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Cotidiano
EDUCAÇÃO

Reitores são contra proposta que obriga alunos ricos a pagarem por ensino superior

Reitores das duas universidades públicas do Amazonas são contra a proposta, apresentada pelo deputado Caio Narcio (PSDB-MG), presidente da Comissão de Educação da Câmara. Debate ocorre em Brasília 21/08/2017 às 05:00
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Proposta apresentada por deputado se sustenta na falta de recursos das universidades (Foto: Arquivo/AC)
Kelly Melo Manaus (AM)

A crise financeira que atinge o País deixou mais evidente a falta de recursos públicos para universidades públicas do Brasil e acendeu uma discussão na Câmara dos Deputados. Nesta segunda-feira (21), às 10h (horário de Brasília), os parlamentares federais vão debater se alunos ricos devem pagar para frequentar as faculdades públicas brasileiras. Reitores das duas universidades públicas do Amazonas são contra a proposta, apresentada pelo deputado Caio Narcio (PSDB-MG), presidente da Comissão de Educação da Câmara.

Para o reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Cleinaldo Costa, essa espécie de privatização do ensino superior público não é o melhor caminho para tirar as universidades da crise. “A universidade pública é para quem passa no vestibular seja ele rico ou pobre. O sistema de cotas diminui a assimetria no ensino e não é privatizando o ensino que vamos conseguir uma solução. Nós precisamos é de investimento e o País precisa avançar na pesquisa”, afirmou o reitor.

O reitor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Sylvio Puga, também defende a universidade pública gratuita. “Quando apresentamos nossa candidatura, entre os princípios que nortearam nossa chapa, constava a defesa da universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente  referenciada. E esse é o nosso compromisso”, afirmou Sylvio Puga.

A discussão na Câmara será aberta ao público e será transmitida ao vivo por meio do canal E-democracia (https://edemocracia.camara.leg.br).

Crise e a proposta

O deputado Caio Narcio defende que a educação brasileira está em crise pela defasagem entre investimentos nos ensinos básico e superior e que o grande número de alunos de renda familiar elevada matriculados em universidades públicas agrava ainda mais a situação.

“Na minha concepção, essa pessoa precisa pagar a universidade e esse dinheiro pode ajudar tanto na ampliação de vagas para quem ainda não tem acesso quanto na compensação do ensino básico. Acho que a gente deve ter a coragem de enfrentar esse assunto, porque não é razoável que um cara pare uma BMW e vá estudar na universidade pública de graça", afirmou o parlamentar, para  reportagem publicada pela Agência Câmara Notícias, na semana passada.

Em julho deste ano, Cleinaldo Costa chegou a afirmar que a UEA corria o risco gravíssimo de não chegar ao final do ano com as suas contas em dias. Situação mais grave aconteceu também neste ano com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que fechou as portas por tempo indeterminado, por falta de recursos para manter a instituição, além dos salários atrasados dos professores e funcionários.

Convidados

Para debater o tema, a Comissão de Educação convidou a atual e a ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marianna Dias e Carina Vitral, além do coordenador Nacional do Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Patroca Kataguiri, o presidente da Comissão de Direito Econômico da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Luiz Fernando Prudente do Amaral além de outras autoridades.