Publicidade
Cotidiano
Notícias

Restaurantes investem em tartarugas nos cardápios

Diante de uma demanda reprimida, restaurantes locais incluem a tartaruga no menu e no buffet, fazendo crescer a procura pelo produto nas casas especializadas. 04/03/2012 às 14:11
Show 1
O empresário Jorge Mussa, do restaurante D’Guste, conseguiu este ano a autorização do Ibama para oferecer tartaruga em seu cardápio
Priscila Mesquita Manaus

Para os apreciadores da culinária regional, não há iguaria que se compare a uma receita preparada com tartaruga. No filé, no guisado ou na farofa, saborear o animal silvestre é sempre um privilégio gastronômico.    

Não por acaso, só aumenta a quantidade de estabelecimentos locais que incluem a tartaruga em seu cardápio, fazendo crescer a demanda dos produtores e das empresas especializadas.

Há um mês, o restaurante D’Guste Gastronomia, que já preparava opções regionais para a clientela, começou a oferecer em seu buffet, aos domingos, o “pacote” completo da tartaruga: sarapatel, farofa, guisado e picadinho. Segundo os sócios do restaurante, Jorge Mussa Dib e Marcus Vinícius Figueiredo,  a inclusão das receitas tem o objetivo de suprir uma demanda reprimida na cidade.

“O amazonense gosta de tartaruga, mas ainda há poucas opções de restaurantes que fornecem. Por isso, entramos com uma solicitação junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que nos autorizou a adquirir o animal junto a fornecedores legalizados”, explicou o empresário Jorge Dib.

Por se tratar de um produto caro e que requer preparação especial (a tartaruga viva precisa ser mantida em uma piscina pequena), o preço do quilo também é diferenciado e custa R$ 80 no restaurante. Em relação às demais opções, o preço pago pela tartaruga é 80% maior. 

Sucesso entre turistas

 Outro restaurante que incluiu a tartaruga no cardápio foi o Waku Sese do Manauara Shopping. Inaugurado no fim do ano passado, o estabelecimento oferece o picadinho de tartaruga, ao preço de R$ 65 (porção individual), que vem acompanhado da farofa de tartaruga e arroz branco. Já no Waku Sese do Vieiralves o público também pode encontrar o guisado, com os mesmos acompanhamentos e um valor semelhante ao do picadinho.

O chef do restaurante da rua Purus, Márcio Ferreira, afirma que o sabor do animal faz sucesso também entre os turistas. “Trabalhamos com a tartaruga há oito anos e recebemos muitos turistas que querem experimentar. Já fomos visitados até por uma emissora de televisão do Japão, que veio gravar o processo de elaboração das receitas”, contou.

Segundo Márcio, os pratos preparados com tartaruga geram um alto custo para a empresa, até por causa do tempo gasto na cozinha. “Embalamos o produto a vácuo, para que o animal não perca o sabor. Em média, gastamos de sete a oito horas em todo o processo de acondicionamento e preparação. Apesar disso, mantemos a tartaruga no cardápio para satisfazer ao gosto do cliente”, explicou.