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Quando as compras são uma dor de cabeça

Quem não se encaixa nos padrões do mercado da moda sofre para driblar a falta de opção na hora de comprar roupas e sapatos 21/01/2012 às 16:51
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Shirley Pojo precisa recorrer à seção juvenil das lojas
Luciana Santos Manaus

Que a ditadura da moda pode muitas vezes ser cruel não é nenhuma novidade, mas poucas vezes nos damos conta da diversidade de tipos físicos excluídos do mundinho fashion. Como moda e comércio caminham lado a lado, as grifes focam em numerações de roupas e sapatos que atendem um maior número de consumidores e quem não se encaixa nesse padrão tem que buscar alternativas para driblar o problema.

Por ironia, essa opção mercadológica também atinge pessoas que possuem um tipo físico semelhante aos das modelos que vemos glamourosas nas capas de revistas e nas passarelas. Sim, pessoas altas e as muito magras possuem dificuldades de comprar roupas.

Manequim número 34, a relações públicas Shirley Pojo sofre quando precisa renovar o guarda-roupa. Ela conta que inúmeras vezes precisou recorrer à seção juvenil das lojas de departamento para comprar calças jeans novas e, no caso de blusas e vestidos, precisa ir a alguma costureira para fazer ajustes. 

Hoje, Shirley diz que prefere comprar roupas quando viaja para outras capitais do País, pois encontra mais opções de produtos e também evita passar por constrangimentos na frente de pessoas conhecidas. “Os vendedores ainda são despreparados, então muitas vezes evito sair para fazer compras, principalmente quando vejo que a loja está em promoção, porque sei que não vão ter o meu número. E fica sempre o desconforto de encontrar alguém conhecido”, afirma.

Alta

A nutricionista Carol Heinrichs tem 1, 78 de altura, estatura bem acima dos padrões da mulher brasileira que tem 1,62m, em média. Segundo ela, encontrar calças jeans e vestidos longos é sempre uma tarefa difícil. “A modelagem normalmente é para pessoas mais baixas, então as calças ficam na altura da canela. Geralmente desfaço a bainha”, revela.

Outra saída encontrada por Carol foi passar a comprar roupas no exterior. “Como calça jeans em Manaus é muito cara e só existe uma loja de fast fashion que vende modelos do meu tamanho, prefiro comprar quando viajo para os Estados Unidos, onde as modelagens são maiores”, conta.

Calçados

Além do vestuário, a nutricionista também tem dificuldade de comprar sapatos. Ela calça 39 e nem sempre encontra os modelos que lhe agradam nessa numeração. Mas, segundo ela, a situação já foi bem pior. “Não uso salto e,  há dez anos, quando queria comprar uma rasteirinha, só existia um modelo com cores diferentes. Sapatilhas, só básicas”,  lembra.

Mas clientes com numerações maiores não são os únicos que reclamam da falta de opções nas sapatarias da cidade. Quem tem o pé pequeno compartilha a insatisfação com o serviço. “As lojas não pedem uma quantidade suficiente. Não temos variedade de modelos e não encontramos peças em lojas populares. Acabamos comprando em lojas mais caras”, relata  a funcionária pública Karen Pontes, que, para evitar dores de cabeça, passou a fazer amizade com os vendedores de algumas lojas, que ligam avisando quando chegam as novas coleções. Ela calça número 33.

Gilmar Miranda - Estudante

“Em Manaus,   os modelos vão até o 52, número que uso, mas fico nesse limite que pode variar conforme a marca. Tenho mais dificuldade para comprar calças, mas também acontece com alguns formatos de camisa. Não gosto de comprar roupa, fico triste, desmotivado, porque é a roupa que me escolhe, não o contrário. Os vendedores ficam oferecendo as peças e,  como já estou na loja, acabo comprando. Mas é uma situação chata. Quando encontro uma loja com roupas que me sirvam, eu volto sempre. Nesses locais, nem experimento mais, vou pedindo minha numeração e compro. Recentemente,  uma loja de departamento  passou a vender números maiores e que posso escolher o que vou vestir. Tenho comprado lá”.