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"Quero pedir perdão", diz Lindemberg a mãe de Eloá ao falar sobre caso pela primeira vez

"Eu era muito amigo da família", disse Lindemberg durante o seu julgamento no fórum de Santo André (Grande São Paulo), que hoje entrou no terceiro dia. "Quero pedir perdão para a mãe dela em público, pois eu entendo a sua dor", afirmou. "Estou aqui para falar a verdade, afinal tenho uma dívida muito grande com a família dela [Eloá]." 15/02/2012 às 16:27
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Lindemberg Alves aguarda início de seu julgamento no Fórum de Santo André, na Grande São Paulo, na manhã desta segunda-feira (13). Ele responde pela morte da jovem Eloá Pimentel. Em outubro de 2008, Lindemberg manteve Eloá, sua ex-namorada, como refém por cerca de cem horas
Débora Melo Do UOL Santo André (SP)

Ontem, a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, encarou o réu enquanto esteve no plenário. "Não vi arrependimento nele, ele não pediu perdão", afirmou. Ela disse ainda que estava preparada para ouvir o que Lindemberg tinha a dizer. "O pior já passou, que foi perder minha filha."

O depoimento do réu começou por volta das 14h com a leitura da acusação, feita pela juíza. Segundo Lindemberg, ele e a vítima mantiveram relacionamento amoroso por dois anos e 3 meses e haviam retomado havia cinco ou seis dias --o que a família não confirma.

Lindemberg afirmou que ficou surpreso ao encontrar Iago Oliveira, Victor Lopes de Campos e Nayara Rodrigues no apartamento --os amigos da jovem estavam reunidos para fazer um trabalho de escola e todos foram feitos reféns no primeiro dia do cárcere. "A Eloá ficou assustada ao me ver", relembrou o réu. "Mandei os três saírem do apartamento pois eu queria conversar com ela sozinha. Mas eles se recusaram."

Durante o interrogatório, Lindemberg justificou porquê entrou no apartamento da vítima com uma arma. "Estava armado, pois dias antes recebi ameaças de morte pelo telefone. Era para garantir minha segurança", declarou.

Para Lindemberg, Eloá estaria o traindo com Victor Lopes de Campos --que prestou depoimento na segunda-feira como testemunha. Ele então teria pedido para conversar com a vítima e ela teria gritado. "Puxei a arma para Eloá quando ela começou a gritar comigo, mentindo que ela não tinha ficado com o Victor", alegou. "Qualquer outra pessoa teria tido uma reação extrema. Eu fui muito calmo."

O réu também falou sobre o momento da chegada da polícia ao local. "Quando a polícia chegou, fiquei apavorado. Não sabia o que fazer", relata.

Após o depoimento do réu, os debates são abertos, com uma hora e meia para a acusação e uma hora e meia para a defesa, além da réplica e da tréplica. Somente depois disso, os jurados vão dar seu parecer e, depois, a juíza lerá o veredicto. O julgamento pode acabar ainda hoje.

Terceiro dia de julgamento

O terceiro dia de julgamento começou com o depoimento de Paulo Sergio Schiavo, que hoje é primeiro-tenente da Polícia Militar, mas na época era agente do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) e comandou a operação de invasão do cárcere privado. Segundo ele, quando ajudou a imobilizar Lindemberg após a invasão, o réu dizia “matei, matei”. “Ele disse, eufórico, que havia conseguido matá-la: ‘matei, matei’”, relembrou.

Antes de Lindemberg falar, sua advogada, Ana Lúcia Assad, se dizia "muito otimista e muito confiante que o princípio da descoberta da verdade real será aplicado nesse plenário". O termo “princípio da descoberta da verdade” causou polêmica ontem, quando a juíza Milena Dias disse que ele não existe ou tem outro nome. “Então a senhora precisa voltar a estudar”, retrucou a advogada à juíza.