Publicidade
Cotidiano
MEIO AMBIENTE

Reinauguração de torre de observação marca 63º aniversário de funcionamento do Inpa

Torre construída na década de 1970 para propiciar medições meteorológicas tem 40 metros de altura 26/07/2017 às 17:50
Show inpa
Atividades no Bosque da Ciência também fazer parte do aniversário do Inpa (Foto: Reprodução / Acervo Museu na Floresta )
acritica.com Manaus (AM)

A mais antiga e robusta torre no dossel da floresta da Amazônia brasileira volta à ativa nesta quinta-feira (27), quando o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTIC) comemora 63 anos de funcionamento.  A reinauguração da Torre do Km 14 da estrada ZF-2 faz parte da programação de aniversário do Instituto.

A programação conta ainda com edição especial do projeto de socialização do conhecimento Circuito da Ciência, na manhã da sexta-feira (28), e Virada Sustentável Manaus com cerca de 30 atividades educativas e culturais no fim de semana, sem contar que de quinta-feira a domingo (27 a 30) o Bosque da Ciência estará com entrada gratuita. O bosque fica na Rua Bem Te Vi, s/nº, Petrópolis, e funciona de terça-feira a domingo. Segunda-feira é fechado para manutenção.

As obras da torre começaram março deste ano. O objetivo da obra é permitir que mais pesquisas sejam implementadas e que exista maior interação com o público por meio do turismo científico e da divulgação dos conhecimentos. A torre está localizada no Km 14 do ramal ZF-2, com entrada na altura do atual Km 934 da BR-174 (antigo Km 50).

Construída na década de 1970 para propiciar medições meteorológicas, a torre da ZF-2 já serviu de base de pesquisas para diversos projetos do Inpa, nas áreas de fenologia de árvores, ciclos químicos atmosféricos, mudanças climáticas e de várias teses e dissertações de pós-graduação.  Com seus 40 metros de altura e plataforma de 36 metros quadrados, cercado por 360 graus de floresta intacta até o alcançar da vista, também se tornou destino preferido para a observação e fotografia de aves e para cursos sobre a floresta amazônica.

Para o diretor do Inpa, Luiz Renato de França, essa torre tem um simbolismo interessante. Ao mesmo em que é que renovada com uma vertente mais turística e educacional, é também uma relíquia. “É o novo com o velho juntos numa formatação diferente para um novo momento do Inpa, que tem história e protagonismo de pesquisa na Amazônia”, destaca.  

De acordo com França, apesar do período crítico pelo qual passa o país, o Inpa segue sua trajetória “relativamente bem”, cumprindo suas obrigações com pesquisas, publicações, eventos, colaborações, formação de recursos humanos e aproximação com a sociedade com as capacitações e visitações. Em agosto, o Instituto deve inaugurar o prédio da Coordenação de Capacitação.

“Gostaríamos de ter mais verbas para pesquisas e aumentar os nossos recursos humanos, mas temos expectativa de termos recursos suplementares e contratação de pessoal”, revelou França. Atualmente o Inpa possui 145 projetos de pesquisas em execução, cerca de 600 servidores na ativa dos quais aproximadamente 200 são pesquisadores e tecnologistas. De 2014 a 2016, o número de publicações científicas permaneceu estável, com quase 600.

Experiência inigualável

De acordo com o pesquisador do Inpa e integrante do projeto Museu na Floresta, o ornitólogo Mario Cohn-Haft, a torre da ZF2 é crucial para pesquisas e observações, oferecendo uma experiência inigualável. “Essa torre tem uma importância histórica, por ser a mais antiga da Amazônia ainda em pé e servindo de inspirações para outras torres. É um equipamento bem construído, de peso e grau de segurança incríveis”, lembra.

A recuperação da torre é uma obra do projeto Museu na Floresta, uma parceria do Inpa com a Universidade de Kyoto, e com o patrocínio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica).  O projeto tem por finalidade a conservação da biodiversidade na Amazônia com base em um novo conceito de museu. 

O Museu na Floresta oferece não apenas espaços expositivos tradicionais com uma narrativa de como podemos viver em harmonia com a floresta, mas mostra na prática, por meio de vivências, como isso é possível. 

“Durante todos esses anos da torre ela nunca sofreu uma manutenção tão detalhada e minuciosa agora. Vamos ter novamente essa torre fantástica provavelmente por outros 50 anos no mínimo e que vai oferecer oportunidades para pesquisa e principalmente de visitação do não cientista que tem interesse na natureza, na preservação, como os observadores de pássaros”, disse a coordenadora no Brasil do projeto Museu na Floresta, a pesquisadora do Inpa vera da Silva.

Além de restaurar a torre da ZF-2, o Museu na Floresta está revitalizando estruturas existentes do Inpa, como a exposição na Casa da Ciência, o sistema de filtragem da água dos tanques dos peixes-bois, ambos no Bosque da Ciência, e faz a instalação da base de pesquisa e de turismo científico no rio Cuieiras, localizada na Reserva Ecológica do Cuieiras, próxima a Novo Airão.

“Essa infraestrutura que o Museu da Floresta proporcionará aos brasileiros é de grande importância, porque abrirá novas perspectivas de trabalho e logística facilitando nossa vida, dos alunos e dos visitantes”, ressaltou Silva.

As visitas técnicas e científicas nas reservas e estações de pesquisas do Inpa são previamente solicitadas à Divisão de Suporte às Estações e Reservas (Diser) do Inpa.