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Ribeirinhos enfrentam até duas horas de barco para buscar atendimento médico no AM

Sem unidade de saúde, Moradores de São Francisco do Caramuri precisam viajar até duas horas de barco para alcançar o posto médico mais próximo 20/08/2012 às 09:58
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Sem uma UBS na comunidade, moradores de São Francisco de Caramuri precisam enfrentar viagens de barco de até duas horas para buscar atendimento médico, no posto médico mais próximo
Carolina Silva Manaus (AM)

Há mais de dois anos os que moradores da comunidade de São Francisco do Caramuri, localizada na zona rural de Manaus, reivindicam a construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A agricultora Maria Tereza dos Santos, 52, precisa enfrentar cerca de duas horas de viagem em ‘voadeira’ para chegar ao posto de saúde mais próximo, na Vila do Engenho, comunidade que pertence ao Município de Itacoatiara. “Como aqui em Caramuri não tem nenhum auxílio médico, a gente já chega ‘quase morrendo’ na outra comunidade”, desabafou.

Em um ofício datado de 30 de março de 2010, a associação dos moradores de Caramuri solicita da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) a construção de uma UBS e também a aquisição de uma lancha para o transporte de pacientes. No documento, os comunitários informavam os problemas enfrentados pelas famílias por falta de assistência médica, de medicamentos e por conta do difícil acesso ao hospital mais próximo. Até hoje, eles não receberam nenhuma resposta da secretaria.

A comunidade São Francisco do Caramuri já chegou a ter uma pequena unidade de saúde. Hoje, o local funciona como cozinha comunitária, já que não era usada como deveria. “Quando o médico vinha, chegava a atender embaixo da árvore”, informou o vice-presidente da associação dos moradores, Edimar de Lima, 38.

Segunda opção

Outra alternativa para os moradores de Caramuri que precisam de atendimento médico é o Posto de Saúde Rural (PSR), localizado na comunidade de Manápolis. Mas, para chegar até lá, é preciso enfrentar 1h30 de viagem em ‘voadeira’ para ser atendido por ‘apenas’ um enfermeiro, de segunda à sexta.

“Se for um caso de emergência, no final de semana é complicado. Estamos à mercê da sorte, enquanto nosso acesso ao atendimento médico estiver nessas condições precárias. Já levei a minha esposa e minha filha ao PSR de Manápolis e voltamos de lá sem atendimento médico”, desabafou o agricultor Alexandre Martins Teixeira, 26.

De acordo com os moradores, um barco-hospital da Semsa visita a comunidade de Caramuri a cada dois meses. Para eles, o atendimento deveria ser feito com mais frequência. “Se ficarmos doentes e não conseguirmos atendimento médico nas unidades de saúde das outras comunidades, temos que esperar o barco-hospital. Já teve casos na comunidade em que moradores doentes precisaram ser encaminhados para Manaus. Há pouco tempo, uma moradora de 77 anos morreu no caminho”, disse Edimar.

Educação

A CRÍTICA mostrou, neste domingo (19), as condições precárias em que os alunos da comunidade de São Francisco do Caramuri tentam ser alfabetizados.

Em um casebre de madeira, com pouca ventilação, sem banheiro e apenas uma professora para alunos de 6 a 12 anos. É nessas condições que acontecem as aulas na única escola da comunidade.

Muitos moradores pararam os estudos no 5º ano do ensino fundamental já que a escola não tem estrutura para oferecer o ensino médio.

 Comunidade

Na comunidade de São Francisco de Caramuri, que fica localizada no km-133 da rodovia AM-010 (liga Manaus ao Município de Itacoatiara), aproximadamente, 35 famílias que, juntas somam mais de 170 moradores. Boa parte deles vive da pesca.