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Cotidiano
POLÍTICA

Quatro da bancada do Amazonas livram Michel Temer de investigação

Único voto do Amazonas contra o parecer e favorável à abertura do processo foi da deputada Conceição Sampaio 25/10/2017 às 19:51 - Atualizado em 25/10/2017 às 20:07
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Foto: Reprodução/Internet
Antônio Paulo Brasília (DF)

Com o apoio de quatro dos oito deputados federais do estado do Amazonas, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (25), por 251 votos a favor e 233 contrários, o relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) que nega a autorização para o Supremo Tribunal Federal (STF) processar o presidente da República, Michel Temer, e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) por crimes de formação de quadrilha e  obstrução de Justiça com o intuito de arrecadar propinas, estimadas em R$ 587 milhões.

Para que a Câmara dos Deputados cumprisse as determinações da Constituição Federal (artigo 51), seriam necessários 342 votos (dois terços da Casa) para processar o presidente da República e esse quórum era o que a oposição precisava. Faltaram 109 votos. A base de Temer necessitava de 171 votos para barrar a denúncia e obteve 251. Na primeira denúncia, em agosto, o governo também venceu por 263 a 227. Na votação desta quarta-feira, houve 24 ausências e duas abstenções.

Votos do Amazonas

Com os votos “sim”, ficaram ao lado de Temer os deputados federais: Alfredo Nascimento (PR-AM), Átila Lins (PSD-AM), Pauderney Avelino (DEM-AM) e Silas Câmara (PRB-AM). O único voto contra o relatório e a favor da abertura do processo no STF foi o da deputada Conceição Sampaio (PP-AM), embora a liderança do partido tenha encaminhado voto “sim” em plenário. A parlamentar manteve a mesma posição da primeira denúncia rejeitada pelo plenário em agosto deste ano.

Três deputados amazonenses não participaram da sessão de votação: Hissa Abrahão (PDT-AM) e Sabino Castelo Branco (PTB-AM) estão de licença médica e a grande surpresa foi a ausência do deputado Carlos Souza (PSDB-AM) que tinha voto dado como certo. De acordo com o parlamentar, o TSE ainda não homologou a sua filiação ao PSDB e o seu partido ainda é o PSD, que orientou os seus parlamentares a votar a favor do presidente Michel Temer, por isso, Carlos Souza optou por se abster da votação para não cometer infidelidade partidária, uma vez que, seu voto seria contra Michel Temer.

Ausência de Hissa

Somente na tarde da última terça-feira (23), soube-se que Hissa não iria comparecer ao plenário porque está de licença médica por ter quebrado o pé. Mas, nos bastidores políticos, comentou sobre uma “licença providencial” resultado da ação direta do governador Amazonino Mendes(PDT) que teria pedido ao parlamentar que não comparecesse à sessão.

Parlamentares do Amazonas e do próprio PDT chegaram até a comentar: “No Senado, Romero Jucá (PMDB-SP) veio de São Paulo, onde passou duas semanas internado no hospital Sírio Libanês, com uma diverticulite aguda, para votar a favor de Aécio Neves (PSDB-MG); e o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) chegou de cadeiras de rodas, vindo de Goiânia, votar contra o senador mineiro. Por que o deputado Hissa não foi com o pé engessado votar contra o presidente Temer, já que o PDT orientou voto não”, comentou um deputado que pediu para não ter seu nome divulgado.

Apesar de mais de duas dezenas de ligações ao deputado Hissa Abrahão, nenhum dos telefones (de Manaus e Brasília) atendeu. A assessoria do governador Amazonino também negou qualquer interferência política.

Sabino Castelo Branco (PTB-AM) está afastado do mandato desde 13 de agosto após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Coerência política

A deputada Conceição Sampaio, o voto isolado da bancada amazonense contra Temer, não fez pronunciamento nem qualquer manifestação à imprensa ou nas redes sociais antes da votação. Diz-se que sofreu muita pressão, nos últimos dias, da liderança do PP para mudar o voto. “Novamente, agi com a minha consciência e coerência política. Não podia votar ‘sim’ ao relatório se não primeira denúncia eu votei não. E meus eleitores que me deram este mandato? O que diria a eles? Por mais pressão que se sofra, não se pode trair quem lhe confiou os votos na eleição”, argumentou a parlamentar. Conceição Sampaio disse ainda que a autorização ao Supremo deveria ter sido dada porque é lá que as investigações serão feitas, as provas confrontadas. “Não é possível um país conviver com uma mancha política deste nível. Precisamos passar a limpo o Brasil”, declarou após votar em plenário.

Justificativas dos votos “sim”

O deputado federal Alfredo Nascimento (PR-AM) disse que seu voto a favor do relatório do deputado Bonifácio Andrada, negando a autorização ao STF para processar Temer, deveu-se ao fato de que o país não suportaria três eleições presidenciais. “Em caso do afastamento do presidente Temer, assume o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que convoca eleição indireta em 180 dias. Em outubro de 2018, nova eleição. Isso gera uma instabilidade política sem precedentes”, disse Alfredo.  

Os deputados Átila Lins e Silas Câmara reiteraram os argumentos antecipados ao jornal A CRÍTICA. Votaram “sim” para tirar o Brasil do caos político e reerguer a economia. “Tirar um governo que já acabou será pior ficar ou cair? Estamos a 12 meses das eleições e a economia está dando sinais de melhora, com PIB subindo 0,7%, enquanto no mesmo período do ano passado havíamos encolhido 6%”, argumentou Silas Câmara. O deputado não teme reação negativa dos eleitores ano que vem, pelo voto dado, “porque o eleitor quer saber quem trabalha, quem estar junto das comunidades para ajudá-lo”.

Átila Lins alegou melhorias nos índices econômicos, como a inflação, queda dos juros e aumento do emprego. Também analisa o fator estabilidade política e a continuidade do processo depois que o presidente deixar o cargo. “Eu, meus colegas de bancada e da base do governo, ao votarmos com o relator da CCJ, não estaremos arquivando os processos nem as denúncias, mas sobrestando, adiando esse julgamento para depois de 2018. Se o presidente Temer tem culpa, ele vai ter que responder e responder na primeira instância, lá na 13ª Vara da Justiça Federal, no Paraná, onde está o juiz Sérgio Moro, ou com o juiz Marcelo Bretas (Rio de Janeiro) ou ainda em Brasília, com o juiz Valisney Oliveira, que cuidam dos processos da Lava-jato”.

O deputado disse estar de cabeça erguida para enfrentar os eleitores dele em 2018 porque não cometeu nenhum ilícito, não está nas investigações da Lava-Jato ou sendo processado pelo STF por crimes de corrupção.

Pauderney Avelino não quis se pronunciar sobre os motivos que o levaram a repetir o voto “sim” para livrar Michel Temer do processo por crime de formação de quadrilha e obstrução à justiça.