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Cotidiano
Febre amarela

Risco de surto de febre amarela no Estado do Amazonas é pequeno, afirma Susam

Nos últimos quatro anos, apenas cinco casos da doença foram confirmados no Amazonas, mas a notícia não tranquiliza totalmente a população de Manaus 23/01/2018 às 07:04
Show febre amarela
O auxiliar de portaria Henrique Lopes Souza, 29, vai passar as férias no interior do Estado e correu para se vacinar contra a febre amarela. Foto: Jair Araújo
Silane Souza Manaus (AM)

O risco de surto de febre amarela no Amazonas, como o que vem acontecendo em São Paulo e ocorreu no ano passado em Minas Gerais, é pequeno, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (Susam). Nos últimos quatro anos, apenas cinco casos da doença foram confirmados no Amazonas e todos registrados em zonas rurais, já que no Estado o vírus circula apenas em área silvestre. Mas a notícia não tranquiliza totalmente a população de Manaus, que corre aos postos de saúde para tomar a vacina.

O auxiliar de portaria Henrique Lopes Souza, 29, está de férias e quer ir passar os dias de folga na casa da tia em um sítio nas proximidades da cidade de Manicoré (a 332 quilômetros de Manaus). Como soube que os primos ficaram doentes com dor no corpo e febre, ficou desconfiado e correu para se vacinar antes da viagem.

“Eu não me lembro de ter tomado essa vacina e no cartão que tenho não tem essa informação. Então achei melhor me precaver já que as coisas estão pegando em São Paulo”, disse.

O agrimensor Fábio Luiz Santos, 36, também vai viajar para o interior do Amazonas, mas a trabalho, e a empresa solicitou que ele tomasse algumas vacinas antes da ida, dentre as quais antitetânica, hepatite e febre amarela. Mas esta última ele não tomou por já ter sido vacinado em 2007, no seu estado natal, Rio Grande do Sul, ao vir para Manaus.

“A informação que me passaram é que tomou a vacina uma vez está protegido para o resto da vida, não precisa tomar mais. Então estou tranquilo”, afirmou.

A técnica de enfermagem Maisa Melo, da Unidade Básica de Saúde (UBS) Leonor de Freitas, no bairro Compensa, Zona Oeste, conta que nem todo mundo é compreensivo como Fábio.

"Com medo e receio, muitas pessoas acham que a vacina que tomou há mais de dez anos não vale mais ou que tomou fracionada ou, ainda, que a disponibilizada hoje é diferente daquela de anos atrás e por isso quer porque quer tomar novamente, sendo que não há necessidade, uma única dose protege”.

A chefe da Divisão de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Isabel Hernandes, ressaltou que não é recomendado ninguém tomar mais de uma dose da vacina por causa dos riscos de reações, além disso, tem as contra-indicações.

“Não pode tomar a vacina gestante, pessoa que faz tratamento com medicamento imunossupressor, quem tem alergia a ovo, quem amamenta, crianças com menos de seis meses, pessoa com mais de 60 anos só com avaliação médica”.

Ela destaca que uma dose da vacina, que está incluída no nosso calendário de vacinação, por a região amazônica ser considerada endêmica para a doença, é válida para toda vida, não sendo necessária revacinação.

“A vacina é eficaz, mas causa efeitos adversos. Por isso, é muito importante que as pessoas guardem o seu cartão de vacina. Ele é um documento e comprova a imunização. É importante também mantê-lo em dia, com as demais vacinas. Temos outras doenças, além da febre amarela”.

Manaus está sem registros da doença há 11 anos

A vacina contra a febre amarela é oferecida nas 185 salas de vacinação em Unidades Básicas de Saúde (UBS) localizadas em todas as zonas de Manaus. Há 11 anos a capital amazonense não registra casos da doença, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

“A forma mais eficaz de prevenir a febre amarela é a vacina e o alerta é válido para todos, especialmente para os que se deslocam para regiões de mata, lembrando que a vacina garante imunidade, não sendo necessário repetir a dose”, ressaltou o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi.

A Semsa recebe mensalmente  de 30 mil a 40 mil doses. Em 2017, foram aplicadas 151.220 doses da vacina. Em Manaus, permanece a recomendação do volume da dose normal (0,5 ml), não sendo utilizada a dose fracionada.

A febre amarela se classifica em “silvestre” e “urbana”. A silvestre se mantém naturalmente em um ciclo de transmissão que envolve primatas não humanos (hospedeiros animais) e mosquitos silvestres dos gêneros Haemagogus e Sabethes. O mosquito se contamina ao picar um macaco infectado e, ao picar uma pessoa, transmite o vírus. A urbana, que não é registrada no País desde 1942, é causada pelo mesmo vírus e se manifesta da mesma forma, mas o mosquito transmissor é o Aedes aegypti.

Sete milhões de doses já foram aplicadas no Estado

O número pequeno de casos de febre amarela no Amazonas, de acordo com o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Bernardino Albuquerque, deve-se a alta cobertura vacinal do Estado, que é acima de 80% da população.

Nos últimos 20 anos, quando a OMS passou a considerar que uma dose única da vacina é válida para imunizar a pessoa por toda a vida, mais de sete milhões de doses foram aplicadas em postos de saúde do Estado.

“Temos hoje no Amazonas uma cobertura vacinal que podemos considerar boa. Nos últimos dez anos, a nossa cobertura corresponde a um pouco mais de 80% da população e, se formos pegar essa cobertura desde o ano em que foi implantada a vacinação de rotina desta doença, temos mais de sete milhões de doses aplicadas. Isso nos dá tranquilidade para afirmar que não temos praticamente nenhuma possibilidade de surto. O que pode acontecer são casos esporádicos, mas não surtos ou endemias”, explicou Bernadino.

O Amazonas é considerado área endêmica para febre amarela por conta da circulação do vírus silvestre em locais de floresta. Ou seja, há ocorrência esporádica de casos da doença, em pessoas não vacinadas que entram em áreas de floresta, onde o vírus circula. Por isso, a vacina de febre amarela faz parte do calendário de imunização da população e é disponibilizada durante todo o ano gratuitamente em todos os postos de saúde do interior e da capital.

Doença matou 20 desde julho

O grande número de pessoas não vacinadas contra a febre amarela em áreas com ecossistema favorável ao vírus representa um "alto risco" de mudança no patamar de transmissão, disse ontem a OMS em comunicado. Desde julho do ano passado, o Ministério da Saúde contabiliza 35 pacientes com a doença no País, com 20 mortes. Em São Paulo, que tem uma contagem mais atualizada, o total, desde o início de 2017, chega a 81.

OMS e Ministério da Saúde recomendam dose única

A dose única da vacina contra a febre amarela foi adotada pelo Ministério da Saúde para as áreas com recomendação de vacinação em todo o País, incluído a Amazônia, no ano passado. A medida passou a valer em abril e está de acordo com orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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