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Cotidiano
Perigo ramal

Ramal clandestino aberto em área do Distrito Industrial I apavora moradores de Conjunto Residencial

Com a abertura da via, residentes nas imediações dizem serem cada vez mais frequentes assaltos e estupros na área 08/01/2012 às 11:01
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Caminho clandestino dá acesso ao Nova República. Moradores pedem que seja colocado um gradil no local, restringindo acesso
Carolina Silva Manaus

A abertura de um ramal clandestino em uma Área de Preservação Permanente (APP), localizada no Distrito Industrial I, Zona Sul de Manaus, tem preocupado trabalhadores e moradores de um conjunto residencial particular que fica próximo ao local, pois o acesso tem facilitado a prática de crimes como assaltos e até mesmo estupro.

Mesmo com uma placa de acesso proibido e identificando que a área é propriedade particular da Eletrobras/Amazonas Energia, por conta das torres elétricas instaladas no local, motos e carros utilizam o acesso clandestino que interliga a entrada do conjunto residencial ao conjunto Nova República. Segundo Marcos*, um dos moradores, quando o condomínio foi inaugurado o ramal clandestino já existia e, supostamente, foi aberto por moradores do conjunto Nova República.

 “Como só tinha uma ponte que dava acesso àquele conjunto, quando chovia os moradores de lá ficavam ilhados porque o igarapé transbordava. O ramal se tornou uma alternativa para sair do conjunto Nova República quando chove e a ponte fica intransitável”, afirma.

A moradora Lúcia* diz que os assaltantes abordam as vítimas a qualquer hora do dia devido a pouca movimentação no local e ela teme, principalmente, pela insegurança dos trabalhadores do condomínio. “Os funcionários da empresa de segurança daqui do conjunto e as domésticas precisam saltar do ônibus na avenida Buriti e vir andando para cá. Como os assaltantes se escondem no matagal desse ramal, ficam só esperando as vítimas passarem pelo local”, denuncia.

Ainda segundo Lúcia, uma ex-moradora já sofreu tentativa de estupro no “ramal das torres”, como também é chamado, quando voltava do trabalho para o condomínio. “Um homem abordou ela por volta das 19h. Ele amarrou as mãos dela e a amordaçou para estuprá-la, mas ela conseguiu fugir e chegou aqui no condomínio apavorada”, relata. Segundo ela, uma das soluções seria o bloqueio desse ramal. “A Amazonas Energia deveria colocar um gradil para isolar essa área e deixar o acesso restrito apenas aos funcionários dela quando viessem fazer manutenção nas torres”, disse.

Outro morador também informou que já houve tentativas da direção da associação de moradores para que fosse bloqueada a entrada principal do conjunto residencial para garantir a segurança do local, mas nada foi resolvido devido a conflitos que envolvem a propriedade das terras. “Uma hora dizem que essa área é da Suframa, outra dizem que é do Governo Federal e, por isso, não pode ser tomada uma providência por parte da direção do conjunto residencial. Procuramos até o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam)”, esclareceu o morador.

 *Nomes fictícios

 

Sete estupros foram registrados em 2011

De acordo com a gerência de informações do 7º Distrito Integrado de Polícia (7º DIP), de janeiro a dezembro de 2011 foram registrados sete boletins de ocorrência de estupros nas proximidades do conjunto residencial.

No último dia 4 de dezembro, uma mulher, que não teve o nome revelado pela polícia, funcionária da empresa de segurança que presta serviços ao condomínio, foi estuprada no “ramal das torres” por volta de 6h30. Ela foi abordada após descer do ônibus, na avenida Buriti, a caminho do residencial.

Segundo o delegado titular do 7º DIP, Marcelo Pilar, onde foi registrada a ocorrência, há uma dificuldade em evitar a prática desse tipo de crime no local uma vez que a área tem poucas habitações devido ao parque industrial situado ali. “O que facilita esses crimes também são as várias áreas de matagal e que não tem como ter um controle dos criminosos que se escondem nelas”, explicou. Também acrescentou que as providências já estão sendo tomadas para combater esses crimes no Distrito Industrial I.