)

Quando uma criança nasce, as principais preocupações dos pais sempre estão relacionadas a peso, altura e saúde física, por exemplo. Porém não só esse aspecto deve ser acompanhado de perto. De acordo com Soraya Marques, mestre em psicologia, é necessário também um acompanhamento emocional.

“Da gestação até os três anos é o período onde o cérebro da criança mais se desenvolve. Essa época é chamada de primeiríssima infância. Em geral, fazemos muita coisa nesse período, a preocupação maior é no aspecto biológico, como peso, altura. Já a estrutura emocional e social é deixada de lado”, afirma a psicóloga.

De acordo com a especialista, na primeira infância, o cérebro realiza de 700 a 1000 sinapses por segundo. Isto é, há a junção onde um neurônio se conecta a outro. “Até esses dois e três anos, a arquitetura do cérebro está mais estabelecida. O que vem depois é a partir disso. A maneira com que a criança vai se desenvolver nesse período vai determinar como ela será como adulto”, explica.

Segundo Soraya, no exterior, há uma preocupação maior com essa fase da criança. Isso porque pesquisas têm comprovado que esse é o momento-chave do desenvolvimento do ser humano na formação das capacidades cognitivas, motoras e emocionais que vão se refletir na sua personalidade ao longo de toda a vida.  "Segundo um levantamento feito nos Estados Unidos, para cada um dólar investido na educação dos pequenos são gerados dezessete dólares de retorno na economia", conta.

Memória afetiva

Brincar, realizar atividades, inspirar pela arte e cultura são atividades sadias e que devem ser realizadas neste período por pais e filhos. Soraya reforça que as lembranças vividas pelas crianças nesse período serão determinantes.

“Os últimos neurônios a morrerem no cérebro estão relacionados à memória de afeto. As memórias afetivas vão promover essa conexão que dura uma vida inteira. Por isso, muitos de nós lembramos de coisas boas e ruins que aconteceram na infância. Precisamos cuidar melhor desse período”, destaca.

No Brasil, há uma tendência dos pais em exigir dos filhos um bom desempenho escolar e acadêmico em geral, mas, é preciso atentar para o outro lado. "Alguns pais começam a procurar auxílio psicológico quando o filho já entrou na escola, mas essa fase da primeira infância já encerrou", diz a especialista.

Ajudando a ensinar

Pensando nesse período de extrema importância para a formação humana, a psicóloga desenvolveu a Stimulare (avenida Via Láctea, 67, conjunto Morada do Sol, Aleixo), um espaço cultural especializado em desenvolvimento infantil.

"Percebi que as crianças já chegavam até mim em sofrimento, com alguma coisa a resolver e isso foi me deixando angustiada. Chegou um ponto em que pensei numa proposta em que a gente orientasse os pais para cuidar do período em que o cérebro do bebê mais se desenvolve. A Stimulare nasceu desse vazio", afirma Soraya.

O principal objetivo do espaço é munir os pais com as principais informações que o façam conduzir seus filhos da melhor forma. "É um trabalho de educação dos pais, para que cuidem não só do aspecto biológico e sim do neurológico dos filhos".

No espaço, as aulas são totalmente construídas a partir do olhar individualizado para cada criança da turma (máximo de 7 crianças), onde são observados seus marcos de desenvolvimento e formuladas atividades sempre com base no tema cultural do mês e muita música, buscando instigar este explorar do mundo e orientar os pais sobre como estender este brincar em casa.

"Precisamos cuidar das habilidades socioemocionais. Se a criança sabe lidar com as diferenças, respeitar o outro, resiliência, empatia, frustração, viver em sociedade...", ressalta.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é uma das principais causas de morte entre os jovens de 10 a 19 anos. "Estamos fazendo alguma coisa errada, devemos fazer algo para que essa geração tenha um futuro melhor e com saúde", defende a psicóloga.

A ideia para a criação da Stimulare surgiu após vivência dela em países como Londres e Portugal. "Percebi que fazemos pouco pela primeiríssima infância. É uma questão de responsabilidade social", finaliza a especialista.

A Stimulare fica localizada na avenida Via Láctea, 67, conjunto Morada do Sol, bairro Aleixo. Para entrar em contato, basta ligar para os números (92) 3304-7943 ou (92) 98813-5314.

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