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Reajuste dos servidores estaduais do Amazonas é descartado

Governador José Melo ressalta que escolheu não reduzir salários dos servidores, sacrificando investimentos em ano de crise 14/10/2015 às 10:34
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Governador José Melo respondeu à pressão dos servidores que buscam reajustes falando de possíveis cortes. Hoje, haverá reunião com representantes de diversas categorias para discutir o assunto
Natália Caplan ---

Pressionado por servidores estaduais insatisfeitos com seus salários e que ameaçam fazer greve por reajustes, o governador José Melo disse que, neste momento de crise financeira, os funcionários devem ser gratos por terem um trabalho e que quem busca aumento no cenário atual não está pensando direito. A afirmação foi feita ontem, durante uma coletiva na sede do governo, sobre os municípios da Região Metropolitana de Manaus que tiveram estado de emergência decretado por conta da fumaça das queimadas.

Hoje, o governador se reúne com representantes do Sindicato dos Escrivães e Investigadores da Polícia Civil (Sindeipol), da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia e Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (ACS) e da Associação dos Praças do Estado do Amazonas (Apeam), que cobram a data base e falam em paralisação. “Não é hora de falar disso. Quem está no Brasil, no Amazonas, tem que dar graças a Deus que está recebendo”, afirmou.

Diferentemente de outros governos, ressaltou, ele se recusou a diminuir os vencimentos dos funcionários efetivos. Entretanto, declarou que as exigências o fazem até repensar se errou em não ter tomado tal decisão. Para Melo, é preciso lembrar que o Brasil está em uma grave crise, política e financeira, recorde nos índices de desemprego, quedas na arrecadação; com cidades e Estados praticamente sem recursos.

“Eu poderia ter feito como outros Estados fizeram: cortaram 30% do salário dos servidores e, com isso, fizeram os investimentos. Mas eu tomei a decisão de não tirar dinheiro dos servidores; eu preferi sacrificar um ano de investimentos. Podem até me induzir a eu achar que errei. Que, agora, eu deveria cortar 30% do salário dos servidores para poder fazer os investimentos”, ponderou.

O governador, inclusive, usou o exemplo das demissões em massa no Polo Industrial de Manaus (PIM) — um total de 22 mil pessoas, segundo o governo — e da reforma administrativa feita por ele para enxugar os gastos do governo, que resultou na extinção e fusão de pastas. Além disso, mil cargos comissionados foram extintos porque o Estado ultrapassou o limite prudencial exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

“Até a poderosa Federação das Indústrias (Fieam) reduziu o número de trabalhadores. Quem deveria estar triste são os mil servidores do Estado que eu tive que tirar da folha dos comissionados. Praças, soldados, sargento, tenente, servidores administrativos pensarem em aumento me dá o direito também de pensar em corte. Eu sacrifiquei um ano de investimento, dinheiro que eu poderia fazer escolas e hospitais”, enfatizou.

José Melo garante apoio a Artur

O governador José Melo (Pros) reafirmou, na manhã desta terça-feira (13), que apoiará a candidatura à reeleição do prefeito Artur Neto (PSDB) no ano que vem. A declaração foi dada durante entrevista coletiva sobre a decretação de estado de emergência em 12 municípios por conta das queimadas.

José Melo foi questionado sobre uma pré-candidatura do vice-governador, Henrique Oliveira (SDD), quando respondeu: “Eu sempre falei e vou repetir: eu tenho um compromisso com a reeleição do Artur. O Artur ajudou na minha eleição e na do Henrique também, não é?”.

Melo disse que Henrique nunca tratou sobre pré-candidatura com ele e que, por isso, não pode trabalhar com hipóteses.

“O meu caminho nessa próxima eleição será o de ajudar a reeleição do Artur. Afinal de contas, a minha história de vida sempre diz que eu sempre honrei, sempre retribuí as pessoas que fizeram gentilezas comigo. O Artur fez isso, me ajudou, como muitos prefeitos me ajudaram, outros não. Aqueles que me ajudaram terão toda a minha ajuda, minha solidariedade no momento em que lançarem as candidaturas deles”, afirmou José Melo.

“Em relação ao Henrique, até hoje ele não conversou comigo sobre candidatura de nenhuma natureza”, completou.

Espaço para mudanças

O governador do Amazonas, José Melo (Pros), também foi questionado pela equipe do jornal A CRÍTICA sobre os rumores de que haveria trocas na titularidade da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM). Ambos são comandados, respectivamente, por Rossieli Soares e Leonel Feitoza.“Você nunca pode dizer ‘dessa água não beberei’, porque o governo é dinâmico. Ele muda, se adapta. As pessoas permanecem até quando tiverem condições. Mas não passa pela minha cabeça tirar o Rossieli e o Leonel. Como não passa pela minha cabeça tirar ninguém agora. Mas não quer dizer que eu não possa fazer uma mudança no meu governo”, declarou.

Já a data base dos 124 delegados que voltaram a ser comissionários após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), não foi definida ainda. Agora em cargos administrativos, eles continuam a receber os mesmos salários e gratificações. “Só podemos tratar disso depois que o Supremo fizer os procedimentos de publicação e tudo mais. Tenho um grupo trabalhando em cima disso”, resumiu.

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Representantes do gabinete do governador acionaram a diretoria da Associação dos Praças do Estado do Amazonas (Apeam) para uma nova reunião sobre a data-base da categoria, marcada para às 15h de hoje, na unidade da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) localizada na avenida Djalma Batista. Desta vez, a conversa será diretamente com José Melo (Pros). Também participam os Sindicato dos Escrivães e Investigadores da Polícia Civil (Sindeipol) e a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia e Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (ACS).