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'Quinteto Fantástico' está longe do trabalho pesado nas delegacias

Dos cinco integrantes do " Quinteto Fantástico" apenas um atua como delegado, ainda assim na capital 04/05/2012 às 07:33
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Caio César Nunes é filho do delegado-geral do AM, Mário César. Ele saiu da 897ª colocação no concurso para 119ª
Leandro Prazeres e Mônica Prestes Manaus

A trajetória profissional na Polícia Civil dos candidatos conhecidos com o “Quinteto Fantástico” é marcada por privilégios e polêmicas. Enquanto a maioria dos aprovados no concurso de 2009 foi lotada no interior do Estado, Caio César Nunes, Indra Celani Leal, Laura Câmara, Thomaz Vasconcellos e Herbert Lopes têm cargos confortáveis dentro da instituição, ocupando postos de confiança e contrariando regulamentos. Um ano depois de nomeados, apenas Herbert Lopes ainda atua como delegado.

O “Quinteto Fantástico” é como ficou conhecido o grupo de cinco candidatos que mesmo reprovados no concurso da Polícia Civil de 2009 foi nomeado como delegado em 2011. A lista dos privilegiados começa com Caio César Nunes. Sua primeira lotação foi o Município de Presidente Figueiredo, a apenas 110 quilômetros de Manaus e com direito a ajuda de custo. Ele passou pouco mais de cinco meses no município, mas deixou um rastro de confusão e problemas. Ele foi um dos delegados responsáveis pela operação Cachoeira Limpa, que resultou na morte do empresário Fernanto Pontes, o “Ferrugem”. O Ministério Público encontrou indícios de que os policiais envolvidos “montaram” o local da morte de “Ferrugem” e Caio responde a processo por prevaricação.

Depois desse imbróglio, Caio foi deslocado para Manaus, e depois para Itapiranga, mas logo voltou a Manaus, em outubro do ano passado. Ele foi cedido pela Polícia Civil e agora está cedido ao Tribunal de Justiça. Ele dá expediente interno na Terceira Vara do Tribunal do Juri.

SUPER SECRETÁRIO
Thomaz Vasconcellos goza de privilégios ainda mais notáveis. Ele ocupa, desde 2007, o cargo de secretário-executivo de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública. Desde que foi nomeado, em abril de 2011, nunca exerceu, efetivamente, o cargo de delegado. Ele é o encarregado de monitorar e montar todas as ações de “espionagem oficial”. Tanto poder faz com que seus desafetos o chamem de “super-secretário”.

Mas a lista de privilégios não termina aí. Em 2009, uma lei estadual concedeu uma pensão vitalícia a Thomaz Vasconcellos no valor de R$ 13 mil, além de outros benefícios entre os quais um carro blindado.

Outra “fantástica” é Laura Câmara. Prima do deputado Silas Câmara, ela ocupou, durante alguns meses, um cargo da Delegacia Especializada do Consumidor, em Manaus, uma das menos conhecidas do grande público. Passou pouco tempo por lá e agora trabalha na assessoria jurídica da Polícia Civil, sem exercer, efetivamente, o cargo de delegada.

Indra Celani Leal, que também foi nomeada por recomendação de Mário César Nunes, trabalha na chefia de gabinete do seu “mecenas”, posto que já exercia antes mesmo da nomeação ter sido oficializada.

Herbert Ferreira Lopes, irmão do desembargador Flávio Pascarelli, atua em uma dos mais prestigiados departamentos da Polícia Civil do Amazonas, o de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).

OUTRO LADO
A reportagem de A CRÍTICA tentou contato com os cinco integrantes do “Quinteto Fantástico” para questionar a natureza de seus privilégios. Caio, que trabalha no Fórum Henoch Reis não foi localizado pela reportagem ao longo desta semana.

Laura Câmara disse que não pretende se pronunciar sobre sua nomeação e nem sobre o cargo que ocupa.

Indra Celani Leal, procurada pela reportagem na última quarta-feira, não se encontrava no gabinete onde deveria dar expediente e também não retornou às chamadas telefônicas. O mesmo aconteceu com Herbert Lopes. Procurado pela reportagem, o delegado não retornou às ligações feitas ao longo de toda a quarta-feira.

O secretário Thomaz Vasconcellos recebeu a reportagem de A CRÍTICA em seu gabinete na última semana, mas não se pronunciou sobre sua nomeação. “Não quero comentar este assunto. Entre com o processo por entender que eu tinha direitos. Se a Justiça entender o contrário, fazer o que?”, disse.

ESTRANHO
Questionado ontem sobre as denúncias contra Mário César Nunes e os privilégios do “Quinteto Fantástico”, o governador Omar Aziz (PSD) disse que irá esperar a decisão da Justiça sobre o processo movido pelo grupo, mas afirmou que considerava “estranha” a nomeação deles. “Eu não tenho porque estar protegendo A, B ou C se tiver alguma coisa errada... É estranho,  viu? Porque se essa moda pega nós vamos ter muito problema”, disse o governador.