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Rede Sustentabilidade se apresenta ao Amazonas como partido da mudança

Em meio a crise política e financeira, o partido oficializado recentemente aparece com uma proposta ética e plural. Um discurso que todos querem ouvir, mas resta saber na prática se terão fôlego para conquistar o eleitorado e virar o jogo político tão desgastado. Alianças começam a se formar 12/10/2015 às 13:34
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Primeira convenção da Rede Sustentabilidade acontece neste sábado e domingo (10 e 11)
Janaína Andrade Manaus (AM)

Oficializado como partido, a Rede Sustentabilidade dá sinais de repetir com o PSB a aliança de 2014, quando os socialistas abrigaram candidatos do grupo de Marina Silva, após a Justiça Eleitoral rejeitar o pedido de criação da legenda. Há um ano da eleição de 2016, a única sigla que a Rede afirma que não vai se aliar é ao PR, do ex-deputado estadual, Marcelo Ramos.

A primeira convenção do partido, após obter o registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral, contou com a presença do líder do PSB no Amazonas, o deputado Serafim Corrêa e o presidente estadual da sigla, o vereador Marcelo Serafim.

Boa parte da rejeição da Rede ao partido de Marcelo Ramos é resultado da maneira como o político abandonou a sigla as vésperas de conseguirem o registro junto ao TSE. Desde o começo do ano, Marcelo Ramos, ao cogitar a saída dele do PSB, de Serafim Corrêa, por suposta falta de espaço para a eventual candidatura, afirmava que o seu provável destino seria a Rede.

Em maio, Ramos chegou a afirmar que só decidiria sobre a eventual filiação em outra legenda depois que a Rede obtivesse o registro no TSE. Entretanto, no dia 19 de setembro Marcelo Ramos anunciou sua ida para o PR, de Alfredo Nascimento, que pertence a escola dos ex-governadores Gilberto Mestrinho e Amazonino Mendes, tão criticada por ele. Três dias depois, o TSE autorizou o registro da Rede Sustentabilidade.

Outra sigla que também participou da convenção partidária da Rede, que ocorreu neste final de semana no plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM), foi o PSOL, que no Amazonas é presidido por Elson de Melo.

Em entrevista ao A CRÍTICA, o porta-voz nacional da Rede, Tácius Fernandes, voltou a afirmar que a prioridade do partido é a formulação de um programa de governo para a cidade de Manaus. “E esse programa será feito em várias mãos, não apenas pela Rede, mas também com o PSB e o PSOL, e ainda com os núcleos vivos da sociedade. Não há hoje nenhuma possibilidade de apoiarmos o Marcelo Ramos. Hoje o campo em que ele se encontra é o inverso do que estamos. É outro pólo, e não é de mudança. É ainda, infelizmente, do continuísmo, de pessoas que estão no poder há pelo menos 30 anos”, declarou.

Líder da Rede na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), o deputado Luiz Castro, que figura nos bastidores como possível  candidato à Prefeitura, fez um discurso de quem está se preparando para a eleição e afirmou que o partido não possui cacique, mas que considera irrealista não participar do processo eleitoral de 2016. “Quero dizer aos amigos do PSB e do PSOL, que vocês são muito bem vindos e muito inspiradores para nós. Que a Rede venha como uma grande semeadora de esperança, mas trazendo aquilo que o Hino do Amazonas diz – Não vence a esperança que não luta, só triunfa a esperança que luta”, disse Castro.

Esquerda promete a união

O presidente estadual do PSOL, Elson Melo, afirmou que as siglas de esquerda deveriam trabalhar juntas desde agora. “Eu acho que nós temos que nos unir desde já. A Rede já nasce junto com o PSOL, primeiro, para uma batalha onde não aceitaremos de forma nenhuma que a política de direita tente nos calar, tente nos intimidar, ou fazer com esses partidos que tem ideias diferentes não avancem em seus projetos”, avaliou. Elson afirmou que a presença do PSOL na convenção da Rede se justifica por acreditar na possibilidade de trabalharem em parceria “numa política diferenciada, inaugurando o novo”. “Espero que a Rede mantenha essa postura de um partido que se organiza de forma diferente e coletiva. Eu não sou romântico de dizer que tudo se resolverá através do consenso, mas espero que aja diálogo, respeito e luta”, concluiu. O Movimento Ficha Verde, na figura da professora Rita Mesquita, também esteve no evento. “Espero que a Rede faça uma contribuição para que a gente foque nos debates naquilo que interessa ao cidadão, pois temos visto pouca densidade nos debates eleitorais”.

Blog: Marcelo Serafim, presidente estadual do PSB

"Quero dizer que a Rede tem no PSB, assim como vejo que tem no PSOL, um partido parceiro. Em muitas campanhas nós caminharemos juntos, em outras talvez, não. Mas eu quero dizer que o nosso espaço será sempre de diálogo com as forças que estão mais a esquerda e que querem efetivamente uma sociedade diferente, porque a esquerda também tem pecados, e nós como partidos de esquerda temos que ter essa base. Nós temos que ter o entendimento de que a podridão na política ela acontece na esquerda, na direita e no centro. E que nós temos que trabalhar para que no nosso segmento essa podridão possa ser extirpada. Esse não é um trabalho fácil, nem um jogo fácil, e a Rede que nasce nesse momento, tem no PSB a sempre mão amiga, a mão companheira, para que a gente possa ajudar vocês todas as vezes que formos chamados, seja nas discussões, nas conversas, em um projeto diferente para a nossa cidade e para o nosso estado”, declarou o vereador Marcelo Serafim.

Personagem: Luciana  Valente, porta-voz da Rede  Sustentabilidade

Porta-voz da Rede, no Amazonas, Luciana Valente, declarou que o PSB e o PSOL são siglas com as quais a Rede pretende caminhar. “Sempre dialogando, sempre com respeito, porque são partidos que representam o que nós entendemos ser a boa política -  a política com princípios, com ideologia”, disse. Luciana afirmou, em entrevista, que não é necessário “fulanizar” ou dar nomes aos partidos que a Rede jamais irá caminhar juntos, mas deu algumas dicas.

“Não estamos aqui para perseguir partidos políticos, mas também não vamos jamais filiar aqueles políticos que votam contra os direitos humanos, que são racistas, homofóbicos. Esses seis meses até a janela (partidária) é um tempo até pequeno, então eles (políticos com mandato) tem que começar a se posicionar e não chegar no último dia e dizer que querem ser da Rede”.