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Cotidiano
MAUS CAMINHOS

Irmão do ex-governador José Melo foi quem mais recebeu propina na Maus Caminhos, diz PF

Relatório mostrou ranking de vantagens indevidas e propinas que os 11 presos da operação teriam recebido do empresário Mouhamad Moustafa 22/01/2018 às 16:01 - Atualizado em 28/02/2018 às 15:05
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Ex-secretário de Administração, Evandro Melo encabeça a lista de investigados com maior volume de propina, R$ 5,7 milhões. (Foto: Arquivo AC)
Janaína Andrade Manaus

Levantamento feito pela Polícia Federal revela o ranking de vantagens indevidas, incluindo pagamento de propina, que 11 presos da segunda fase da operação Maus Caminhos, batizada de “Custo Político”, teriam recebido do empresário e médico Mouhamad Moustafa, desviando recursos públicos da Saúde no Amazonas. No topo da lista está o irmão do ex-governador José Melo – Evandro Melo, que foi secretário de Estado de Administração e Gestão (Sead). Segundo a PF, Evandro acumulou R$ 5,7 milhões durante o esquema.

Os levantamentos foram incluídos no inquérito produzido pelo delegado da PF e responsável pelas investigações da operação, Alexandre Teixeira, encaminhado na última terça-feira (16) ao Ministério Público Federal (MPF-AM). Ontem, o MPF informou que “ainda não há previsão para apresentar a denúncia”.

Segundo a PF, Evandro Melo auxiliou Mouhamad com liberações de pagamentos desde março de 2015 até a deflagração a Maus Caminhos em setembro de 2016. Também foi verificado que o empresário teria pagado uma quantia mensal de R$ 300 mil. O esquema de propina, segundo a PF,  durou 18 meses. À pedido de Evandro, o empresário teria feito pagamentos mensais de R$ 20 mil ao Blog do Pávulo, que teriam ocorrido de abril de 2015 até a deflagração da operação Maus Caminhos, movimentando  um valor estimado pela PF em R$ 340 mil.

 Cumprindo prisão domiciliar, o ex-secretário de Saúde (Susam), Wilson Alecrim, ocupa o segundo lugar no ranking, tendo recebido R$ 3,6 milhões de vantagens indevidas, sendo R$ 2,5 milhões em propina, de acordo com a investigação. Por 19 meses, o ex-secretário teria recebido uma mesada de R$ 133,5 mil.

Afonso Lobo, ex-secretário da Fazenda teria recebido R$ 2,2 milhões em vantagens indevidas, sendo R$ 1,6 milhão em propina. Lobo, até então é o ex-secretário que recebeu propina pelo maior período – 32 meses, de acordo com a PF, em parcelas mensais de R$ 50 mil. Segundo o levantamento, R$ 600 mil Lobo recebeu por meio de transferências das empresas de Mouhamad para as empresas Lorcam e Fato Online; R$ 9,5 mil em ingressos para eventos; R$ 3 mil em diárias de hotéis; e R$ 33,2 mil em vinhos.

O empresário Silvio Barbosa de Assis, segundo relatório da PF, teria recebido R$ 2 milhões, sendo R$ 172 mil para empresas de terceiros. Numa das conversas interceptadas pelo aplicativo Telegram, o empresário pergunta de Mouhamad: “Amigo, fez o depósito?”,  e o empresário responde: “Amigo, vou chegar em uma hora no escritório, já mandei ao banco para cadastrar a conta e faço”. No relatório, a PF informa ainda que não foi possível encontrar nenhum tipo de contrato, notas ou recibos de prestações de serviços que justificassem o alto valor repassado.

Auxiliar direto de Wilson Alecrim na Susam, o servidor José Duarte dos Santos Filho também ficou milionário desviando recursos públicos. No total, segundo estimativa da PF, Duarte teria recebido R$ 1,8 milhão em propina de Mouhamad, em troca o servidor auxiliava o empresário junto ao governo. Os pagamentos duraram aproximadamente 22 meses. 

Ex-secretário de Saúde, Pedro Elias, teria recebido R$ 1,6 milhão. Segundo a PF, deste total, R$ 100 mil foram em transferências bancárias a pedido de Pedro Elias para parentes; R$ 87,9 mil em “favores” a um dos filhos do ex-secretário – Mateus Batalha de Souza, que incluem o pagamento do aluguel do apartamento em Brasília no valor de R$ 2 mil. Mouhamad chegou a emprestar para Mateus um de seus carros de luxo, um Porsche Cayenne GTS, enquanto o veículo que ele utilizava regularmente passava por reparos.

Ainda para Pedro Elias e membros da família, Mouhamad pagou R$ 92,6 mil em diárias em hotéis de luxo. Entre julho de 2015 a setembro de 2016, o empresário pagou para Pedro Elias R$ 1,4 milhão em propina.

 Dos cinco ex-secretários presos durante a operação Custo Político, o ex-chefe da Casa Civil, Raul Zaidan, foi o que “menos” recebeu vantagens - R$ 249,8 mil. Deste total, Mouhamad usou R$ 197 mil para a compra de um veículo Dodge/Journey para Zaidan e ainda pagou o serviço de blindagem no valor de R$ 47 mil, e mais R$ 5,8 mil no seguro do carro. Vale ressaltar, de acordo com a PF, que foram levantados vários indícios de que Mouhamad realizava pagamentos em espécie a Raul, porém até o momento não foi possível auferir o quanto foi pago.

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