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Sargento que morreu após se casar planejava filho

O corpo de Fábio foi velado na residência da mãe, na rua São Francisco, bairro Nova Esperança, Zona Oeste de Manaus. O enterro ocorreu na manhã desta quinta-feira (22) 23/11/2012 às 10:15
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Fabio Gefferson dos Santos morreu durante sua festa de casamento
Thiago Gonçalves Manaus (AM)

O sargento da Marinha do Brasil Fábio Gefferson dos Santos Maciel, 33, que morreu na madrugada desta segunda-feira (19), após ser ferir com  caco de vidro de um copo, que perfurou sua veia femural, tinha como próximo plano ter um filho com a sua esposa, a autônoma Geise Guimarães. Os dois se casaram seis horas antes do incidente, na noite do domingo (18). O casal estava junto há sete anos.

Familiares de Fábio preferem não falar com a imprensa. A mãe dele, a dona de casa Maria Regina dos Santos Maciel, 54, que participou da cerimônia de casamento, está abalada. O pai do sargento separou-se da mãe e se distanciou. Ele não foi ao casamento do filho no Rio de Janeiro (RJ) por motivos particulares. O pai, que não teve o nome revelado, esteve no velório do filho na manhã desta quarta-feira (21), em Manaus.

Planos
Segundo pessoas próximas de Fábio Gefferson, ele comemorava conquistas e vivia momentos repletos de felicidade. O padrinho de casamento e amigo do militar, Oriales dos Santos, 31, contou que horas antes de o incidente acontecer Fábio agradeceu o apoio dos amigos e dos familiares. “Ele estava muito feliz. Falou com os amigos, com as pessoas que estavam servindo na cozinha, passou a cerimônia inteira brincando os convidados”, disse."Ele construiu uma casa no Rio e queria ter filho", completou.

Oriales dos Santos, que é funcionário público, comentou que os amigos e familiares que acompanhavam o recém-casado foram surpreendidos pela fatalidade, quando perceberam que Fábio caiu no chão e começou a sangrar muito. O incidente aconteceu após a festa do casamento, do lado de fora do clube. Já era madrugada da segunda-feira, de acordo com ele.

“Nós vimos que ele passou a festa toda com o copo de fundo grosso, mas não imaginávamos que ele teria se cortado com vidro. Quando percebemos, tentamos estancar o sangue com uma peça de roupa. Ele estava sangrando muito”, revelou Oriales.

Socorro
Fábio foi socorrido e levado para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Cocotá, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro. “Colocamos ele no carro e o levamos até pela contra mão para a UPA. Quando chegamos lá, pedimos ajuda dos funcionários para tirar ele do carro, mas eles se recusaram”, afirmou o amigo.

Após primeira tentativa para atendimento, os acompanhantes de Fábio foram informados que o paciente não poderia ser atendido naquela unidade de saúde, pois esta não tinha estrutura suficiente para o caso do sargento. Foi quando, então, os amigos seguiram com o militar para o hospital municipal Paulino Werneck, também na Zona Norte do Rio.

“Quando chegamos ao hospital, colocaram ele numa cadeira de roda e o levaram para dentro, mas fomos informados que o médico plantonista estava descansando porque ele já tinha feito outro procedimento. Eles alegaram que é uma regra estabelecida pela direção do hospital. Quando o médico termina uma cirurgia ele vai descansar”, relatou o padrinho de casamento e amigo de Fábio, Oriales dos Santos, que também recebia ajuda da esposa.

Alvoroço
O amigo do militar contou que foi preciso fazer tumulto na recepção do hospital municipal Paulino Werneck, para o sargento ser atendido. “Precisamos nos impor. Nas duas unidades de saúde para onde levamos o Fábio não tinha matéria básico pra atendimento. Não tinha, por exemplo, material para sutura e aplicação de soro”.

Minutos após dar entrada no hospital, os acompanhantes de Fábio foram informados que ele havia falecido. “De cinco a dez minutos depois de ele chegar, os funcionários informaram que ele tinha morrido”, afirmou Oriales, que disse não ter conhecimento do atestado de óbito do Instituto Médico Legal (IML), da cidade do Rio de Janeiro.

Ao todo, foram cerca de cinco quilômetros percorridos. A secretaria municipal de saúde do Rio de Janeiro comunicou à imprensa, que o militar já chegou morto ao hospital. Alegação que é contrariada pela família da vítima.

Entenda o caso
Após o seu casamento com a autônoma Geise Guimarães, Fábio caiu com um copo no bolso que cortou sua veia femural, que fica na região da Virilha e apresenta grande fluxo sanguíneo. Ele foi socorrido, mas não resistiu ao ferimento e perda de sangue. As pessoas próximas da vítima acreditam que houve negligência no atendimento médico.

Natural do Amazonas, nascido em Manaus, Fábio saiu do Estado para atuar como sargento da Marinha no Rio de Janeiro.  Ele foi para o sudeste do país pela primeira vez em 2004. Depois retornou ao Amazonas e, em 2009, voltou para o Rio. O militar deixou cinco irmãos, sendo três mulheres e dois homens, com idade entre 39 e 17 anos. A relação com a família era próxima, apesar da distância.

Velório
O corpo de Fábio foi velado na residência da mãe, na rua São Francisco, bairro Nova Esperança, Zona Oeste de Manaus. O enterro ocorreu na manhã desta quinta-feira (22), no cemitério Nossa Senhora de Aparecida, Tarumã, na Zona Oeste. O corpo chegou do Rio de Janeiro às 23h desta terça-feira (20).